Fonte: OpenWeather

    AÇÃO HUMANA


    Carbono sufoca Amazônia e expõe danos de mudanças climáticas

    Novo estudo da revista Nature mostra como a região amazônica está ficando com clima e comportamento biológico desregulado

    | Foto: Divulgação

    Manaus - O aumento do desmatamento e as mudanças climáticas estão sufocando a Amazônia. Novo estudo da revista Nature publicado esta semana mostrou que partes da maior floresta tropical do mundo agora produzem mais gás carbônico do que conseguem absorver. A maior incidência desse fenômeno prejudicial está em áreas em que as queimadas e o desflorestamento estão em alta. 

      Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores coletaram 590 amostras do ar amazônico entre 2010 e 2018. Foram escolhidos quatro locais da Amazônia e a altura variou de 300 metros a 4 quilômetros acima do nível do mar.  

    "Infelizmente nós temos um hábito de usar fogo para manejo, abrir pastagem, agricultura. O pessoal desmata e espera três meses aquela madeira secar para tacar o fogo. E aí a vegetação está tão seca que avança para áreas que não se pretendia queimar. Então, com isso, além de diminuir a chuva, ainda provocamos mais queimadas, levando a muito mais mortes de árvores. É um círculo vicioso que só cresce", explica Luciana Gatti, diretora do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LaGEE). A fala foi dita em entrevista à CNN Brasil.

     

    Luciana é pesquisadora no Inpe
    Luciana é pesquisadora no Inpe | Foto: Arquivo pessoal

    A cientista ressaltou ainda ser essa a primeira vez em que um estudo aponta a dificuldade de parte da floresta em absorver carbono. Segundo os resultados, esse problema ocorre principalmente na Amazônia Oriental (Prá, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso). 

    Apesar disso, o Amazonas também tem uma parcela de análise na pesquisa. No artigo publicado na Nature, os autores explicaram que o alto desmatamento está causando danos à floresta.

    "

    Nós exploramos o efeito das mudanças climáticas e tendências de desmatamento nas emissões de carbono em nossos locais de estudo, e descobrimos que a intensificação da estação seca e um aumento no desmatamento parecem promover estresse no ecossistema, aumento na ocorrência de incêndios e maiores emissões de carbono no leste Amazonas "

    Autores em trecho do artigo, Nature

     

    Em junho, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal foi de 1.062 km², o maior tamanho desde que  começou a ser medido, em 2016. Além disso, o mês segue a tendência de recordes de queimadas em 2021. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe). 

    Como ocorre o fenômeno

    Segundo os pesquisadores, há duas principais formas de o gás carbônico ser liberado na floresta amazônica. O primeiro se chama 'emissão direta' e é quando árvores são queimadas, produzindo o CO².

     

    Desmatamento causa emissão de CO²
    Desmatamento causa emissão de CO² | Foto: Alex Ribeiro/Agência Pará

    A outra forma, indireta, ocorre de maneira mais complexa. Com plantas e árvores na Amazônia, a região perde poder de criar chuvas. Sem as gotas d'água caindo do céu, as plantas passam por um processo de produzir mais gás carbônico que o normal. 

      Por fim, com o aumento de emissões diretas e indiretas, a floresta fica sem força para fazer todo o processo de absorção.  

    "A degradação ambiental e o desmatamento são questões estruturais. A terra é algo sistêmico, se você move uma peça aqui, vai mexer com outra ali. Por isso, as emissões de gases, por exemplo, acabam repercutindo nos volumes naturais do ciclo da terra", explica Marcos Castro, doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. 

    Futuro da Amazônia

    Com o avanço da degradação ambiental na floresta amazônica, os nove governadores da Amazônia Legal se uniram nesta sexta-feira (16) para lançar o Plano de Recuperação Verde (PRV). Wilson Lima (PSC-AM) também integra o projeto. 

    O plano dos gestores é investir R$ 1,5 bilhão na primeira fase do PRV. Os recursos devem vir de parcerias do setor privado nacional e financiamento bancários. As principais áreas a receber incentivos são o combate ao desmatamento ilegal, desenvolvimento sustentável, investimento em tecnologia verde e infraestrutura verde.

     

    Reunião ocorreu na manhã desta sexta, em Brasília
    Reunião ocorreu na manhã desta sexta, em Brasília | Foto: Divulgação

    “Só vamos superar as ações criminosas na Amazônia com incentivos a outras atividades. Porém, esses incentivos hoje não existem. A região possui os menores indicadores do país, em todas as áreas e isso precisa ser mudado, de outra forma, não teremos floresta em pé de fato”, disse Flávio Dino, durante o evento que ocorreu em Brasília, nesta sexta. 

    Integram a Amazônia Legal os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

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