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    Meio Ambiente


    Manejo sustentável de jacarés como prioridade do governo

    Novo secretário de Meio Ambiente declarou nesta semana que a liberação da licença para manejo garante o controle da atividade, conservação da espécie e renda para as UC

    No ano passado foi concedida a primeira licença para abate de jacaré em UCs, no município de Uarini
    No ano passado foi concedida a primeira licença para abate de jacaré em UCs, no município de Uarini | Foto: Ricardo Oliveira/Arquivo Em Tempo


    Manaus - Um dia já ameaçado de extinção nas águas do Amazonas, em meados dos anos 1990 pelo volume descontrolado de animais abatidos na pesca predatória, hoje a superpopulação de jacarés no Estado começa a ser encarada como um nicho da economia verde. Assim como hoje ocorre com o pirarucu, o manejo sustentável de jacarés será um dos temas prioritários na política ambiental do governo do Amazonas em 2019, segundo o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Eduardo Taveira.

    A afirmação foi feita por ele durante reunião com o diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Juliano Valente, e o deputado estadual Sinésio Campos (PT), presidente da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), responsável pelo Grupo de Trabalho do Manejo Sustentável e Comercial de Jacarés.

    Eduardo Taveira é o novo secretário de Meio Ambiente
    Eduardo Taveira é o novo secretário de Meio Ambiente | Foto: divulgação


    Para Eduardo Taveira, a liberação de licenças para manejo de jacarés garante um melhor controle da atividade e a conservação da espécie, bem como uma fonte de renda para os moradores das Unidades de Conservação (UCs).

    “O abate não será feito para controle da população, e sim para dar condições regulamentadas para a exploração sustentável. O que conserva a floresta é dar uso social, ambiental e econômico para ela. Gerando renda, garantimos a defesa do território, da espécie e melhoramos a qualidade de vida de quem vive nestas regiões. Eles serão os mais interessados em defender as nossas riquezas”, destacou Taveira.

    O deputado Sinésio Campos diz que o grupo de trabalho de manejo de jacaré será retomado neste ano para ampliar a atividade no Estado. “Nós entendemos que o manejo do jacaré não deve ser uma ação predatória, mas, acima de tudo, uma fonte de emprego e renda, como já acontece com o manejo sustentável do pirarucu. Saio, tanto do Ipaam quanto da secretaria, muito feliz de termos uma extensão dessa pauta, e quem ganha com isso é a população”, disse.

    A primeira licença para abate de jacaré em UCs para a atividade primária foi assinada em 2018
    A primeira licença para abate de jacaré em UCs para a atividade primária foi assinada em 2018 | Foto: Divulgação


    Renda

    O presidente do Ipaam, Juliano Valente, afirma que a visita do deputado estadual Sinésio Campos aos órgãos estaduais do meio ambiente demonstra interesse do parlamentar pelas causas ambientais. “É sempre muito honrosa a presença do deputado, principalmente pelo trabalho dele na área ambiental, e ele veio nos informar que vai retomar as discussões do Grupo de Trabalho da Aleam em relação aos planos de manejo de jacaré e quelônios. Esse trabalho é importante porque surge como uma fonte alternativa de emprego e renda”, completou Juliano.

    Valente explica que o jacaré é um dos animais da região com maior potencial econômico, por ser completamente aproveitado para comercialização. O couro é vendido para o mercado de bolsas e sapatos por cerca de R$ 30 por centímetro, a carne é destinada à alimentação e as vísceras são utilizadas para fazer ração.

    Autorização

    A primeira licença para abate de jacaré em UCs para a atividade primária foi assinada em 2018, autorizando o funcionamento de abatedouro e entreposto flutuante de abate do animal na comunidade rural Jarauá, no município de Uarini (a 565 quilômetros de Manaus), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá.

    A licença tem validade de 5 anos, período no qual poderão ser abatidos até 10 mil animais das espécies jacaré-açu e jacaretinga no rio Paraná do Jarauá, seguindo normas dos órgãos ambientais. No local, foi iniciado, em 2008, o trabalho de manejo e abate experimental de jacarés com investimento de R$ 300 mil em capacitação de técnicos e dos moradores da RDS, que serão beneficiados diretamente com geração de emprego e renda.

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