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    Amazônia


    Rios voadores: saiba porque desmatamento na Amazônia os deixa em risco

    Fenômeno que afeta e influencia todo o clima da América Latina está em perigo com o crescimento do desmatamento

    Rios Voadores | Foto: Divulgação

    Você sabe o que é um rio voador? Caso a resposta seja negativa, não se decepcione, pois, é um evento bem discreto e quase imperceptível a olho nu, mas de importância imensurável para nós, brasileiros. Eles estão intimamente ligados ao clima do Brasil e à mudança de temperatura. Por isso, saiba mais sobre:

    O que é um rio voador?

    Ao contrário do que possa soar, um rio voador não é um curso de água que sai voando por aí, ou seja, não é possível ver peixes no céu, infelizmente. Brincadeiras à parte, um rio voador é um fenômeno de importância extrema para o funcionamento de toda a vida aqui no Brasil.

    Na verdade, não é um rio, de maneira literal, mas sim a umidade que é gerada pela Amazônia e é levada por um curso. Geralmente o trajeto passa pelo Centro-Oeste, depois Sudeste e chega ao Sul. De acordo com pesquisas, sem os rios voadores, a região desse percurso seria, simplesmente, um deserto.

    Tal evento é explicado pela Circulação de Hadley, segundo a qual as regiões com latitudes médias da Terra têm a tendência de desertificação, como é o exemplo do deserto de Sonora, nos Estados Unidos.

    Mas como funcionam os rios voadores?

    Como a Amazônia é uma região muito úmida, há a constante incidência de chuvas. A água gerada acaba sendo retida na copa das árvores e depois é emitida novamente à atmosfera através da evapotranspiração.

    Como a quantidade de árvores na floresta é muito grande, há muita água sendo emitida através desse fenômeno. Estima-se que uma única árvore de grande porte, 20 m em média, tenha uma emissão diária de cerca de 1000 L de água. O volume total da região amazônica pode chegar a 20 bilhões por dia. É uma quantidade que impressiona, não é mesmo?

    Abastecimento do maior rio do mundo

    Uma parte dessa água emitida na atmosfera acaba sendo levada à Cordilheira dos Andes. Como é, basicamente, um imenso bloqueio, esse volume acaba sendo precipitado na forma de água.

    Parte dessa água vai para a costa do Peru, região da nascente do Rio Amazonas. É possível perceber que os rios voadores influenciaram, até mesmo, no surgimento do maior rio do mundo.

    Volta ao Brasil

    Parte da água que não é precipitada após chegar à Cordilheira dos Andes acaba dando “meia volta” e vindo, novamente, ao Brasil, seguindo o trajeto já mencionado acima: Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

    Ao passar por essas regiões, os rios voadores acabam se tornando chuva e amenizando, muitas vezes, o seu clima quente. Portanto, esse fenômeno não afeta somente sua região de origem, mas praticamente toda a América do Sul.

    Influência do desmatamento

    Caso o desmatamento e destruição da Floresta Amazônica continuem no ritmo acelerado em que se encontram, os rios voadores serão extremamente afetados. Com uma quantidade menor de árvores para realizar a evapotranspiração, menos água será levada pelos rios. Consequentemente, as regiões pelas quais passam os rios voadores terão menos chuvas, prejudicando o seu clima e vegetação.

    É possível perceber que o crescimento do desmatamento afeta, inclusive, a indústria agropecuária, que necessita de vegetação, para alimentação dos animais, e  da água da chuva, para o cultivo saudável das plantações.

    Só para se ter uma ideia da gravidade, 9.762 km² de árvores foram desmatados na Amazônia, somente em 2019. Tal número representa um crescimento de cerca de 30% com relação aos anos anteriores.

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