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    Especial Meio Ambiente


    Secretário Eduardo Taveira destaca ações para meio ambiente no AM

    Para falar sobre as ações em torno da pautas ambientais, o Secretário Estadual do Meio Ambiente Eduardo Costa Taveira concedeu entrevista Exclusiva ao Em Tempo, reafirmando que as questões ambientais não têm cor partidária e devem ser obrigação de todos

    Secretário Estadual do Meio Ambiente Eduardo Costa Taveira concedeu entrevista Exclusiva ao Em Tempo, reafirmando que as questões da pasta não têm cor partidária e devem ser uma obrigação de todos
    Secretário Estadual do Meio Ambiente Eduardo Costa Taveira concedeu entrevista Exclusiva ao Em Tempo, reafirmando que as questões da pasta não têm cor partidária e devem ser uma obrigação de todos | Foto: Bruna Oliveira

    Manaus-  O Amazonas concentra uma das maiores biodiversidades do mundo, concentradas na Floresta Amazônica e suas riquezas. Esse patrimônio não traz apenas benefícios, mas uma enorme responsabilidade frente a fragilidade da mata e nas políticas direcionadas a ele. Para falar sobre as ações em torno da pautas ambientais, o Secretário Estadual do Meio Ambiente Eduardo Taveira concedeu entrevista Exclusiva ao Em Tempo, reafirmando que as questões da pasta não têm cor partidária e devem ser uma obrigação de todos

    EM TEMPO: O governo tem um projeto de Compensação ambiental.  Quando  entrará em vigor e como será feito?

    Eduardo Taveira  O governo tem uma política estadual de serviço ambientais, além de compensação, temos uma previsão legal de remuneração dos serviços ambientais que a floresta em pé conservada presta. O estado por meio dessa lei que está sendo regulamentada prevê que isso vire um ativo econômico para remunerar as comunidades e ajudar na conservação. A lógica é que esses serviços que a floresta presta, é importante, devido a contribuição que a população do Amazonas faz, para manter as áreas em pé. Esse ativo econômico pode ajudar na sustentabilidade e nas desigualdades sociais. 

    EM TEMPO: Isso não pode ser feito apenas com investimento público. Como será realizado?

    Eduardo Taveira : A gente não pode fazer isso as custas apenas do investimento público. Precisamos resolver os problemas das pessoas também, tanto na área social como econômica. Esse é o tripé do desenvolvimento sustentável, social e econômico. E a compensação ambiental por outro lado, é um mecanismo de manutenção da floresta em pé, a devida compensação tem um balanço de produção e conservação, sabemos que toda a atividade produtiva causa algum nível de impacto aos ecossistemas. O problema de reservas legais, a produção rural deve ser feita em 20% da área e 80 % da área conservada, caso identificada é acionado os órgãos e há a compensação dessas áreas degradadas.


    A compensação ambiental mantém grande parte da floresta em pé
    A compensação ambiental mantém grande parte da floresta em pé | Foto: Divulgação

    EM TEMPO: O Amazonas tem uma enorme área preservada. Como continuar a manter a floresta em pé e ao mesmo tempo proporcionar desenvolvimento ao Estado?

    Eduardo Taveira : Esse é um grande desafio. Temos 97% do Amazonas conservado. Em geral são áreas de ocupação de cidades, centros urbanos e áreas usadas para a agricultura. A grande parte do desmatamento está no sul do Amazonas, o cinturão chamado arco do desmatamento. O aumento do desmatamento aponta para a dificuldade de aumentar a capacidade econômica e ao mesmo tempo concentrar recursos naturais. Damos continuidade nos projetos que já tinham na gestão de outros governos, em especial nos municípios do sul do estado. Com criação de novas unidades de conservação, não permanentes, mas reservas de desenvolvimento sustentável, para desenvolver junto com as comunidades cadeias de crescimento sustentável, ou seja, economia de base florestal que pode ser capilarizada para as cidades do interior, em curso desde janeiro.

    A produção de gado de baixo carbono é uma das medidas contra o problemas do desmatamento
    A produção de gado de baixo carbono é uma das medidas contra o problemas do desmatamento | Foto: Divulgação

    EM TEMPO: Em relação ao agronegócio, como o Estado vê esse tipo de viês econômico?

    Eduardo Taveira : Dá para falar de produção de gado na Amazônia, por exemplo, mas de baixo carbono, Queremos desenvolver alternativas para a recuperação ambiental com pequenos e médios produtores, com o projeto chamado "Biomas", usando espécies nativas de valor econômico, para que eles possam ter financiamento e gerar renda. Mais do que ter uma ação punitiva, é ter alternativas para o desenvolvimento sustentável. Porque eu tenho floresta, tenho condições de ter uma economia diferenciada. Não podemos desprezar a indústria de base florestal. Temos que criar condições para desenvolvê-la.

    As áreas de risco de queimadas e desmatamento estão no Sul do Amazonas
    As áreas de risco de queimadas e desmatamento estão no Sul do Amazonas | Foto: Bruna Oliveira

     

    EM TEMPO Em que localidades do Amazonas a atenção deve ser redobrada em questões ambientais? 

    Eduardo Taveira : As cidades do Sul do Estado e também as cidades localizadas no entorno da BR-319. Em relação a BR, precisamos de projetos para que tenham todas as garantias ambientais previas em relação ao asfaltamento para que possamos frear possível desmatamento.  

    EM TEMPO: Sabemos que há muita preocupação em relação a resíduos sólidos, não só em relação ao meio ambiente como a política direcionadas a saúde. Quais ações são previstas nessa área?

    Eduardo Taveira : Superar o aumento de resíduos sólidos no Amazonas que impactam diretamente em riscos aviários, com o aumento dos urubus e o fechamento de aeroportos é a meta principal. Municípios como Parintins, Tefé e Tabatinga sofrem com o problema, mas em parceria com a Companhia Ambiental- Cetesb de São Paulo, a secretaria busca soluções. Nesse momento há a visitação nos municípios para implementação de política estadual de recursos hídricos, embora tenhamos água em abundância, sabemos que  o recurso não é infinito. Os ribeirinhos sofrem com acesso a água potável e isso gera um problema público na área de saúde.

    EM TEMPO: Embora o ministro do meio ambiente tenha garantido apoio contra o desmatamento, os números só aumentam. O que esperar do governo federal como parceiro nessa área? 

    Eduardo Taveira: Da mesma maneira que temos nos posicionado de orientar o governo federal sobre assuntos que são importantes para a região, como a Zona Franca por exemplo, nos posicionamos que temps compromissos contra o desmatamento. Nao abrimos mão do desenvolvimento, mas também não abrimos mão da conservação. Combater o desmatamento é extremamente importante para esse novo modelo econômico que o estado está implementando. Temos que ponderar que houve um aumento do desmatamento e avaliar agora como as ações do governo federal vão ou não impactar esses dados, uma vez que as maiores áreas de desmatamento na Amazônia, são áreas sob influência do governo, principalmente nas áreas não destinadas, hoje chamadas de terras devolutas.

    O Governo Federal garantiu apoio contra o desmatamento e a secretaria tem acompanhado as ações
    O Governo Federal garantiu apoio contra o desmatamento e a secretaria tem acompanhado as ações | Foto: Ione Moreno

    EM TEMPO: Mas como o estado se posiciona nessa questão ambiental, se o próprio governo federal parece querer interferir de modo a maior liberação para negócios na Amazônia, principalmente em relação ao agronegócio?

    Eduardo Taveira: A ação que estamos tomando nesse sentido é o cadastro ambiental rural, para identificação dessas áreas e a gente possa agir em parceria com o Ipaam. Nessa semana estamos finalizando um projeto de um grupo de trabalho em parceria com os institutos, da unificação da base cartográfica do estado. Eu costumo falar que  a mãe de todos os problemas ambientais do estado passam pela questão fundiária. A ideia é fazer a identificação das áreas possíveis de licenciamento, de sobreposições e agilizar  processos de controle ambiental.

     

    As queimadas são uma das preocupações da pasta do meio ambiente no Amazonas
    As queimadas são uma das preocupações da pasta do meio ambiente no Amazonas | Foto: Márcio Melo

    EM TEMPO: O Amazonas teve um aumento do foco de queimadas, uma preocupação séria relacionada ao Meio Ambiente. Temos estrutura para combate ao fogo em todos os municípios?

    Eduardo Taveira :  É um problema com tendência a piorar em escala global, os efeitos das mudanças climáticas tem feito o aumento das estiagem na região Norte. Isso aumenta o uso tradicional do fogo na agricultura. Os incêndios em larga escala são os maiores problemas que temos. O aumento das nuvens de fumaça vem em parte da região metropolitana e do sul do Pará. Com  isso vemos o quanto as queimadas são um problema. Está previsto na descentralização a ampliação da fiscalização, juntamente com o Fundo Amazônia para melhorarmos nossa estrutura de combate ao fogo.

    No Ipaam, a sala acompanha em tempo real os focos de desmatamento e incêndios florestais
    No Ipaam, a sala acompanha em tempo real os focos de desmatamento e incêndios florestais | Foto: Bruna Oliveira

    EM TEMPO: Como é feito o controle dessas queimadas?

    Eduardo Taveira : Temos uma sala onde acompanhamos em tempo real as queimadas e há a geração de um boletim hidrometeorológico que aponta para onde vamos trabalhar. Precisamos entender como essas mudanças climáticas estão afetando esses processos de queimada para termos ação localizada nos focos. Nosso papel é aumentar a eficiência nesses casos. Além disso lançaremos a campanha em junho a ação com os municípios para combate as queimadas, com engajamento de educação ambiental. Tudo dependerá de como o clima será nesse ano, caso não seja favorável, teremos uma ação emergencial para o combate

    EM TEMPO: Está em processo de criação de uma área de Proteção Ambiental do Sauim de Coleira entre Rio Preto da Eva e Itacoatiara? Como o estado vê a questão da preservação do primata e de outras espécies ameaçadas?

    O Sauim-de-coleira tem atenção especial, ameaçado de extinção, conta com proteção especial
    O Sauim-de-coleira tem atenção especial, ameaçado de extinção, conta com proteção especial | Foto: Divulgação/ Semmas

     Eduardo Taveira :  A nova gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) está liderando processos de criação de 11 novas Unidades de Conservação (UC) no Amazonas, totalizando mais de 3 milhões de hectares de áreas protegidas. Entre elas, está a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Sauim-de-Coleira, entre os municípios de Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo. O trabalho é realizado em Grupo de Trabalho coordenado pelo biólogo Maurício Noronha, coordenador da campanha “Salve o Sauim”, e composto também pelo biólogo Marcelo Gordo, coordenador do projeto “Sauim-de-Coleira” da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que são dois profissionais referência na luta pelo Sauim. 

    EM TEMPO: Existem dados de quantos agente ambientais voluntários trabalham no interior e na capital? E como eles atuam na preservação do meio ambiente em parceria com o estado?

    Eduardo Taveira: Quanto aos Agentes Ambientais Voluntários (AAVs), a Sema conta com mais de 1.400 voluntários em todo o Estado. O Programa Agente Ambiental Voluntário é uma iniciativa do Governo do Estado do Amazonas, por meio da Sema, e trata-se de um processo que trabalha as atitudes coletivas e o despertar para a cidadania e respeito ao meio ambiente. Uma experiência criativa que leva as pessoas a Aprender a Ser, Aprender a Conviver, Aprender a Fazer e Aprender a Aprender, por meio de trocas de experiências do seu dia a dia, conforme ensinam os Quatro Pilares da Educação

    Os agentes ambientais são fundamentais para a preservação e incentivo
    Os agentes ambientais são fundamentais para a preservação e incentivo | Foto: Emerson Quaresma

    EM TEMPO: Como será este ano a programação para a Semana do Meio Ambiente?

    Eduardo Taveira : Teremos muitas iniciativas, mas podemos destacar algumas.  Em Parintins, no dia 8 de Junho a secretaria realizará uma campanha para os torcedores dos bois Garantido e Caprichoso, relacionadas ao descarte de lixo, com apoio dos catadores do município. A ideia é fazer o Festival Folclórico de Parintins referência em cuidado com o meio ambiente e descarte correto dos resíduos sólidos. Outra campanha que está na agenda da Secretaria do Estado é voltada para o comércio ilegal de carne de caça. O tema "Paca, tatu, cutia. Não, não mesmo!" é para chamar a atenção contra essas práticas, que são consideradas crimes ambientais. 

    A caça desses animais é considerada crime ambiental
    A caça desses animais é considerada crime ambiental | Foto: Emerson Quaresma

    EM TEMPO: Há um projeto em curso de revitalização do Parque Estadual Sumaúma. Pode adiantar para os leitores?

    Eduardo Taveira : Apresentaremos para público em Manaus a revitalização do Parque Estadual Sumaúma, o único parque dentro da cidade que é protegido. Vamos inaugurar no local uma sala multimídia para educação ambiental em parceria com a Seduc. Será feita a revitalização das trilhas orientadas e várias atividades de áreas degradadas com replantio de mudas, inclusive com a participação do Ministério Público Estadual. O parque também contará com um parque para as crianças e viveiro de mudas. Outra novidade será a abertura do parque aos domingos para visitação e passeio com a família. O objetivo da Secretaria é fazer do lugar um ponto de referência no estado do Amazonas de educação ambiental e concentrar suas principais atividades no espaço que é privilegiado pela natureza.

    O Parque Estadual Sumaúma terá programações especiais na semana do meio ambiente
    O Parque Estadual Sumaúma terá programações especiais na semana do meio ambiente | Foto: Bruna Oliveira

    Confira no Vídeo: Secretário Eduardo Taveira convida a população para participar das programações do meio ambiente no Amazonas. 

    O Secretário Estadual do Meio ambiente, Eduardo Taveira, convida a população para as programações na semana do meio ambiente | Autor: Bruna Oliveira
     

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