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    Meio Ambiente


    Extração ilegal de madeira abre a porta para outros crimes

    Ambientalistas alertam para o crime organizado camuflado no desmatamento

    Manaus (AM) - No fim de dezembro de 2020 uma operação da Polícia Federal na divisa do Pará com o Amazonas culminou na maior apreensão de madeira nativa da história do Brasil. Os agentes retiveram 131,1 mil metros cúbicos de toras, volume suficiente para a construção de 2.620 casas populares. As madeiras foram retiradas da região dos rios Mamuru e Arapiuns, de uma região de 20 mil km2, tamanho comparável ao estado de Sergipe. A ação levantou o debate entre especialistas do meio ambiente que apontaram a extração ilegal de madeira  causa danos  irreparáveis ao meio ambiente e destacam que abre a porta para outros crimes

    O recorde de madeiras ilegais apreendidas havia ocorrido em 2010, quando foram apreendidos cerca de 65 mil metros cúbicos na Reserva Extrativista (Resex) Renascer, também no Oeste do Pará.

    Para a socioambientalista Muriel Saragoussi, estes números ainda são cercados por outros crimes além dos ambientais. “Os grupos que atuam na extração ilegal da madeira em toda a Amazônia, muitas vezes utilizam o lucro desta atividade para alimentar o tráfico de drogas, os golpes financeiros, dentre outros crimes. Ainda é pior quando eles desmatam e se apropriam das terras como se fossem suas, construindo obras e criando gados. Depois ainda cobram do estado a apropriação da terra”.

    “Os danos não são apenas para a natureza, mas para a biodiversidade. O clima muda, ocorrem menos chuvas, dentre outros impactos. Alguns desses impactos demoram anos para serem revertidos”, afirma Muriel

    Apesar de ser uma região com vários planos de manejo florestal, autorização concedida pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará, nenhum madeireiro procurou a PF até agora com documentação que comprove a origem legal, segundo assessoria da Polícia Federal. “É preciso da contribuição de diversos profissionais como ecólogos, engenheiros. É um custo enorme pro estado. Fora que esse desmatamento é dinheiro da união que foi destruído”. Afirma a socioambientalista Muriel Saragoussi.

    De acordo com o procurador da República Leonardo Galiano, a estimativa inicial em relação ao volume de madeira apreendido era de 131,1 mil metros cúbicos, mas esse número pode ser ainda maior.

    Espécies ameaçadas

    A necessidade de inclusão do ipê na lista de espécies florestais ameaçadas de extinção ou em situação de alerta da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites, na sigla em inglês) também foi pauta nos últimas dias de reuniões entre MPF, MMA e Ibama.

    Desmatamento na Amazônia

     Um levantamento do Instituto Imazon mostra que o desmatamento na Amazônia em 2020 foi o maior dos últimos dez anos.

    É veloz o ritmo das derrubadas e ele acelerou durante a pandemia. Utilizando satélites que monitoram as áreas da floresta em intervalos de cinco a oito dias, os pesquisadores identificaram que o desmatamento cresceu 30% em 2020, em comparação com o ano anterior.

    Mais de 8 mil quilômetros de floresta foram destruídos entre janeiro e dezembro do ano passado. É uma área que tem cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Foi a maior devastação dos últimos dez anos.

    O Pará foi o estado que mais devastou áreas da Floresta Amazônica, que mais destruiu áreas verdes, concentrando 42% das derrubadas.

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