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    Educação ambiental


    Do lixo à arte: alunos transformam camburões em lixeiras

    Iniciativa para facilitar a coleta de lixo nas ruas em Manaus envolve alunos, professores e comunidade

    Projeto mobilizou estudantes e pais para melhorar a coleta de lixo no bairro | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Há dois anos, um projeto vem transformando a vida de alunos, professores e comunitários do bairro do Mauazinho, localizado na Zona Sul de Manaus. É o “Conservar, Transformar e Brincar”, desenvolvido por alunos da Escola Estadual Benedito Almeida, que realiza ações de educação ambiental em prol da comunidade. Entre as atividades do projeto está a reutilização de camburões como lixeiras que colorem as ruas do bairro.

    Segundo o coordenador do projeto, professor Girleno Menezes, a ideia  surgiu com o objetivo de melhorar a coleta de lixo nas ruas do Mauazinho. “As ruas são bem estreitas, então a coleta é difícil. Os alunos têm que passar por cima do lixo para chegar nos lugares”, relata o docente. Após reuniões e discussões entre o corpo estudantil, eles tiveram a ideia de reutilizar tambores como lixeiras criativas.

    Os tambores são confeccionados pelos próprios alunos, que lixam, pintam e desenham. As novas lixeiras são espalhadas em pontos estratégicos do bairro para viabilizar a coleta de resíduos. Mais de 90 tambores já foram distribuídos no Mauazinho. A iniciativa também contempla outras escolas, terminais de ônibus e unidades de saúde. O “pagamento” pelas lixeiras estilizadas são palestras de educação ambiental ministradas pelos alunos do Benedito Almeida.

    Os próprios alunos confeccionam os tambores
    Os próprios alunos confeccionam os tambores | Foto: Lucas Silva

    Os temas das palestras envolvem conscientização ambiental, como reaproveitamento, descarte correto do lixo e reciclagem. Os pais dos alunos e membros da comunidade também se envolvem no projeto, participando dos debates e sugerindo outras ações de preservação do meio ambiente.

    Além dos tambores, o “Conservar, Transformar e Brincar” também fabrica brinquedos a partir de materiais recicláveis. Segundo uma das estudantes participantes do projeto, Lara House, de 17 anos, já foram mais de mil brinquedos produzidos e doados para outras escolas. Plantio de mudas e decoração com pneus pintados também ajudam a transformar a paisagem do bairro. 

    O professor Girleno Menezes coordena o projeto ambiental
    O professor Girleno Menezes coordena o projeto ambiental | Foto: Lucas Silva

    Transformação

    Além de transformar o cenário do bairro e incentivar a população a ter mais consciência ambiental, o projeto trouxe mudanças para a vida pessoal dos alunos envolvidos. Lara conta que a iniciativa a ajudou a desenvolver uma nova visão sobre o meio ambiente.

    “Antes eu não tinha nenhum interesse, informação ou consciência sobre a questão do lixo e reaproveitamento. Quando veio o projeto, o impacto foi bem grande. Mudou meus hábitos e da minha família. Hoje eu não jogo lixo na rua de jeito nenhum”, diz a estudante. Lara também passou a realizar palestras de temática ambiental no âmbito do projeto, o que surpreendeu a família e os colegas. 

    Tambores são doados para órgãos públicos e distribuídos pelas ruas do Mauazinho
    Tambores são doados para órgãos públicos e distribuídos pelas ruas do Mauazinho | Foto: Divulgação

    Outro jovem que é muito agradecido pelas oportunidades oferecidas pelo projeto é o Mikael Araujo, de 16 anos. “Participar do projeto despertou em mim o pensamento de inclusão social e o protagonismo juvenil. Fez eu me tornar uma pessoa muito comunicativa. Eu palestro, consigo ter desenvoltura para falar. Fiz muitas amizades, só tem feito eu crescer. Tudo o que eu planejo para o meu futuro é baseado nesse projeto, no sentido de trabalhar com amor e ajudar as pessoas”, relata o estudante.

    Com a ajuda do Conservar, Transformar e Brincar, Mateus foi integrante do programa Parlamento Jovem, que engaja estudantes nos processos democráticos por meio de atividades desenvolvidas na Assembleia. 

    “A partir do momento que oferecemos vários projetos aos alunos, eles começam a se engajar em causas que vão mudar as próprias vidas deles. Essa mudança de querer ajudar as outras pessoas e passar essa vontade de mudar o mundo não tem preço”, declara o professor Girleno. 

    Dificuldades

    Atualmente, a confecção dos tambores está parada por falta de recursos. “O projeto está na ativa, mas temos o problema financeiro que é a falta de tinta e tambor”, diz Lara. Para dar prosseguimento às atividades, os alunos fazem rifas, cotinhas e até vão para o sinal pedir doações. O professor Girleno Menezes também começou a trabalhar como motorista de aplicativo para complementar o orçamento do projeto.

    “É difícil arranjar material, mas não reclamamos. Só pedimos a atenção do governo para que nos apoie a continuar a desenvolver nossos projetos, assim como o resto da comunidade. O que fazemos aqui é um trabalho de 'formiguinha', mas vale a pena pelo modo como está mudando a vida dos alunos”, diz o professor. 

    Outros projetos

    Outros projetos incentivam o protagonismo juvenil na E.E Benedito Almeida
    Outros projetos incentivam o protagonismo juvenil na E.E Benedito Almeida | Foto: Lucas Silva

    O “Conservar, Transformar e Brincar” é apenas um dos projetos desenvolvidos na escola estadual. Há mais quatro iniciativas que promovem o protagonismo estudantil: o Projeto Voz Ativa, onde os alunos elaboram propostas de mudanças para diversas áreas da sociedade; o “AME - Alunos Mais que Especiais”, que promove a valorização e autoestima do estudante; “Direitos Humanos”, onde são feitas atividades de conscientização sobre os direitos humanos e ações de ajuda humanitária; e o Futebol Americano na Escola (FAE), que incentiva a prática da modalidade entre os alunos.

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