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    Amazônia em chamas


    Vídeo: presidente da França quer debater queimadas na Amazônia

    Assunto sobre as queimadas na Amazônia ganha holofote internacional

    Queimadas na Amazônia se tornaram preocupação internacional somente depois de a fumaça ter atingido os céus do Sul e Sudeste
    Queimadas na Amazônia se tornaram preocupação internacional somente depois de a fumaça ter atingido os céus do Sul e Sudeste | Foto: Greenpeace

    As queimadas sobre a floresta amazônica ganharam o mundo e devem virar pauta na reunião desta semana do G7 (grupo de países ricos, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido).

    Depois que a fumaça que chegou ao Sudeste e ao Sul do Brasil, no início da semana, o presidente da França, Emmanuel Macron, classificou o problema como "crise internacional" e por isso ele deve ser discutido no próximo encontro dos países. Já o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, se mostrou "profundamente preocupado" com o problema na floresta.

    Ibama engessado

    Ibama foi engessado pelo governo federal
    Ibama foi engessado pelo governo federal | Foto: Divulgação

    Desde os serviços de combate a extração ilegal de madeira e a queimadas por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram engessadas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a pedido de Bolsonaro, em abril deste, as queimadas começaram a bater recordes.

    De 1.º de janeiro até a última terça-feira (20), foram registrados 74.155 focos, alta de 84% ante o mesmo período de 2018, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mais da metade (52,6%) são na Amazônia.

    ONU

    O secretário-geral da ONU escreveu em seu Twitter que, "em meio a uma crise climática internacional, não podemos permitir que se produzam mais danos em uma importante fonte de diversidade e oxigênio". A sua afirmação pode reforçar o pedido do presidente francês de colocar as queimadas na pauta do G7. 

    Presidente da França

    Emmanuel Macron, presidente da França
    Emmanuel Macron, presidente da França | Foto: Divulgação

    Emmanuel Macron publicou nas redes sociais, também nesta quinta-feira, o seguinte comentário: "Nossa casa está queimando. Literalmente. A Floresta Amazônica - o pulmão do nosso planeta, que produz 20% do oxigênio do nosso planeta - está em chamas.

    É uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir essa emergência de primeira ordem daqui a dois dias", escreveu. Macron utilizou ainda a hashtag #ActForTheAmazon ("aja pela Amazônia") em vez de #PrayforAmazon ("reze pela Amazônia"), mais popular nas redes sociais.

    Ativista Greta Thunberg

    A ativista climática Greta Thunberg, de 16 anos, idealizadora do movimento estudantil Fridays for Future contra o aquecimento global, também se manifestou contra as queimadas que atingem a floresta da Amazônia. 

    A ativista está a bordo do Malizia II rumo a Nova York para participar de uma conferência sobre o clima na sede da ONU. "Mesmo aqui no meio do Oceano Atlântico, eu ouço sobre a quantidade recorde de incêndios devastadores na Amazônia. Meus pensamentos estão com os afetados. Nossa guerra contra a natureza deve acabar", disse Greta. 

    Acusação

    Sem apresentar provas nem indicar entidades suspeitas, o presidente Jair Bolsonaro tem dito que organizações não governamentais (ONGs) podem estar por trás de incêndios criminosos, o que foi rebatido pelas entidades. "A declaração é, antes de tudo, covarde, feita por um presidente que não assume seus atos e tenta culpar terceiros pelos desastres ambientais que ele mesmo promove no País", disse ao Estado o coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Marcio Astrini. "A Amazônia está agonizando e Bolsonaro é responsável por cada centímetro de floresta que está sendo desmatada e incendiada".

    O WWF-Brasil afirmou que a prioridade do governo deveria zelar pelo patrimônio, e não criar "divergências estéreis e sem base na realidade" do que ocorre na região

    Segundo análise técnica do Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (Ipam), só a seca prolongada não explica a alta nas queimadas no bioma Amazônia. As dez cidades amazônicas com mais focos de fogo também tiveram as maiores taxas de desmate. Para os cientistas do Ipam, a concentração nessas áreas, com estiagem branda, indica o caráter intencional dos incêndios para limpar desmate recente. 

    O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse em seu perfil pessoal no Twitter que a Casa vai criar uma comissão externa para acompanhar o problema das queimadas que atingem a Amazônia. Além disso, o parlamentar também informou que também vai realizar uma comissão geral nos próximos dias para avaliar a situação e propor soluções ao governo. “É importante para mantermos forte nossas exportações do agronegócio e preservar o nosso meio ambiente“, disse Maia.

    Bolsonaro usa dinheiro do Fundo Amazônia

    O governo Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que acusa a Noruega de matar baleias e a Alemanha de acabar com suas florestas, continua a usar o dinheiro doado pelos dois países para combater os incêndios que se alastram pela Amazônia.

    O contrato de R$ 14,717 milhões com o Fundo Amazônia, programa bancado com doações a fundo perdido pela Alemanha e Noruega, foi firmado em junho de 2014 pelo Ibama, ligado ao Ministério do Meio Ambiente. O órgão precisa de verba para financiar operações de seu Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo).

    O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o acordo, que tem validade até agosto de 2020, continua ativo e financia ações federais de apoio ao combate aos incêndios. Até dezembro do ano passado, R$ 11,721 milhões já haviam sido gastos pelo Ibama em operações de combate a incêndios na região, o equivalente a 80% do total obtido. Há no caixa, portanto, R$ 3 milhões para bancar ações do órgão.

    O plano desenhado com dinheiro dos europeus prevê que os combates em 2019 utilizem 12 caminhonetes adaptadas e dois caminhões adaptados tipo F-4000, já licitados e em fase de fabricação.

    Caminhões de combate ao Fogo comprados com repasses do Fundo

    Dos dez caminhões especiais que o Prevfogo tem hoje, seis foram comprados com repasses do fundo. Há três meses, verba do programa passou a bancar, também, a construção de um prédio novo na sede do Ibama em Brasília, para centralizar todas as ações e inteligência de combate a incêndios do governo federal, estrutura hoje improvisada. A previsão é concluir o espaço até o ano que vem.

    Brigadistas

    Nos últimos cinco anos, o Fundo Amazônia ajudou a bancar a aquisição anual de aproximadamente 4 mil calças, 4 mil camisetas e 4 mil botas novas, repassadas para cerca de 1,3 mil brigadistas contratados temporariamente pelo Ibama - cerca de 700 desses atuam na Amazônia. O dinheiro, na prática, só não paga salários e demais custos dos servidores.

    Assista à reportagem da TV Em Tempo:

    Assista a reportagem | Autor: Patrícia de Paula / TV Em Tempo
     


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