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    Preservação


    A defesa da Amazônia pelos olhos de Christiane Torloni

    ‘Existem várias soluções para Amazônia, onde uma é absolutamente excluída, o desmatamento

    Christiane Torloni é envolvida com os temas da Amazônia assim como a preservação da floresta
    Christiane Torloni é envolvida com os temas da Amazônia assim como a preservação da floresta | Foto: Luana Davila


    Manaus - A atriz Christiane Torloni, defensora incondicional da Amazônia, esteve em Manaus na semana passada, onde lançou o documentário “Amazônia: O Despertar da Florestania”, com produção de Miguel Prezewodovsk, na Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Com exclusividade ao EM TEMPO, Torloni contou detalhes da sua militância pela preservação do meio ambiente e revelou que após conhecer de perto nossa floresta, ao gravar a minissérie ‘Amazônia, de Galvez a Chico Mendes’ em 2007, se apaixonou por ela.

    Torloni também fala sobre o abaixo-assinado que ajudou a colher em 2009, mais de 1 milhão e 200 mil assinaturas em defesa da Amazônia. Ela também revela sua opinião sobre a intenção de derrubada da Lei Rouanet pelo Governo Federal e avalia o atual cenário político.

    EM TEMPO - Antes, você era uma atriz que não se preocupava muito com as questões da Amazônia. O que lhe fez tornar uma defensora incondicional da região?

    Christiane Torloni — A primeira questão junta com a questão do meio ambiente. Então é assim... Como mostro no documentário, eu já venho militando na área social e política há mais de 30 anos. Lá no documentário, há cenas das Diretas Já e de todo um movimento. Realmente, tem um período em que eu silencio e esse despertar da florestania acontece exatamente num momento em que nós estamos preparando a minissérie ‘Amazônia, de Galvez a Chico Mendes’ (2007), em que tenho a oportunidade raríssima de ouvir depoimentos que mexeram muito comigo, como o do Benki, que é uma liderança indígena Ashaninka, um outro senhor que ainda era soldado na época da Borracha, e depoimentos como o do Zuenir Ventura sobre o assassinato do Chico Mendes, por exemplo.

    EM TEMPO – O que mais chamou sua a atenção?

    CT — Foi um momento de muita informação. E depois, quando fomos ao ar, realmente pude encontrar definitivamente essa questão da devastação, e isso mexeu comigo, me acordou, e pude conhecer pessoas incríveis. A partir desse momento, Victor Fasano, Juca de Oliveira e eu encabeçamos um abaixo-assinado.

    EM TEMPO – Como surgiu o abaixo-assinado?

    CT — Foi um baixo assinado inédito no Brasil, onde nós conseguimos mais de um milhão e 200 mil assinaturas pela preservação da Amazônia e, na verdade, esse manifesto acaba sendo a gêneses do filme e de uma militância incondicional pela Amazônia.

    EM TEMPO – O que você acha da intenção do Governo Federal em acabar com a Lei Rouanet?

    CT — A questão da lei Rouanet, como nós sabemos – no incentivo – pode ser melhorada. Sou absolutamente contra a extinção de leis através de decretos, principalmente os que comprometem uma indústria que produz e emprega milhares de pessoas por ano. Acredito que o Ministério da Cultura, que já tentaram extinguir tantas vezes, precisa fazer uma convocação para um diálogo, porque a classe artística e a de empresários da área cultural estão absolutamente abertas para o diálogo.

    EM TEMPO – Você acredita que essa intenção possa ser mudada?

    CT — Acho que é muito importante que a nova gestão abra as portas para o diálogo, porque eles podem estar chegando agora, mas nós já estamos aqui há décadas fazendo isso. Sabemos onde as leis não são boas, aonde elas podem ser melhoras, porque nós continuamos nos reunindo e debatendo onde essas leis podem ser aprimoradas. Nesse sentido, uma nova gestão deve servir ao diálogo.

    EM TEMPO – Como você avalia a Era Bolsonaro em relação à Amazônia?

    CT — Quanto a questão de como vejo este governo em relação à Amazônia, na verdade, vejo como todos os outros governos que vêm passando pelo Brasil nas últimas décadas. Acho que os ambientalistas também estão abertos ao diálogo, as ONGs sérias também estão abertas ao diálogo e os sites das ONGs, as representativas, as que não têm nada esconder. Basta você entrar no site da transparência para você ver como é essa gestão. Por exemplo, eu faço parte da FAS. Nós temos empresas de auditorias brasileiras e internacionais, para que nós possamos caminhar, como caminhamos há dez anos. Quem está trabalhando dentro da legalidade não tem medo de trabalhar, abrir as suas contas e mostrar o que vem sendo feito.

    EM TEMPO – O governo poderia adotar essa postura das instituições que se preocupam com o meio ambiente, não é mesmo?

    CT — Nesse sentido, também acredito que a nova gestão deve se debruçar com iniciativas que vêm demonstrando, através de um trabalho incansável, o quanto elas podem ser extensão do braço do estado, chegando a lugares remotos, através de políticas que vêm fortalecendo as comunidades através da Educação e através de empoderamento de empreendedorismo, porque realmente a Amazônia e a própria florestania significam a possibilidade que os habitantes da Amazônia e tudo que é vivo dentro dela continue vivo.

    EM TEMPO – Você acha que existem soluções para a Amazônia?

    CT — Existem várias soluções para a Amazônia, onde uma é absolutamente excluída, que é o desmatamento. Não é a primeira vez que a Amazônia é ameaçada e, provavelmente, não será a última. Entendemos que, também nesse governo, deve existir uma escuta positiva e saudável para as duas iniciativas que vêm acontecendo no Brasil nos últimos anos.

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