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    Meio Ambiente


    Procura por produtos orgânicos cresce no Amazonas

    Produtores ganham com produtos orgânicos em média R$ 4,5 mil

    Os produtos orgânicos poder ser considerados mais sustentáveis por não usarem agroquímicos | Foto: Divulgação

    Manaus - O mercado orgânico cresceu no Amazonas nos últimos três anos. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), houve um incremento significativo de 76 para 333 novos produtores. Os dados são de 2015 a 2019. 

    No Brasil, de 2012 a 2019, o número de produtores orgânicos cadastrados no órgão aumentou cerca de 198%, passando de 5,9 mil para 17,7 mil. Essa comercialização e produção têm gerado desenvolvimento regional para as famílias do campo e promoção de saúde para os consumidores.

    Esse mercado tem se tornado tão importante, que as feiras para venda dos produtos orgânicos estão cada vez mais presentes junto aos consumidores de Manaus. Já são aproximadamente sete feiras voltadas ao segmento na capital, segundo a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS).

    “Os produtos orgânicos poder ser considerados mais sustentáveis porque produtores não utizam agroquímicos, agrotóxicos, pesticidas e outros defensivos agrícolas. Então ele é um produto que tem menos contaminação e emissão de carbono”, explica o agroecólogo e secretário executivo da Simasa da Amazônia, Alexandre Victor.

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     O agroecólogo explica que a agricultura convencional permite uma produção de alimentos em larga escala dentro do padrão de consumo atual, que é a monocultura. Enquanto que na produção orgânica, isso não acontece. Para mudar essa realidade é preciso mudar os hábitos de consumo dos amazonenses.

    “Em tese você não conseguiria produzir grande quantidade de ração e de alimentos para a humanidade num sistema completamente orgânico. Sem os defensivos agrícolas e correção de solo, seria basicamente impossível. Para haver essa transição ecológica, para que tenha mais produtos orgânicos no mercado, seria necessário mudar o padrão de consumo da população”, diz.

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     A autônoma Adriana Reis conta que optou por ter uma alimentação saudável desde janeiro deste ano. “Eu vejo a importância desse consumo pela questão da durabilidade e qualidade do produto. São alimentos mais frescos e saborosos e eu estimulo o consumo deles. Sempre vou à feira do shopping que fica perto da minha casa”, diz.

    Benefícios à saúde

    De acordo com a nutricionista Elizangela Mota, pensando na saúde e na longevidade, é importante sim que as pessoas consumam alimentos orgânicos sempre que puderem. Além disso, consumir produtos orgânicos incentiva pequenos produtores locais que oferecem alimentos mais nutritivos, frescos e com mais sabor.

    “A comida processada perde parte de seus nutrientes, propriedades e benefícios. Quando comemos comida natural e orgânica, estamos aproveitando tudo que o alimento tem de melhor, sem qualquer tipo de aditivo químico”, explica.

    Para os agricultores, o mercado orgânico também se tornou uma grande oportunidade de melhorar sua vida econômica. O mercado de produtos orgânicos fechou o ano de 2018 com faturamento de R$ 4 bilhões, de acordo com os dados divulgados pelo Conselho Brasileiro de Produção Orgânica e Sustentável (Organis). É o caso da dona Walda dos Santos que fatura R$ 4,5 a R$ 5 mil com vendas de produtos orgânicos.

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    Walda é produtora orgânica há quatro anos e tem horta familiar na estrada de Iranduba e Manacapuru. A renda dela se baseia num contrato com a Secretaria de Educação do Amazona (Seduc), a venda de cestas verdes em domicílio e venda de mais produtos em feiras próximas ao Teatro Amazonas.

    A filha dela, a gerente Lilian Assunção, conta que o negócio surgiu de uma produção orgânica familiar, e a demanda tem aumentado ao longo do tempo.

    “Nós estamos tentando estruturar melhor e aprimorar mais para ver até onde conseguimos atender a demanda”.

    Como funciona as cestas verdes?

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    “O nosso diferencial é que o consumidor não paga pela embalagem. Todo o alimento é orgânico, livre de agrotóxicos e existe uma relação de confiança do produtor com o consumidor”, diz.

    Existem dois tipos de cestas, a primeira é a padrão no valor de R$ 200 com até 12 itens e a mini que custa R$ 110. Em média, as produtoras recebem, por semana, 40 encomendas de cestas verdes.

    Em Manaus, feiras de produtos orgânicos - como a do Incra, da Ufam e a da Apoam -vendem verduras, frutas e legumes com qualidade. A Acácia Neves, uma das organizadoras da feira do Incra, conta que mais de 250 pessoas procuram, por dia, o produto diferenciado no local.

    “A vantagem é comprar os produtos direto com os produtores. Hoje a divulgação das nossas feiras está melhor. Em média, ela movimenta R$ 5 mil. São cerca de R$ 500 a 600 por feirante. Ano passado cada feira faturava R$ 4 mil. Não sabemos o motivo do crescimento, mas pode ser que seja por causa das mudanças de hábitos de consumo. Além disso, as pessoas estão percebendo a economia que gera ao comprar nessas feiras”, explica

    Produto orgânico é mais caro?

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    “O mais caro é subjetivo. O produtor orgânico por natureza é mais barato porque não se gasta com produtos químicos. Agora o preço se eleva porque tem menos disponibilidade. Isso quer dize que se tem menos, ele é mais raro e as pessoas vão pagar mais caro por ele. Além disso, são mais sensíveis e acabam tendo uma perda maior. Muitas vezes o orgânico tem uma base bem artesanal de produção, tendo mais mão de obra e permite menos a mecanização”, explica o agroecólogo Alexandre Victor.

    Seduc investe R$ 400 mil em alimentos orgânicos

    As escolas da rede municipal do município e estadual não possuem alimentos orgânicos nas refeições oferecidas aos alunos. Entretanto, segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-AM), no segundo semestre de 2019, a pasta estará incluindo na sua relação de produtos orgânicos a couve, que será fornecida por produtores rurais de Iranduba e zona rural do entorno de Manaus, mais precisamente pela Comunidade Tarumã-Mirim.

    A Associação dos Produtores Rurais de Iranduba (APOI) será a primeira a fornecer 40 toneladas de alface orgânico oriundos da agricultura familiar, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O valor do investimento inicial com os produtores orgânicos gira em torno de R$ 400 mil.

    Já a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que quanto aos produtos orgânicos, ainda não há a oferta na rede. Mesmo solicitado em edital de chamada pública, nenhuma associação ou cooperativa se inscreveu com a oferta deste produto. Porém, o órgão já iniciou conversas com a Comissão de Produtores Orgânicos do Amazonas (CPOrg) para alinhar uma chamada pública específica para aquisição de produtos orgânicos ainda neste ano. As reuniões começaram em abril.

    Fique de olho na certificação

    Para que o consumidor de orgânicos tenha cada vez mais confiança na compra dos produtos e o mercado ganhe cada vez mais força no Amazonas, é fundamental que os agricultores obtenham a certificação de que os alimentos são verdadeiramente sem agrotóxicos. 


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    Para comprovar que o produto é orgânico, o produtor deve obter certificação por um Organismo da Avaliação da Conformidade Orgânica (OAC) credenciado junto ao Mapa ou organizar-se em grupo e cadastrar-se junto ao Mapa para realizar a venda direta sem certificação. Por mais que o produto seja cultivado em um sistema orgânico, o mesmo não poderá ser comercializado como produto orgânico se não passar pelos procedimentos.

    Para o diretor técnico da ADS, Heitor Liberato, as feiras de produtos regionais, onde o participante é o produtor rural, possuem várias vantagens.

    “Se elimina da cadeia da comercialização o atravessador. Neste sentido, o consumidor terá a oportunidade de comprar o produto mais barato e com mais qualidade, pois, na maioria das vezes, são colhidos no mesmo dia”.

    Ele destaca ainda que a partir do momento que se elimina a figura do atravessador, o produtor melhora a renda pessoal, se capitaliza e pode investir mais no sistema produtivo, aumentando sua produtividade.

    “O consumidor se comunica diretamente com o agricultor que pode dar melhores informações do produto comercializado. Faz com que o produtor diversifique a produção, evitando a monocultura e utilização de defensivos agrícolas, garantido a segurança alimentar de seu cliente”, explica.

    Confira abaixo onde encontrar produtos orgânicos em Manaus.

    Zona Centro-Sul

    - Manaus Plaza Shopping

    Avenida Djalma Batista, Chapada

    Data: Quinta-feira, das 16h às 20h

    - Incra (Feira de Produtos Orgânicos)

    Avenida André Araújo, 901, Aleixo

    Data: quinta-feira, das 16h às 19h

    -Apoam

    Data: Todos os sábados, das 6h até às 10h

    Onde: Dentro do Ministério da Agricultura, Av. Maceió, 460, bairro Adrianópolis.

    Zona Centro-Oeste

    - Feira de produtos orgânicos na Praça da Cavalaria no D. Pedro I 

    Data: Todos os sábados pela parte da manhã

    Zona Sul

    -Clube Militar de Manaus - CASSAM

    Avenida Rodrigo Otávio, Crespo

    Data: sábado, das 5h às 12h

    -Feira da ADS 

    Avenida Carlos Drummond de Andrade, nº 1.460, Conj. Atílio Andreazza, bairro Japiim

    Data: Sexta-feira, das 16h às 20h

    Zona Oeste

    - Shopping Ponta Negra

    Avenida Coronel Teixeira, Ponta Negra

    Data: quarta, das 16h às 20h, e sábado, das 5h às 11h30

    Edição: Bruna Souza

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