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    Poluição


    Solução para lixo fluvial passa por políticas públicas, diz biólogo

    Desde 2018, a prefeitura já desembolsou cerca de R$ 29,9 milhões para a retirada de lixo dos igarapés. Mensalmente estima-se que vinte e sete toneladas de lixo são tiradas das águas, com um custo mensal de cerca de R$ 1 milhão

    Para Daniel Santos, as políticas públicas devem passar pela política nacional de resíduos sólidos | Foto: Brayan Riker

    MANAUS - Quando o lixo é disposto nas vias públicas ocorrem problemas de infraestrutura e alagamentos. Ao chegar nos rios, provoca desequilíbrio ambiental, representando uma grande ameaça à vida aquática, além de contaminar a água utilizada para consumo humano, tornando-a inapropriada e causando doenças.

    Em Manaus o problema do lixo fluvial é recorrente, tanto na cheia, quanto na vazante. Anualmente a prefeitura precisa desembolsar R$ 9,6 milhões, somente com os serviços de limpeza dos mais de 60 quilômetros da orla da cidade. Mensalmente esse custo é de cerca de R$ 1 milhão mensal em todos os 147 igarapés atendidos pela prefeitura de Manaus.

    Na opinião do embaixador do Instituto Lixo Zero e biólogo, Daniel Santos, esse recurso financeiro poderia ser melhor empregado com um maior investimento em políticas públicas, com ações de educação ambiental e divulgação dos serviços.

    “Falta a conscientização da população e políticas públicas, com educação formal e não formal sobre esse lixo, com locais corretos com à disposição das lixeiras para as pessoas colocarem seus lixos", explica.

    Para Daniel Santos, as políticas públicas devem passar pela política nacional de resíduos sólidos que fala sobre a existência da educação formal e da não formal. “A educação formal é o que é feito pelas escolas, de conscientização desde o ensino básico. Já a educação informal são ações como eventos, projetos, reuniões, fóruns, seminários e uma veiculação de propagandas em jornais, televisão e rádio”.

    Outro ponto fundamental para o biólogo na política pública de resíduos sólidos que pode ser aplicado a Manaus é a logística reversa. “Logística reversa é quando um produtor ou uma indústria tem que recolher a sua embalagem. Por exemplo, uma empresa que fabrica água mineral para a venda, deve disponibilizar pontos para recolher a garrafa que carrega a água mineral. A embalagem retorna para o produtor e ele dá a destinação correta. O poder público precisa cobrar isso das empresas".

    Educação Ecológica

    Nas universidades, também são discutidas soluções para os problemas decorrentes do lixo fluvial. Para o professor Carlossandro Carvalho, coordenador do mestrado e professor em gestão e regulação de recursos hídricos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), é preciso uma educação ecológica.

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    É preciso um processo de educação ambiental para sensibilizar a população. Não adianta investir um sistema de controle de alto custo se a população continuar jogando os resíduos nas águas. O que é preciso é que nós trabalhemos uma sensibilização da população, de forma mais intensa e mais educativa "

    Carlossandro Carvalho, professor da UEA

     

    Na opinião do professor a nova lei de saneamento básico deve ser utilizada com rigor, com a prefeitura estabelecendo mecanismos de controle e gestão. “Deve ser utilizada principalmente para as concessionárias de água, fazendo com que elas executem o próprio objeto do contrato delas que é fazer o controle de afluentes e o controle de resíduos sobre o curso da água”.

    CAU-AM disposto a ajudar

    O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU-AM) enviou ainda durante a campanha eleitoral à prefeitura de Manaus, uma carta aberta aos candidatos. Algumas das ações propostas eram diretamente ligadas ao tratamento e ao cuidado com o patrimônio ambiental da cidade.

    Para o presidente do CAU-AM, Jean Faria, a poluição dos igarapés está diretamente ligada às alagações que causam o represamento das águas por falta de escoamento. “É preciso haver um plano de manutenção e limpeza permanente no leito do rio. Nossa carta trata também sobre esse ponto, além do aprofundamento do leito do rio, evitando assim as enchentes, como é o exemplo do que foi feito com o Prosamim, que é sobre moradia, outro ponto que apresentamos na nossa carta”.

    O projeto envolve também a iniciativa privada. Empresas que hoje trabalham com embalagens em pet. “Hoje nós temos igarapés que estão totalmente poluídos. O projeto chama inclusive todas as empresas que trabalham com pet, para que se faça uma comissão de gestão financiada por empresas privadas de cooperativas de lixo”. 

    Resposta

    Em nota, a prefeitura de Manaus respondeu que todos os dias, a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) realiza a limpeza dos igarapés em Manaus. São 60 quilômetros de orla percorridos para a realização deste serviço. Áreas como Manaus Moderna, Panair, Igarapé do Franco, Igarapé do 40, Marina do Davi, porto da Cean, praia da Lua, e ainda regiões rurais, como comunidade do Livramento, Julião, Abelha e Nossa Senhora de Fátima recebem nossas ações.

    A prefeitura destacou que diariamente, mais de 27 toneladas de lixos são retirados das águas, grande parte deste material - como garrafas pets, descartáveis e resíduos domésticos - poderiam ser reciclados. Somente neste ano, até o momento, mais de 1 mil toneladas de lixos já foram retirados, e com a chegada das cheias dos rios esse lixo aumenta e fica preso nas cabeceiras de pontes e encostas.

    "Para a realização da limpeza desses pontos utilizamos maquinários, redes de coletas, balsas, empurradores, além de botes e servidores que recolhem de forma manual em áreas de difícil acesso. Ressaltamos que além da limpeza diária, a pasta, por meio da Comissão Especial de Divulgação da Política de Limpeza Pública (Cedolp) vem realizando campanhas e ações de conscientização na cidade, por meio de redes sociais e ampla mídia, nos bairros e também de porta em porta. Além disso, temos o grupo Garis da Alegria, que colabora com essa campanha. Porém, nada disto tem resultado se a população não se conscientizar e fazer o descarte correto dos seus resíduos", destacou a nota.

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