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    Empreendedorismo


    Ribeirinha desenvolve projeto para melhorar economia de comunidade

    Geice Monhões, de 19 anos, desenvolveu plano de ação para melhorar o escoamento da produção de polpas em comunidade no Médio Solimões

    Escoamento da produção é um dos desafios dos agricultores ribeirinhos | Foto: Divulgação

    Manaus -  sonho de todo filho é poder ajudar os pais a melhorar de vida. No caso da estudante Geice Monhões, de 19 anos, ela poderá ajudar não só o pai, que é agricultor, mas também outras famílias de produtores que vivem do setor primário na comunidade ribeirinha Boa Esperança, situada a quatro horas de Tefé, no interior do Amazonas. Isso porque Geice desenvolveu um projeto para melhorar as vendas da Casa de Polpa de Frutas, uma das principais fontes de renda para os agricultores daquela comunidade.

    O projeto surgiu dentro do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, onde Geice estuda. Como parte do programa curricular, a jovem elaborou um projeto baseado nas necessidades que observou no Boa Esperança. "Quando eu vim da comunidade já tinha a visão de fazer algo para melhorar a parte financeira da Casa. Por mais que produzamos bastante e com qualidade, é muito difícil de vender", explica a estudante.

    A Casa de Polpa de Frutas da comunidade Boa Esperança foi inaugurada em 2015 e opera com um sistema de energia solar que mantém em funcionamento freezers e máquinas de polpadeiras. A unidade contou com a assessoria técnica do Programa de Manejo de Agroecossistemas e do Programa Qualidade de Vida do Instituto Mamirauá e recursos do Fundo Amazônia. A Casa representou uma melhoria na renda das famílias locais, que passaram a usar o espaço para realizar o beneficiamento das polpas. Antes, os frutos produzidos estragavam, sem uso nem venda, conta Geice. 

    Em 2018, a Casa produziu mais de uma tonelada de polpas de frutas, com destaque para os frutos cupuaçu, açaí, camu-camu, goiaba, araçá e taperebá.  Ao todo, a receita bruta da associação ultrapassou R$9,3 mil. Os números revelam o potencial da Casa, que poderia render bem mais para as famílias. 

    Geice é filha de agricultores da comunidade
    Geice é filha de agricultores da comunidade | Foto: Divulgação

    "Os maiores problemas observados são de organização financeira, conhecimento de regras e atividades da Casa", diagnosticou Geice. No projeto da jovem, serão desenvolvidas atividades destinadas à organização do cronograma de trabalho, do setor financeiro e das fichas de entrada e saída do produto. A expectativa é que as ações sejam implantadas em 2020, quando a jovem retornará à sua comunidade. Ela conta que presidência os usuários da Casa estão receptivos às mudanças e pretendem trabalhar para melhorar o funcionamento da unidade.

    Geice também planeja acompanhar e aconselhar os agricultores com funções específicas dentro da associação e verificar regularizações da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), documento que habilita o agricultor familiar a participar de vendas públicas. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) é um programa de financiamento do Governo Federal que beneficia produtores rurais.

     

    Casa de Polpa foi inaugurada em 2015
    Casa de Polpa foi inaugurada em 2015 | Foto: Divulgação

    Atualmente, a legislação federal determina que no mínimo 30% do valor repassado a estados, municípios e Distrito Federal pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) seja destinado a compra de alimentos da agricultura familiar. Por isso, a importância da adequação dos agricultores do Boa Esperança aos requisitos para participar de editais públicos.

    Ações propostas melhorarão o escoamento da produção de polpas
    Ações propostas melhorarão o escoamento da produção de polpas | Foto: Divulgação

    Hoje, a Casa das Polpas comercializa sua produção para a merenda escolar de Maraã por meio da DAP e para o mercado local, sendo representada politicamente pela Associação Comunitária da Boa Esperança. O grupo está passando por adequações sanitárias e estruturais para ampliar o mercado. Geice também planeja um mapeamento para identificar novos compradores. "As vendas e o faturamento das famílias vai aumentar, assim como a própria produção, que será de qualidade, com a confiança no produto", afirma. 

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