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    Meio Ambiente


    Mudanças climáticas afetam relação entre espécies de árvores e fungos

    Pesquisas mostram que até 2070, se as emissões de dióxido de carbono não mudarem, cerca de 60% da variedade de árvores serão afetadas

    Estudo mostra que abundância de árvores pode diminuir se nível de dióxido de carbono não se alterar até 2070
    Estudo mostra que abundância de árvores pode diminuir se nível de dióxido de carbono não se alterar até 2070 | Foto: Divulgação

    Manaus –Um estudo realizado por mais de 200 cientistas de diversos países mapeou a relação entre árvores e bactérias na natureza -  chamadas relações simbióticas. Segundo a pesquisa, em 51 anos, os impactos das mudanças climáticas afetarão o crescimento das árvores nas florestas do Brasil. Somente na Amazônia, existem mais de 6.727 espécies de flora arbórea que estabelecem relações simbióticas com fungos e bactérias. 

    O estudo mapeou 14 diferentes regiões do Brasil para identificar fatores que determinam diferentes tipos de relação entre árvores, fungos e bactérias. A partir da análise, é possível prever a relação entre os ecossistemas florestais. Os microrganismos auxiliam as plantas a absorver água e nutrientes do solo e a resistir aos efeitos das mudanças climáticas. Em troca, recebem carboidratos essenciais para seu desenvolvimento. As mudanças climáticas causadas pelas emissões de dióxido de carbono (CO2) alteram a relação do fugo com a natureza.

    Se as emissões dos gases poluentes não se alterarem até 2070, pode ocorrer uma redução de 10% nas espécies de árvores que se associam a um tipo de fungo encontrado nas regiões frias do planeta. 

    Nos últimos anos, os pesquisadores ligados fizeram inventários de mais de 1,1 milhão de parcelas permanentes de florestas, que abrangem 28 mil espécies de árvores, de mais de 70 países, situadas em todos os continentes, à exceção da Antártida.

    Os inventários reúnem informações, como a composição do solo, a topografia, a temperatura e a evolução do carbono fixado nessas parcelas permanentes de florestas ao longo de grandes períodos de tempo.

    O Amazonas possui clima quente e uma das maiores florestas do mundo
    O Amazonas possui clima quente e uma das maiores florestas do mundo | Foto: Márcio Melo/Arquivo Em Tempo


    Mudanças climáticas afetam árvores

    A fim de estimar a vulnerabilidade dos padrões globais de simbiose às mudanças climáticas, os pesquisadores usaram o mapeamento para prever como poderiam mudar até 2070, se as emissões de dióxido de carbono continuarem inalteradas.

    As projeções indicaram uma redução de 10% dos fungos ectomicorrízicos e, consequentemente, da abundância de árvores associadas a esses fungos – que correspondem a 60% das árvores.

    Os pesquisadores alertam que essa perda poderia levar a mais CO2 na atmosfera, porque esses fungos tendem a aumentar a quantidade de carbono armazenado no solo.

    “O CO2 limita a fotossíntese e, em princípio, seu aumento na atmosfera pode ter efeito fertilizante. As espécies de plantas que crescem mais rápido talvez consigam aproveitar melhor esse aumento da disponibilidade de CO2 na atmosfera do que aquelas que crescem mais lentamente. Dessa forma, poderíamos ter uma seleção de espécies. Mas ainda não há resposta para essa pergunta”, afirma o professor Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

    Outra pergunta que os pesquisadores têm buscado responder é qual seria o impacto da interação do aumento da disponibilidade de CO2 na atmosfera com a elevação da temperatura do planeta no desenvolvimento das plantas. Com o aumento da temperatura as plantas terão que gastar mais recursos com a respiração, que aumentará mais do que a taxa de fotossíntese. O saldo desse balanço no crescimento da vegetação ainda não está claro, afirmam os pesquisadores.

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