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    Especial Meio Ambiente


    Educação ambiental nas escolas é base para o futuro do planeta

    Projetos no Amazonas promovem contato com a natureza como parte essencial do processo educacional das crianças e adolescentes

    O futuro do planeta está na educação ambiental
    O futuro do planeta está na educação ambiental | Foto: Reprodução

    Manaus - Pensar no futuro do planeta é agir no presente. As crianças são os responsáveis por esse futuro que está mais próximo do que se imagina. Muita responsabilidade para elas? Quem entende sobre a importância da educação ambiental diz que não. Projetos voltados para a preservação do meio ambiente são desenvolvidos por educadores dentro e fora das escolas. O objetivo é gerar defensores da natureza através da educação ambiental.

    Conheça quatro, dos muitos projetos que existem na cidade de Manaus, que têm a atenção voltada para os pequenos protetores da natureza e ao futuro do meio ambiente.

    Clube do futuro cientista

    O Colégio Martha Falcão possui vários projetos de educação ambiental. No Clube do futuro cientista, 80 crianças participam diretamente das atividades, como o plantio de sementes, replantio de mudas e cuidados com a natureza. O clube além de ter as atividades dentro do colégio, ainda faz visitas técnicas a lugares onde há desenvolvimento de pesquisas na área ambiental.

    Os alunos participam desde o plantio da semente até a distribuição das mudas
    Os alunos participam desde o plantio da semente até a distribuição das mudas | Foto: Bruna Oliveira

    Os alunos são das diversas idades, interagindo desde o primeiro ano até o Ensino Médio. Em cada turma, os educadores trabalham com a linguagem específica e atividades diferenciadas de acordo com cada faixa etária.

    Dentro do clube há a seleção dos Patrulheiros do meio ambiente. As crianças escolhidas têm a responsabilidade de orientar os colegas com descarte correto de resíduos e cuidado das plantas dentro e fora da escola. Eles recebem kits com blusa, cantio para armazenar água e um caderninho que serve como diário de bordo.

    Os alunos devolvem projetos dentro e fora das escolas
    Os alunos devolvem projetos dentro e fora das escolas | Foto: Bruna Oliveira

    Os professores orientam as crianças no cuidado dos insetos que fazem parte das hortas como as abelhas, minhocas e formigas. Além incentivar a educação ambiental desde a infância, os idealizadores do projeto entendem que há necessidade de novos pesquisadores locais.

    Os projetos despertam a curiosidade nas crianças com os processos de iniciação científica, incluindo hipóteses e cada etapa que corresponde a pesquisa.

    O contato direto com a natureza permite aos alunos experiência única
    O contato direto com a natureza permite aos alunos experiência única | Foto: Bruna Oliveira

    No canteiro de mudas há plantas medicinais e os professores explicam como os remédios naturais são feitos e de que forma agem no corpo.A escola possui um sistema de captação de água da chuva e a utiliza para lavagem de pátios internos.

    As lâmpadas do prédio são econômicas e toda a estrutura da planta do prédio foi pensada com o aproveitamento da energia solar. As janelas permitem a entrada de luz natural e ventilação.

    Pensando na arborização do estacionamento da escola, os alunos pensaram em plantas adequadas para o ambiente e já colocaram as mudas no espaço. Além de ecológico, as árvores escolhidas florescem em vários períodos, e assim torna o lugar mais bonito esteticamente.

    O jardim no estacionamento foi ideia dos alunos para amenizar o calor no lugar
    O jardim no estacionamento foi ideia dos alunos para amenizar o calor no lugar | Foto: Bruna Oliveira

    O colégio, durante todo o ano, tem a participação dos alunos no cuidado das mudas. Após o processo, as plantas são distribuídas nas principais áreas da cidade desmatadas. Já são mais de 500 mil mudas distribuídas.

    Os pais acompanham os filhos nos projetos e contam que as iniciativas surtem efeitos na escola e em casa. Os filhos continuam com o trabalho de consciência ambiental quando chega em casa, como explica a coordenadora e assessora da direção do Colégio Luciana Falcão.

    "Uma vez o pai foi jogar lixo da janela do carro e o filho disse que ele não poderia fazer aquilo porque estava sujando o meio ambiente. A gente sempre ouve essas histórias nas reuniões, é um processo educacional para a vida. É importante que eles tenham esse tipo de amor pela natureza. Se virem alguém depredando, com certeza, vão  conscientizar outras pessoas."

    O coordenador do projeto no colégio, o professor Antônio Correia, conhecido como "Tio Natureza", trabalha há nove anos com educação ambiental e ressalta que ensinar sobre o meio ambiente hoje é garantir o presente e o futuro do planeta.

    "É interessante ver o interesse das crianças em descobrir como as coisas funcionam e como ele pode ser instrumento para o futuro do planeta. Eu fico maravilhado em ver que eles realmente estão aprendendo aquilo que passamos para eles. Resgatar o amor pela natureza e a educação ambiental são os nossos principais objetivos".

    "Tio natureza" sente orgulho de fazer parte do projeto
    "Tio natureza" sente orgulho de fazer parte do projeto | Foto: Bruna Oliveira

    Projeto Vitória-Régia

    Criado em 2008, o projeto é desenvolvido pelo Comando de Policiamento Ambiental da Polícia Militar do Amazonas, com a parceria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). O projeto Vitória-Régia  faz o papel de educação ambiental nas escolas com o objetivo de massificar o cuidado com a natureza e estimular a conscientização ambiental. 

    O projeto vai às escolas públicas e forma, através de palestras, os "cuidadores da natureza",  com direito a certificação no final aos Protetores Ambientais Mirins. O programa busca alcançar a região metropolitana de Manaus e as demais localidades, como Itacoatiara, Manacapuru e Presidente Figueiredo.

    Dentro da sala de aula é onde começa a educação ambiental
    Dentro da sala de aula é onde começa a educação ambiental | Foto: Reprodução Página do Comando de Policiamento Ambiental

    No início do ano, o Batalhão formou 877 novos Protetores Ambientais Mirins. Hoje o programa já atingiu 11 mil alunos do Ensino Fundamental 1, em 56 escolas.

    Em Manaus e no interior o projeto alcança crianças e as famílias
    Em Manaus e no interior o projeto alcança crianças e as famílias | Foto: Reprodução Página do Comando de Policiamento Ambiental

    As aulas abordam temas como: fauna, flora, impactos ambientais, poluição, lixo e reciclagem e noções básicas de crimes ambientais, como também visitas técnicas em parques e reservas naturais da cidade.

    As crianças aprendem como preservar o ambiente onde vivem e como por em prática fora da sala de aula.

    As crianças recebem mudas para plantio
    As crianças recebem mudas para plantio | Foto: Reprodução Página do Comando de Policiamento Ambiental

    Ações

    O projeto conta com dados em 2019 de 512 quilos de latas retiradas do meio ambiente, o que dá aproximadamente 35 mil unidades, por meio da Campanha Ecológica.

    O Tenente R. Cardoso do Núcleo de Educação Ambiental do projeto informa que o projeto tem trabalhos nas escolas do interior do Amazonas, como o Boca do Acre, em Novo Aripuanã e também no município de Apuí. Os policiais fazem palestras sobre queimadas urbanas e florestais.

    Ainda em fase de finalização, o projeto tem um museu itinerante de animais taxidermizados para as crianças aprenderem sobre os cuidados com a fauna e necessidade de preservação dos animais típicos da região Amazônica.

    Bombeiros mirins

    O projeto Bombeiro Mirim existe em todo o Brasil, mas quem desenvolve o trabalho com as crianças em Manaus, desde 2018, é a equipe do Batalhão de Bombeiros localizado dentro do Parque Sumaúma. O projeto trabalha com os alunos a temática física, emocional, cívica e ambiental.

    Todas as atividades são acompanhadas por profissionais da área
    Todas as atividades são acompanhadas por profissionais da área | Foto: Bruna Oliveira

    Em parceria fundamental com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o projeto é voltado para jovens e adolescentes de escolas públicas - que participam de seis meses de curso dentro do Batalhão.

    As crianças aprendem com pesquisadores, corpo de bombeiros e especialistas na área sobre a natureza, como cuidar do lixo doméstico e da separação correta para a coleta seletiva. A reutilização de materiais que são descartados na natureza são administradas em oficinas específicas. 

    As turmas são ensinadas durante todo o semestre no contraturno
    As turmas são ensinadas durante todo o semestre no contraturno | Foto: Bruna Oliveira

    O Parque Estadual Sumaúma é o lugar perfeito para que as crianças tenham o contato direto com a natureza sem sair da cidade. A área contém 51 hectares preservados e é a primeira dentro de Manaus que profissionais trabalham a mente dos visitantes, para que eles se tornem pequenos agentes ambientais e multiplicadores de boas ideias.

    O major Américo afirma que o projeto, além da parte ambiental, trabalha com o social e emocional das crianças. O projeto tem a oportunidade de trazê-las para uma outra realidade fora de suas casas e escolas, permite que vejam a necessidade de ser um protetor da Amazônia.

    "Eles chegam aqui de uma forma e saem totalmente diferentes, principalmente com outra visão relacionada ao meio ambiente."

    Os bombeiros mirins recebem treinamento no parque sumaúma
    Os bombeiros mirins recebem treinamento no parque sumaúma | Foto: Bruna Oliveira

    O sargento Pablo Rocha ressalta a importância da educação ambiental na vida dos alunos. O batalhão é responsável por atender as ocorrências na Zona Norte, principalmente de incêndios florestais do Estado do Amazonas. A experiência dos militares ajudam na conscientização das crianças sobre assuntos como o desmatamento e queimadas na área urbana.

    "Temos o objetivo de fazer dessas crianças pequenos agentes do meio ambiente. É um trabalho de educação diária, não é nada fácil. Coisas simples, como não jogar lixo da janela do carro ou do ônibus estão entre o que tentamos combater. Conscientizamos que essa criança recolha o lixo dentro da bolsa e faça o descarte correto no lugar certo. São atitudes simples, mas que fazem toda a diferença."

    O ensino sobre coleta seletiva faz parte da grade do curso
    O ensino sobre coleta seletiva faz parte da grade do curso | Foto: Bruna Oliveira

    Saiba mais

    O termo Educação ambiental surgiu nos anos 70, com a preocupação da problemática nesse tema. Com isso, surgiram várias medidas que tornaram sólidas, como a Conferência de Estocolmo em 1972 e a Conferência Rio em 1992, onde foi estabelecida a Agenda 21, um plano de ação para o século atual visando a sustentabilidade de terra.

    A Lei da Educação Ambiental afirma no seu segundo artigo:  

    "A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal”.

    Fazenda Santa Rosa

    Um lugar para contato direto com a natureza, capaz de promover um ensino fora do ambiente em escolar e no meio da floresta amazônica. A Fazenda Santa Rosa, localizada no Km 12 da AM-070, no quilômetro 5 do Ramal do Caldeirão, Iranduba

    O lixo é um dos maiores poluentes do meio ambiente
    O lixo é um dos maiores poluentes do meio ambiente | Foto: Reprodução Página do Comando de Policiamento Ambiental

    , desde 1994, trabalha com o agronegócio e hoje é considerada a única no Estado a oferecer um turismo diferenciado, voltado para o campo.

    A Fazenda Santa Rosa, através do Projeto Escola na Fazenda, é pioneira no Amazonas a promover educação ambiental de alta qualidade, unindo teoria e prática.

    A Escola Fazenda fica na AM-070, em Iranduba
    A Escola Fazenda fica na AM-070, em Iranduba | Foto: divulgação


    São atividades que duram em torno de uma hora e meia. Não há apenas opções de lazer, mas de aprendizado junto à natureza e o convívio no campo. As crianças fazem o turismo rural com especialistas das áreas específicas, como biólogos, agrônomos e os trabalhadores da fazenda, que ensinam desde o cuidado primário com a terra até a colheita dos frutos.

    Educação Ambiental


    Edição: Bruna Souza

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