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    Especial Meio Ambiente


    Sustentabilidade e crescimento: como aliar as duas vertentes no AM?

    Extrair recursos naturais e desenvolver o Amazonas é o desafio no presente e requer ações em todas as áreas de produção

    Aliar crescimento e ser sustentável é o desafio do Estado do Amazonas
    Aliar crescimento e ser sustentável é o desafio do Estado do Amazonas | Foto: Reprodução

    Manaus - Pensar em sustentabilidade vai além de um discurso sobre proteção dos recursos naturais, é repensar também as ações no dia a dia. A mudança envolve todas as escolhas que fazemos e o que está disponível na natureza. Pensando nisso, comunidades e pesquisadores no Amazonas já fazem suas escolhas de olho no futuro do planeta e mostram que é possível unir desenvolvimento com sustentabilidade.

    Atitudes sustentáveis

    Começar em uma pequena escala já produz um grande efeito a longo prazo. Desde a escolha de não usar copos descartáveis, a troca por lâmpadas ecológicas ou trocar o carro particular por bicicleta, são ações que ajudam o meio ambiente. Formas de se utilizar, de forma correta, os recursos naturais disponíveis.

    As comunidades ribeirinhas necessitam da floresta para viver, sabem bem como manusear os recursos que a natureza oferece e ensinam a aliança do crescimento com o respeito ao meio ambiente.

    Dentro do Centro de Ciência do Ambiente na Ufam- CCA, uma das medidas adotadas pelos funcionários foi a distribuição de copos de alumínio - acabando com o consumo de copos descartáveis no prédio. Uma ação simples, mas que faz toda a diferença.

    Sustentabilidade com peixes e sementes

    A Comunidade flutuante do Catalão, localizada a 40 minutos de Manaus faz do plantio e da pesca, oportunidades sustentáveis, uma vez que dependem da subida e da descida do rio.

    As comunidades acompanham o relógio ambiental e tiram somente o necessário para sustento
    As comunidades acompanham o relógio ambiental e tiram somente o necessário para sustento | Foto: Silene Andrade- Reprodução

    Em terras de várzea, não há plantação no período das cheias e assim não há como produzir para a comunidade. Os moradores do lugar armazenam as sementes dos legumes e frutas consumidos. Quando as águas do Rio Negro baixam, as sementes são replantadas, ou seja, não precisam mais extrair de outros lugares.

    Todos os moradores têm uma espécie de "associação" para a pesca. Quando há o período de reprodução de peixes, a comunidade ameniza a prática e permite com que a natureza renove seus animais. Assim os moradores da comunidade não sofrem com a falta do pescado.

    A moradora da comunidade Raimunda Queiroz explica que a comunidade acompanha o relógio da natureza para produzir e vender. As ações permitem o emprego e renda dos moradores, como também a sustentabilidade do lugar que é rota de turismo na Amazônia.

    “Amenizamos a pesca e o plantio para os recursos. Entendemos que precisamos preservar para que nunca acabe o sustento na nossa comunidade. É um trabalho do homem com a natureza, só assim dá certo. ”

    Os moradores da comunidade do Catalão respeitam a época de reprodução do pescado e garantem a alimentação durante todo o ano
    Os moradores da comunidade do Catalão respeitam a época de reprodução do pescado e garantem a alimentação durante todo o ano | Foto: Márcio Melo

    No Amazonas já houve algo destinado para a pesca sustentável que consistia na redução de desperdício de pescado. A fábrica Bacalhau da Amazônia desenvolvia a economia com base na nossa realidade. Com isso, ela diminuiu o grau de dependência e os projetos tornaram-se sustentáveis.

    Bezerra ressaltou os objetivos do projeto que deram certo e continua com o trabalho no Estado.

    “Entre os objetivos estão a verticalização da produção, agregando valor à matéria-prima regional e elevando o padrão de vida das pessoas. Peguei a ideia do excesso de pescado no interior que vendia o kg de pescado a R$ 1 real.

    Os projetos sustentáveis na pesca levam comida às comunidades e garantem renda ao pescador. Os peixes que iriam para o lixo são usados pelos comunitários.

    Energia solar é sustentável

    A região norte é privilegiada para a captação solar para geração de energia
    A região norte é privilegiada para a captação solar para geração de energia | Foto: Márcio Melo

    Há projetos nas universidades do Amazonas para utilização da energia solar. No mês de maio deste ano, a Ufam homologou a licitação de compra de quatro estações solarimétricas (medidor de radiação solar) de mapeamento.

    Todos os municípios terão esse mapa, ou seja, o Amazonas vai ser o primeiro estado brasileiro a ter essa tecnologia que medirá qual a quantidade de energia real que chega em cada município, não por estimativa, mas por medição em campo.

    Dois prédios da Ufam receberão os painéis solares. Serão mil placas de painel solar que tornarão os prédios autossustentáveis. O objetivo da Ufam é promover oficina de capacitação permanente de treinamento para empresas que desejam trabalhar com energia solar.

    A Ufam receberá painéis solares nos prédios para redução do consumo de energia elétrica
    A Ufam receberá painéis solares nos prédios para redução do consumo de energia elétrica | Foto: Cleudilon Passarinho

    A previsão para iniciação do projeto do Centro de Ciências do Ambiente - CCA é o mês de agosto. O desejo de ampliação de cursos de capacitação tem parceria com o Cetam para capital e o interior do Amazonas.

    A captação solar como gerador de energia nesses municípios acaba com um problema comum que gera ainda mais custos para o Estado. Ainda é comum que as comunidades recebam cheques para óleos diesel, que é usado na produção de energia no local. Ao usar o mesmo valor para a criação dos painéis solares, a comunidade nunca mais seria dependente em algo básico.

    Hoje o investimento para se ter um painel de energia solar em casa seria o mesmo valor gasto em um ano de consumo de energia elétrica comum. Entretanto, a economia estaria na validade do painel de energia que é de 24 anos. A manutenção desses painéis é de lavagem apenas, o que torna a medida sustentável em todos os lados.

    “Porque eu preciso usar a energia poluente, se eu posso usar a energia solar? Ela é permanente, tem estoque enorme e a nossa região é favorável.”

    O que é sustentabilidade?

    Sustentabilidade é a redução de qualquer prática de dependência. A floresta amazônica e todos os elementos do ecossistema são abundantes e em grande escala, mas isso não quer dizer que seja infinito. O desenvolvimento sustentável, portanto, é usar os recursos disponíveis, mas sem excesso, reutilizando o que já foi usado.

    A teoria da sustentabilidade é discutir alternativas que alongue o uso dos recursos naturais que podem acabar.

    Produtivismo x Santuarismo x Sustentabilidade

    Pesquisadores em sustentabilidade criam projetos para implementação no Estado
    Pesquisadores em sustentabilidade criam projetos para implementação no Estado | Foto: Bruna Oliveira

    O doutor em sustentabilidade, Eron Bezerra, explica que três grandes correntes fazem parte dos pensamentos a respeito dos recursos naturais.

    O chamado produtivismo é composto por um grupo de pessoas que pensam que os recursos naturais são infinitos ou no máximo pode ser substituído por outros. Com isso, aumenta-se o uso desses recursos que geralmente caem em extinção.

    Em decorrência disso, surge a segunda corrente. A santuarista pensa que os recursos estão esgotados, já chegaram no limite e as pessoas não podem mais usar nada. A tese é muito usada por países que exploram os recursos de outros países, como os Estados Unido.

    “É a mesma coisa que você falar para um ribeirinho não usar mais energia elétrica por causa dos danos ao meio ambiente e você estar em uma sala com o ar condicionado ligado. Ou seja, muito boa na tese, mas a prática passa longe. ”

    Sustentabilidade é o estímulo da interdependência e a redução da dependência
    Sustentabilidade é o estímulo da interdependência e a redução da dependência | Foto: Bruna Oliveira

    A terceira visão é a sustentabilidade, que é a extração dos recursos disponíveis com consciência e preservação. O especialista ressalta também que o termo não está relacionado apenas com a proteção florestal.

    “Ela não é sinônimo de preservação florestal, onde há muita confusão. As pessoas pensam como preservação e intocabilidade das nossas florestas, isso é apenas o lado ecológico e mais simples do problema. ”

    O que precisa para aliar o desenvolvimento com sustentabilidade?

    As tecnologias entram no contraditório de que não dá para desenvolver se não extrair. Comunidades no interior do Amazonas ensinam a lição sobre o assunto sem riscos ao meio ambiente.

    Manaus, com a Zona Franca, precisa criar formas de continuar produzindo com sustentabilidade para que os recursos não acabem e continue sendo protegida, como explica o especialista Bezerra.

    Cada pesquisa busca mostrar que é possível aliar desenvolvimento e sustentabilidade
    Cada pesquisa busca mostrar que é possível aliar desenvolvimento e sustentabilidade | Foto: Bruna Oliveira

    “A Zona Franca não é um projeto sustentável e a história está provando. Não que a gente não defenda a ZF, nossa defesa deve ser dura e apaixonada. A sustentabilidade é redução de dependência e o modelo do projeto depende inteiramente do humor dos governos. A qualquer hora isso aqui pode acabar num piscar de olhos, é frágil, não é sustentável.”

    Aos poucos a ideia de ser sustentável é disseminada, mas ainda caminha a passos lentos. Segundo o especialista, materiais reutilizáveis é uma saída na busca de um futuro ecológico, além de implantar na consciência das pessoas que os recursos não são infinitos.

    “O ideal é ter material que possa reutilizar, primeiro porque evita a agressão ao meio ambiente e promover uma cultura mais socialista sobre usar coletivamente as coisas".

    Segundo Eron, uma das ações introduzidas pela indústria é o desenvolvimento de tecnologias que possam ser utilizadas pelo mais largo período de tempo, garantido que o uso deles traga benefícios e o melhoramento do padrão de vida da humanidade.

    "A economia é dividida nos setores primário, secundário e terciário. Se eu não cuidar da sustentabilidade, o setor primário - que fornece matéria-prima para todos os outros setores - vai acabar e será pior".

    O Doutor em Sustentabilidade Eron Bezerra explica sobre o termo | Autor: Bruna Oliveira
     

    Edição: Bruna Souza

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