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    Reunião


    Governadores da Amazônia se reúnem hoje com europeus em Brasília

    Eles apresentarão no consulado da Noruega, em Brasília, planejamento estratégico em busca de recursos fora do Fundo Amazônia

    Consórcio Interestadual sentará com representantes da Noruega, Alemanha, França e Grã-Bretanha | Foto: Reprodução

    Brasília - Os governadores dos Estados da Amazônia brasileira se reunirão, nesta sexta-feira (13), com os consulados da Noruega, Alemanha, França e Grã-Bretanha, em Brasília, em busca de recursos para programa de desenvolvimento sustentável da região, por um canal diferente do Fundo Amazônia. A informação foi confirmada ao EM TEMPO pelo titular da secretaria de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira.

     O grupo de governadores que forma o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, segundo Taveira, vai apresentar aos representantes dos países europeus um planejamento estratégico, construído a partir da reunião que os governadores tiveram em Palmas (TO), há dois meses, a fim de reforçar a ideia para a captação de novos recursos para a implementação do plano estratégico.

    De acordo com Taveira, o plano estratégico do consórcio formado pelos governos do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, envolve: bioeconomia, zoneamento ecológico e econômico, serviços ambientais com a economia da floresta e concessão florestal e nos estados como Pará, a questão da agricultura e pecuária de baixo carbono. “São temas comuns aos estados da Amazônia brasileira e o mais importante é que eles estão indo em bloco, nas ações, na fase de planejamento e agora na captação de recursos para a implementação desse planejamento”, disse.

    A busca dos novos recursos deve gerar a criação de um novo fundo, que poderá ter o Banco da Amazônia com o papel de agência implementadora. A ideia de ter o Banco da Amazônia como implementador de um novo fundo nasceu logo depois de os próprios governadores sugerirem a transferência do Fundo Amazônia do BNDES para o banco federal regional.

    “Agora, neste momento isso tudo é orientação técnica a respeito do caminho. Mas, primeiro momento, obviamente, o importante e fazer esse encontro com as embaixadas para mostrar que os Estados têm um planejamento, tem a necessidade de recursos para a implementação dele e obviamente só o Fundo Amazônia não é suficiente para a transformação da realidade da Amazônia que esperamos”, avaliou o titular da Sema.

    A ideia de formação de um consórcio interestadual para buscar novos recursos nasceu logo depois de a Noruega e a Alemanha, em agosto deste ano, terem suspendidos os novos depósitos ao Fundo Amazônia, que somariam mais de R$ 288 milhões. Os governos alemão e norueguês apontaram na época que o Brasil não cumpriu o acordo de preservação ambiental, desde que suspendeu a diretoria e o comitê técnico do Fundo para a Amazônia. Na época, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro chegou a dizer que a chanceler alemã, Angela Merkel, deveria usar o dinheiro bloqueado pelos alemães para reflorestar o próprio país.

     Apesar da tensão entre os países, Taveira disse que o Fundo Amazônia ele continua funcionando no Brasil, com recursos na ordem de R$ 700 milhões para a implementação de projetos. O secretário amazonense disse ainda que o Ministério do Meio Ambiente sinalizou os Estados que a fila para aprovação dos projetos vai voltar a andar.

    “O que houve foi o congelamento do depósito que a Noruega e a Alemanha iriam fazer como compromisso assumido. Isso está condicionado aos resultados de redução do desmatamento no Brasil, mas não compromete os recursos que já estão em operação. O próprio governo do Estado tem um projeto de R$ 30 milhões aprovado pelo Fundo Amazônia, neste ano, voltado para o Cadastro Ambiental Rural (CAR)”, disse.

    Retomada

    Eduardo Taveira disse que, em linhas gerais, nada tinha mudado em relação ao Fundo Amazônia, mesmo depois da tensão entre os países. “Com o retorno das negociações do Ministério do Meio Ambiente, do governo brasileiro com a Alemanha e Noruega, acredito que teremos em curto prazo uma resolução definitiva do Fundo, que inclusive foi uma cobrança dos governadores da Amazônia, ao ministro do Ricardo Salles, numa reunião que ocorreu em Brasília, há alguns meses atrás”, contou.

    O secretário explicou que o congelamento dos depósitos do Fundo Amazônia são compromissos baseados em resultados. “Eu não vejo como uma retratação, mas sim como retomada de renegociação. O Brasil tem razão em alguns pontos, a Alemanha e a Noruega têm razão nos seus pontos e agora falta apenas todo mundo efetivamente sentar na mesma mesa e ter uma ação mais ativa para se chegar num denominador comum.


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