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    Meio Ambiente


    Vídeo: Veja a captura de peixes-boi reabilitados em lago de Manacapuru

    Animais passam período em lago artificial para se adaptarem à vida na natureza

    Peixe-boi retirado do lago artificial momentos antes de ser examinado pelos pesquisadores
    Peixe-boi retirado do lago artificial momentos antes de ser examinado pelos pesquisadores | Foto: Victor Costa

    Manaus - Biólogos e veterinários participaram, nesta terça-feira (29), de uma ação de captura de peixes-boi em um lago particular no município de Manacapuru, no interior do Amazonas.

    Os pesquisadores da ONG Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), realizaram a ação para recolher informações sobre a saúde dos animais e determinar quais deles já estão preparados para serem devolvidos à natureza.


    | Autor: Em Tempo


    O biólogo da Ampa, Diogo Sousa, coordena a ação desde 2016 e afirma que o projeto é um sucesso.

    "Inicialmente os animais encaminhados à associação ficam em observação nos tanques do Inpa, e quando percebemos que eles estão preparados, trazemos eles para esse lago particular em Manacapuru onde eles se habituam a viver num ambiente mais parecido com os rios onde serão libertados".

    Ele explica também que quando não havia o estado de semi-cativeiro, alguns animais que iam diretamente dos tanques para a natureza não conseguiam sobreviver, mas agora não há mais registros deste tipo.

    Os lagos ficam na Fazenda Seringal 25 de Dezembro, no município de Manacapuru. O principal, onde fica a maior parte dos animais, possui uma área de aproximadamente 10 hectares. A Ampa firmou uma parceria com os donos da fazenda para que os lagos fossem utilizados com essa finalidade.


    Pesquisadores utilizam redes para isolar partes do lago em que estão os peixes-boi
    Pesquisadores utilizam redes para isolar partes do lago em que estão os peixes-boi | Foto: Victor Costa

    A operação

    De acordo com o biólogo, a operação para capturar e examinar todos os 25 peixes-boi do semi-cativeiro pode durar até uma semana. A primeira parte é um longo período de observação, em que uma equipe se reúne ao redor do lago para tentar localizar os animais, que são atraídos com comida.

    Quando um ou mais peixes-boi são avistados, os pesquisadores utilizam redes para isolar partes do lago e, por fim, puxar o alvo para a terra. O animal é pesado, medido e tem amostras de sangue, muco e fezes recolhidas. Após esse procedimento, o animal é transferido para um lago menor e os pesquisadores retornam ao lago principal para capturar um novo espécime.

    "O processo acaba demorando porque a agitação na água faz com que os demais peixes-boi se escondam nas partes mais fundas do lago, o que dificulta o nosso trabalho, por isso essa atividade chega a demorar uma semana inteira", explica Diogo de Sousa.

    Após a análise das amostras coletadas, doze serão escolhidos para serem transferidos no fim de março para a Reserva Piagaçu Purus, uma Área de Proteção Ambiental próxima ao município de Beruri, no interior do Amazonas, onde ex-caçadores de peixes-boi agora colaboram na preservação da espécie.


    Filhote de peixe-boi que está sendo reabilitado no Inpa
    Filhote de peixe-boi que está sendo reabilitado no Inpa | Foto: Victor Costa

    A espécie

    O peixe-boi da amazônia é uma espécie ameaçada, e sua extinção pode prejudicar o ecossistema amazonense. De acordo com a Ampa, o animal consome grandes quantidades de plantas aquáticas, permitindo que a luz do sol alcance as plantas e animais do fundo dos rios.

    A caça predatória acaba deixando para trás filhotes órfãos que são acolhidos pela Ampa para passarem pelo processo de reintrodução à natureza. Esses filhotes ficam nos "berçários" até desmamarem, fato que acontece por volta dos dois anos de idade, e depois transferidos para os tanques do Inpa, onde começam a passar pelo processo de reintrodução.

    A reintrodução de peixes-boi faz parte do projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, realizado pela Ampa com patrocínio da Petrobras e apoio do Inpa.

    Edição: Bruna Souza 

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