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    Economia


    Novas tecnologias de produção de seringueiras da Amazônia

    Pesquisa aponta que a árvore nativa pode voltar a ser uma importante fonte de produção e renda para as populações do Estado

    Everton Rabelo Cordeiro disse os plantios de seringueiras na Amazônia são afetados por uma doença conhecida como o mal-das-folhas | Foto: Érico Xavier/Fapeam

    O estudo indica que para o aumento da produtividade de borracha natural no Amazonas são necessárias algumas medidas como, por exemplo, investimento em pesquisas de melhoramento genético, transferência adequada de suporte tecnológico e capacitação dos produtores rurais.

    O projeto “Novas tecnologias para a dinamização da produção da borracha natural no Amazonas”, que incluiu 24 municípios do Estado, foi desenvolvido nas Unidades Demonstrativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Amazonas, por meio do Programa Estratégico de Transferência de Tecnologias para o Setor Rural (Pró-Rural), edital N° 001/2013, da Fapeam.

    De acordo com o coordenador, Everton Rabelo Cordeiro, desde a década de 1920, os plantios de seringueiras na Amazônia são afetados por uma doença conhecida como o mal-das-folhas, causada pelo fungo Microcyclus ulei. O patógeno acomete as partes aéreas da planta e é um dos principais problemas fitossanitários no cultivo dessa espécie.

    “A seringueira deixou de ser cultivada na Amazônia por conta do mal-das-folhas, e todo o esforço em produzir seringueiras na região Amazônica esbarrou nessa doença que prejudica o cultivo na região e mata a planta por inanição”, explicou.

    A seringueira deixou de ser cultivada na Amazônia por conta do mal-das-folhas
    A seringueira deixou de ser cultivada na Amazônia por conta do mal-das-folhas | Foto: Érico Xavier/Fapeam

    Identificada a infecção que ataca os seringais na região e causa 100% de perdas na produção, prejuízos e inviabilizava a expansão comercial, os pesquisadores deram início aos estudos científicos com intuito de gerar árvores altamente produtivas de seringueiras tricompostas geneticamente, resistentes a esse tipo de fungo fitopatogênico.

    “O nome “tricomposta” deve-se ao fato de que três partes da árvore – a base, o painel e a copa – são formadas a partir do cruzamento de espécies diferentes de plantas de seringueiras, combinadas por meio de enxertias”, disse.

    A técnica de melhoramento genético por meio da propagação da planta, com cruzamento entre espécies diferentes de seringueiras, é para selecionar os melhores clones da árvore e vencer o mal-das-folhas em plantios homogêneos.

    “Com base nesse procedimento geramos espécies de seringueiras na Amazônia capazes de produzir borracha com qualidade e em quantidades tão boas como as seringueiras cultivadas em outras regiões do Brasil onde não há problemas com essa doença, e que consequentemente permite rentabilidade aos produtores da região”, informou.

    A borracha já foi o produto mais rentável da região Amazônica no século XIX
    A borracha já foi o produto mais rentável da região Amazônica no século XIX | Foto: Érico Xavier/Fapeam

    Para o pesquisador, as seringueiras resistentes ao mal-das-folhas além de apoiar o setor produtivo com a geração de renda para comunidades do Amazonas, podem atenuar os impactos agroquímicos sobre o meio ambiente com a dispensa da utilização de defensivos agrícolas para combater o fungo Microcyclus ulei.

    A borracha já foi o produto mais rentável da região Amazônica no século XIX, e é utilizada como matéria-prima pela indústria manufatureira na fabricação de inúmeros produtos como preservativos, pneus, luvas, mangueiras, acessórios para máquinas, elásticos, calçados, enfeites, joias, artefatos para cozinha e etc.

    O novo modo de cultivo da seringueira deve permitir ao Estado dispor novamente da borracha natural como um importante produto para a economia do Amazonas, uma vez que se trata de uma planta nativa da região, e seu produto principal é uma das commodities que impulsionam a economia mundial.

    Resultados

    A pesquisa se encontra na fase final, ou seja, etapa que consiste em testar os clones das seringueiras em diferentes localidades para verificar se o potencial produtivo das árvores se expressa em todas as zonas de plantio com a mesma singularidade.

    O projeto alcançou 237 comunidades espalhadas em 24 dos 62 municípios do Amazonas. A partir do projeto, foram capacitados 26 técnicos para atuar com as novas tecnologias, 22 unidades demonstrativas de plantio foram instaladas (Borba, Canutama, Iranduba, Itacoatiara, Lábrea, Manacapuru, Maués, Novo Aripuanã, Santa Isabel do Rio Negro, Tabatinga e Manaus) e 2.292 seringueiros identificados.

    Entre os municípios contemplados pelo projeto estão Apuí, Benjamim Constant, Beruri, Boca do Acre, Borba, Canutama, Carauari, Coari, Eirunepé, Fonte Boa, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaus, Manicoré, Maués, Novo Aripuanã, Pauiní, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga.

    A borracha extraída das seringueiras nativas da região continua sendo um complemento de renda considerável para os seringueiros da Amazônia, que continuam com a atividade de colheita e estocagem do látex, a seiva colhida da seringueira, e fonte de matéria-prima para a fabricação de vários produtos manufaturados.

    Produção no Amazonas

    De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), em 2011, existiam no Amazonas aproximadamente 2 mil produtores trabalhando com a extração de látex de seringueira e uma produção de 1.200 toneladas de Cernambi Virgem Prensado (CVP) que eram transformados em Granulado Escuro Brasileiro (GEB) por duas usinas de beneficiamento existentes nos municípios de Manicoré e Iranduba. Nos anos seguintes a situação se agravou e essa produção caiu ainda mais.

    No momento existe uma tendência favorável à recuperação da atividade em decorrência do funcionamento normal da usina de Manicoré, que tem capacidade de processamento anual de 720 toneladas de GEB, e das negociações em andamento entre a empresa Ruberon sediada no Distrito Industrial de Manaus, que demanda 500 toneladas mensais direcionadas à produção de polímeros, e a Agência de Fomento do Estado do Amazonas S.A. (Afeam) para a compra da usina de Iranduba e seu imediato funcionamento cuja capacidade de produção anual é de 4 mil toneladas.

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