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    Irregularidade Ambiental


    Enquanto o mundo sofre com pandemia, desmatamento na Amazônia dispara

    Desmatamento na Amazônia cresce 55%, diz Inpe

    De acordo com levantamento, aproximadamente 60% da área desmatada no Brasil está na Amazônia | Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

    Manaus – O desmatamento na Amazônia possui um novo recorde. Nos primeiros quatro meses deste ano mais 1,2 milhões de quilômetros quadrados de floresta foram devastados, segundo dados baseados em imagens de satélite do Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (Inpe), o aumento foi de 55% em relação ao mesmo período do ano passado.

    A redução do tamanho da floresta Amazônica tem ocorrido ao longo dos anos devido ao desmatamento ilegal, incêndios, cortes de árvores para comercialização, produções agrícolas e agropecuárias, a grilagem de terras, entre outros acontecimentos.

    Segundo o primeiro Relatório Anual do Desmatamento no Brasil feito pelo MapBiomas, aproximadamente 1.218.708 hectares são referentes a vegetação nativa, área é equivalente a oito vezes o município de São Paulo. De acordo com o levantamento, aproximadamente 60% da área desmatada está na Amazônia. Já o segundo bioma em que mais houve perda foi o Cerrado, com 408,6 mil hectares. A metodologia desenvolvida no estudo permite mensurar a velocidade do desmatamento fazendo com que fosse identificado que a maior área desmatada fica no município de Jaborandi, no estado da Bahia.

    O ambientalista e especialista em gestão ambiental e geologia, Jorge Garcez, analisou que a floresta amazônica já atingiu sua capacidade máxima de evolução e o próximo processo é a degradação do espaço. Segundo Jorge, o fenômeno irá ocorrer devido a fatores naturais e principalmente aqueles causados pelo homem.

    “Será muito difícil reverter o cenário de desmatamento da Amazônia, isso acontece devido ao crescimento desordenado da população que não são compatíveis as áreas desmatadas. Em muitos cenários futuristas, as áreas urbanas terão poucas presenças vegetais. O fator resultante a isso é que quando a área é desmatada ela não é replantada com a espécie compatível ao solo fazendo com que poucas árvores consigam se desenvolver e ocuparem a área prejudicada”, informou.

    O ambientalista ressaltou ainda que embora muitos estudos analisem o fim da floresta amazônica nas próximas décadas, a informação ainda precisa ser analisada uma vez que é impossível a construção de espaços físicos na área de mata.

    “Quando falamos em destruição da Amazônia criamos uma ideia de naquele local será construído prédios, casas e a modernização tomará conta de todo o espaço. Isso não irá acontecer na Amazônia devido ao solo não ser compatível para a construção de fenômenos de natureza humana, devemos descartar essa hipótese”, afirmou Jorge.

    Apesar de grandes centros não serem compatíveis com o solo vegetal, o desmatamento apresenta muitos malefícios a sociedade devido a capacidade da Amazônia de produzir CO2 (dióxido de carbono) está cada vez mais baixa.

    “Pensando que em algumas décadas o crescimento populacional tomará uma produção muito grande e os espaços arborizados serão menores, a atmosfera entrará em colapso devido à grande quantidade de indivíduos consumindo oxigênio e pouca capacidade da floresta produzir C02 e auxiliar na distribuição para esses indivíduos”, alertou Garcez.

    Combate

    O desmatamento causa grande desequilíbrio para o ecossistema, principalmente aos seres que vivem nas áreas que já foram desmatadas e precisam migrar para outros espaços em busca de sobrevivência.  No ano passado, o Amazonas registrou 1.421 km² de área desmatada fazendo com que a preocupação dos ambientalistas aumentassem quando se trata do desmatamento na região.

    O ambientalista e superintendente do instituto internacional de responsabilidade Sócio Ambiental Chico Mendes, José Coutinho, destacou alguns fenômenos causados nas áreas desmatadas.

    “Mesmo com as políticas públicas existentes, não consigo ver um controle eficaz que possa frear o desmatamento. São dezenas de espécies de árvores sendo retiradas para a produção de madeiras, sem falar nas espécies da fauna e flora que desaparecem em decorrência disso”, explicou.

    O Amazonas decretou estado de emergência  ambiental devido as queimadas na região
    O Amazonas decretou estado de emergência ambiental devido as queimadas na região | Foto: Divulgação

    No dia 22 de maio, o Amazonas declarou situação de emergência ambiental, devido ao grande número de queimadas que acontecem na região desde o início do ano. O Governo do Amazonas informou que as ações de combate às queimadas e desmatamento ilegal têm sido prioridade da atual gestão dos órgãos ambientais estaduais, para conter as atividades não autorizadas.

    Segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), o Sistema Estadual de Meio Ambiente antecipou em um mês o Plano de Ação de Combate às Queimadas e Desmatamento Ilegal. Os órgãos já articulam ações de repressão aos ilícitos ambientais, em parceria com a Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente (Dema) e Batalhão Ambiental. Neste momento, as ações conjuntas estão voltadas para atuação no Sul do Amazonas, área de maior pressão para o uso dos recursos naturais.

    Conscientização

    A educação ambiental pode ser um mecanismo que ajude a combater o fenômeno
    A educação ambiental pode ser um mecanismo que ajude a combater o fenômeno | Foto: Reprodução

    Conforme o desenvolvimento da população, as atividades de consciência ambiental foram deixadas de lado dando lugar ao crescimento acelerado de diversas categorias de bens de consumo que resultam na desvalorização do meio ambiente.

    “Um aliado muito importante nesse processo é a educação ambiental, responsável por desenvolver um papel importante na mudança cultural e comportamental, em que os resultados contribuem diretamente para esses conjuntos de ações que culminam para promover a preservação do meio ambiente e da saúde pública podendo contribuir para uma redução no desmatamento”, ressaltou José.

    A Sema reforçou que realiza campanhas de educação ambiental, a fim de levar para as comunidades do Amazonas alternativas ao uso do fogo na produção rural. A exemplo, em outubro de 2019, foi desenvolvida a primeira unidade demonstrativa de roçado sem fogo em Unidade de Conservação.

    Descaso

    Durante a gravação da reunião ministerial, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deu sugestões a seus colegas políticos de como aproveitar a pandemia do novo coronavírus para “passar reformas infralegais de regulamentação, simplificação” e “todas as reformas que o mundo inteiro”

     “Então, para isso, precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), de ministério da Agricultura, de ministério de Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo. Agora é hora de unir esforços para dar de baciada a simplificação”, afirmou o ministro no encontro.

    Para Coutinho, o discurso ocorre devido a muitos representantes visarem retornos econômicos e movendo ações que prejudicam sua própria espécie.

    “Não há uma justificativa plausível para tais acontecimentos, podemos entender que muitos dos que praticam atos que contribuem para o desmatamento estão sendo impulsionados pelo fator econômico e financeiro, como consequência disso coloca em riscos a sua própria espécie, desprezam o valor ambiental de uma floresta em pé, muitos podem até não saber de fato esse valor, outros mesmos sabendo continuam praticando atos que chega a ser inaceitável, desrespeitando as leis ambientais do nosso país”, finalizou o especialista.

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