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    Políticas ambientais


    Veja a repercussão do discurso de Bolsonaro no Amazonas

    Para ambientalistas ouvidos pelo EM TEMPO, o presidente mudou o discurso feito na Assembleia da ONU e fez promessas que não condizem com a atual política nacional de meio ambiente

    Para diversos especialistas consultados pelo EM TEMPO, o discurso de Bolsonaro é bem diferente de todo o posicionamento já adotado | Foto: divulgação

    MANAUS - O presidente Jair Bolsonaro fez um discurso nesta quinta-feira (22) na Cúpula de Líderes sobre o Clima e prometeu adotar medidas que reduzam as emissões de gases do efeito estufa. Ele pediu "justa remuneração" por serviços ambientais prestados pelo país e reafirmou "compromisso" com a eliminação do desmatamento ilegal até 2030.

    Para diversos especialistas consultados pelo EM TEMPO, o discurso de Bolsonaro é bem diferente de todo o posicionamento já adotado por ele em seu governo e viram nos comentários do presidente "promessas vagas". Segundo o geógrafo e ambientalista da Associação Conservação da Vida Silvestre/WCS Brasil, Carlos Durigan, o discurso do presidente da República foi bastante desalinhado com a gestão que promove.

    “A apresentação, em geral, fala de conquistas e da agenda ambiental brasileira, que vem de décadas. Só que o que nós vemos dele é uma desconstrução dessa agenda ambiental no Brasil. Eu vendo o discurso, entendo como uma mudança radical, mas é difícil saber se essa mudança do discurso vai repercutir nas práticas gerais do seu governo”, contou Carlos Durigan ao EM TEMPO.

    Para o biólogo e ambientalista do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Philip Fearnside, é preciso ter cautela quanto às expectativas que podem ser geradas a partir do discurso do presidente. “Legalizar alguns desmatamentos também é acabar com o desmatamento ilegal. É fazer alguns desmatamentos deixarem de ser ilegais. Portanto é preciso ver como o governo vai se posicionar a partir desse discurso”.

    Na última parte do discurso, Bolsonaro ressaltou a necessidade de apoio financeiro. “Diante da magnitude dos obstáculos, inclusive financeiros, é fundamental poder contar com a contribuição de países, empresas, entidades e pessoas dispostas a atuar de maneira imediata, real e construtiva, na solução desses problemas”, disse, emendando com uma fala sobre as expectativas para COP 26, Conferência de líderes que acontecerá em novembro.

    Para a socioambientalista Muriel Saragoussi este discurso do presidente ocorre por conta de uma pressão muito grande sofrida por ele. “Internacionalmente, líderes estão incomodados com a postura dele em relação às políticas ambientais. Além disso, a pandemia e a pressão que o governo possui em 'solucionar' os problemas de saúde fez com que ele apresentasse este discurso”.

    Desmatamento ilegal

    Ainda no discurso desta quinta, Bolsonaro reafirmou "compromisso" com a eliminação do desmatamento ilegal até 2030, conforme o presidente já havia dito em uma carta enviada a Joe Biden.

    "Destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030 com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data (2050)", destacou o presidente da República Jair Bolsonaro, sendo o 20º líder a discursar na cúpula.

    No último dia 9, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que os alertas de desmatamento na Amazônia bateram recorde em março. Ao todo, foram 367, km².

    Ainda conforme o Inpe, o desmatamento na Amazônia em 2020 foi mais de três vezes superior à meta proposta pelo Brasil para a Convenção do Clima.

    “Devemos enfrentar o desafio de melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, região mais rica do país em recursos naturais, mas que apresenta os piores índices de desenvolvimento humano. A solução desse 'paradoxo amazônico' é condição essencial para o desenvolvimento sustentável na região”, disse o presidente em defesa da Amazônia.

    Ajuda da comunidade internacional

    No último dia 15, se tornou conhecido o conteúdo de uma carta enviada por Bolsonaro a Biden na qual o presidente brasileiro pediu a ajuda "possível" da comunidade internacional para as políticas ambientais. Quatro dias depois, no dia 19, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o Brasil "não tem que ser mendigo" na busca por recursos para combater o desmatamento ilegal.

    Metas anteriores

    A meta do Brasil era reduzir em 43% as emissões até 2030, com base em dados de 2005. Isso significaria emitir 1,2 bilhão de tonelada de gases. No fim de 2020, no entanto, o governo brasileiro pretendia manter o percentual mesmo após revisão dos números absolutos previstos na meta original do Acordo de Paris.

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