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    Desmatamento


    Sul do Amazonas é alvo de desmatamento e garimpo

    Distância da capital e dificuldade de acesso são alguns dos fatores que colaboram para que esta região permaneça sem assistência

    A área mais crítica de desmatamento no Amazonas está na região de Apuí | Foto: Greenpeace

    Manaus - A Região Sul do Amazonas é a que mais sofre com a falta de assistência das instituições governamentais e a pouca presença de órgãos fiscalizadores que deveriam inibir o desmatamento e outras práticas ilegais contra a floresta amazônica. Informações do Ministério do Meio Ambiente (MMA) apontam que a área mais crítica de desmatamento no Amazonas está na região de Apuí, município localizado a 408 quilômetros da capital. 

    Contexto

    A região Sul do Estado está distante da capital manauara e a mais próxima do Centro-Oeste do país, onde a cultura da soja e pecuária são muito fortes.  Desta forma, os proprietários de terra que trabalham cada vez mais para aumentar suas posses, vão "subindo" até chegar ao Amazonas. 

    Pará e Mato Grosso são os estados com maior presença de desmatamento, segundo o Inpe.
    Pará e Mato Grosso são os estados com maior presença de desmatamento, segundo o Inpe. | Foto: Desirée Souza

    Aliado a presença destas pessoas que praticam atividades ilegais, como desmatamento e venda de madeira não registrada, existe o cenário de um Estado pouco presente. Municípios como Apuí, Humaitá e Boca do Acre, situados ao Sul do AM, possuem poucas delegacias, população vulnerável e outros fatores que se enquadram em problemas socioambientais.

    Esta condição reflete também nos órgãos de fiscalização que não estão presentes na região com bases grandes, fortes e consistente.  Quando estes órgãos se afastam, os criminosos ambientais voltam a agir. 

    Frente Agropecuária 

    Eduardo White, gestor da Gerência de Controle Agropecuário (Gecap) do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) conta que desde os anos 1990 existe uma operação do órgão para observar o avanço da chamada 'Frente Agropecuária'.

    A operação abrangendo Sul e Sudeste do Estado, partiu dos municípios de Boca do Acre, Lábrea, Canutama,  Humaitá,  Manicoré, Novo Aripuanã, Apuí e sul do município de Maués, juntamente com uma outra gama de municípios ao longo da BR 230, uma das grandes rodovias que cortam a Região Norte no sentido Leste-Oeste.

    Mapa do Estado e Municípios do Amazonas.
    Mapa do Estado e Municípios do Amazonas. | Foto: Reprodução Web

    "Estes municípios estavam sofrendo já naqueles anos, nos anos 1990, um avanço significativo da frente que a gente chamava de Frente Agropecuária na Amazônia", relata Eduardo. Naquela época houve uma moratória já do desmatamento que acabou levando de 1996 a 2000 o incremento da exigência de reserva legal naquela região, resultado disso, é que dois destes municípios entraram na Lista Negra do Desmatamento, do Ministério do Meio Ambiente (MMA): Boca do Acre e Lábrea.

    Frente Madeireira 

    Juntamente com a atividade pecuária foi observado nos últimos quinze  anos um avanço nos municípios de Matupi, Apuí e Novo Aripuanã, da 'Frente Madeireira', que cresce de Rondônia em direção ao Amazonas. A região tem estoques em grande volume de madeira ilegal. Ali também estão os polos madeireiros, um deles bem famoso, situado em Humaitá, chamado 'Realidade'. 

    Mineração 

    Ainda segundo Eduardo White, na fronteira com o Pará,  principalmente no município de Maués, houve ascensão na atividade de mineração ilegal. Estas atividades ilícitas  que já foram até objeto de ações do Ibama, da Polícia Federal, e do próprio Ministério Público Federal. 

    Um caso bem conhecido é o do garimpo do Juma . Em 2017 o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) entrou com ação civil pública na Justiça para exigir a recuperação de todos os danos causados ao meio ambiente pelas atividades de exploração de minério de ouro no garimpo do Juma, situado entre os municípios de Novo Aripuanã e Apuí. Na ação o órgão exigia que o Amazonas reconhecesse publicamente a violação de direitos humanos ocorrida no garimpo. 

    Eduardo afirma que mais recentemente outras tentativas de avanço de mineração foram observadas junto ao Rio Abacaxi e outros afluentes situados ao sul de Maués.

    Lista Negra do Desmatamento 

    Entram nesta Lista Negra os municípios que mostram um avanço descontrolado, desmatamento acima da média. O primeiro município do Amazonas a entrar nesta lista foi o município de Boca do Acre.  Nos anos 2000, o município de Lábrea foi incluído também. Recentemente, foram acrescentadas as regiões de Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã e, principalmente, a região de Matupi, no KM 230.  Destes seis municípios o último a ser incluído foi Apuí. 

    Eduardo White ressalta de desde os anos 1990 a região Sul do Estado sofre com estas ações ilegais, apresentando um incremento sempre superior a 500 hectares e 500 km² de desmatamento ao ano. 

    Região urbana

    O ambientalista Carlos Durigan, geógrafo e diretor nacional da Wildlife Conservation Society, explica que a capital e arredores também correm risco. "O desmatamento é mais intenso em áreas que têm uma malha rodoviária mais densa, com mais estradas, mais ramais". 

    Para que haja a expansão urbana, Manaus e outros municípios ao redor, como Iranduba, Manacapuru, Novo Airão, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva também sofrem com o desmatamento desenfreado. 

    Resultados positivos 

    Neste mês, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) divulgou que houve uma redução de 33%
    nos índices de focos de calor nas Unidades de Conservação (UC) gerenciadas pela instituição. 

    Conforme números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao mesmo tempo em que houve um aumento de 91% nos focos de calor em toda Amazônia entre janeiro e agosto deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, especificamente nas áreas protegidas que recebem ações da FAS houve diminuição nesses índices, o que reforça a tendência de que queda de desmatamento e de incêndios florestais está diretamente ligada à promoção da melhoria da qualidade de vida das populações que vivem dentro das florestas floresta. Em relação ao desmatamento, também houve redução de 49% nessas áreas no mesmo período.

    UC da FAS apresentaram 49% de redução de desmatamento.
    UC da FAS apresentaram 49% de redução de desmatamento. | Foto: Divulgação
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