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    Tecnologia


    Socialização: O perigo da troca do mundo real pelo mundo virtual

    Cada vez mais conectadas às redes sociais as pessoas preferem conversas pelo celular e evitam o contato pessoal.

    A falta de interatividade pessoal traz consequências para a saúde
    A falta de interatividade pessoal traz consequências para a saúde | Foto: Bruna Oliveira

    Manaus- Conversas olho-no-olho sem a interferência do celular é o luxo da nova geração. Cada vez mais conectados nos smartphones, as conversas em aplicativos, as atividades do trabalho que pode ser feito com apenas um acesso e na palma da mão tem gerado obstáculos na interação interpessoal.

    É difícil encontrarmos alguém que não tenha um celular e não mexa no aparelho constantemente. As pessoas precisam dividir a atenção dos aplicativos no telefone com quem está na sua frente. Embora ninguém goste de ser ignorado durante uma conversa, muitos confessam que usam o celular quando estão entre amigos e sempre há aquela "espiada" para ver se tem nova mensagem.

    A interatividade virtual está substituindo a interação pessoal, segundo especialistas
    A interatividade virtual está substituindo a interação pessoal, segundo especialistas | Foto: Bruna Oliveira

    Observe ao seu redor, se estiver em algum lugar público, pelo menos três pessoas estão olhando para a tela do celular, inclusive você. Estamos sempre interagindo com o aparelho, mas estamos interagindo com as pessoas sem a “ajuda” da tecnologia?

    Pesquisas

    Estudos internacionais chegam a alertar o aumento do uso dos aparelhos e a falta de socialização entre as pessoas. Nos Estados Unidos, um estudo da Pew Research Center apontou para 46% da população diz que não consegue viver sem celular, mas não apenas em viver sem o aparelho, mas que ele tenha acesso à internet.

    Pesquisadores da Universidade do Texas comprovaram que o uso e a presença constante de celulares provocam alguns estímulos cerebrais que prejudicam a capacidade de atenção e a inteligência das pessoas. Embora o aparelho esteja próximo, desligado ou no bolso, a sensação das pessoas estudadas ainda permanecia voltada para o celular, pois a qualquer momento estão na espera de receber uma ligação ou uma mensagem.

    O aparelho tornou-se objeto indispensável na vida das pessoas desde a hora de acordar até dormir
    O aparelho tornou-se objeto indispensável na vida das pessoas desde a hora de acordar até dormir | Foto: Divulgação

    De acordo com pesquisas, a dependência patológica do uso do aparelho celular pode ser comparada ao comportamento de uma pessoa viciada em drogas, porém é importante destacar que o problema não é necessariamente da tecnologia em si, mas do que se faz a partir de seu uso.

    No Brasil, o número de acesso à internet é feito preferencialmente pelo celular, em 2017 o número chegava em 67% do entrevistados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No começo do ano, 138 milhões de brasileiros possuem smartphones e esses aparelhos fazem parte da rotina, desde a hora de acordar até o horário de dormir.

    A necessidade de estar sempre disponível

    Quem nunca ficou aguardando a resposta imediata pelo aplicativo de mensagens?

    A necessidade de ser respondido no mesmo instante do envio da mensagem tem consumido a vida dos jovens e adultos. Há quem diga que é raridade amigos que visualizam e logo respondem. São exemplos da frustração do mundo imediatista. Diante disso as pessoas adquirem a ansiedade pelo aumento da necessidade de responder e ser respondido.

    As novas tecnologias são mais rápidas a cada momento
    As novas tecnologias são mais rápidas a cada momento | Foto: Ione Moreno

    As novas tecnologias são mais rápidas a cada momento e quem participa dessa bolha de informações tende a seguir o mesmo ritmo, o que torna perigoso a interatividade tecnológica.

    Nomofobia: o uso excessivo de celular

    Do inglês, “no mobile phobia” (medo de ficar sem o celular), a nomofobia é o uso abusivo do celular e o medo ou angústia de ficar sem a comunicação por meios virtuais. O transtorno não está relacionado apenas com o tempo em que a pessoa fica no celular, mas sim nas consequências negativas que o uso do aparelho traz, como por exemplo, a improdutividade e falta de concentração no trabalho ou estudos e a interferência nas relações sociais e afetivas.

    A psicologia aponta para os riscos da dependência que, apesar das pessoas pensarem que só drogas lícitas e ilícitas viciam, a psicóloga Luziane Costa ressalta os riscos para saúde física, emocional e interpessoal.

    “Todos estamos sujeitos à nomofobia e, progressivamente, ela provoca o distanciamento e o isolamento da convivência com nossos familiares e amigos, causando prejuízo em nossas relações. ”

    Pessoas que tem problemas com a socialização tendem a voltar para o mundo virtual para interagir
    Pessoas que tem problemas com a socialização tendem a voltar para o mundo virtual para interagir | Foto: Reprodução Facebook

    Pessoas que tem problemas com a socialização tendem a voltar para o mundo virtual para interagir, o contato pessoal e direto é evitado e com isso, resulta na diminuição da capacidade social. A ansiedade, depressão e impulsividade são apenas algumas das consequências emocionais, resultados do uso constante dos smartphones, segundo especialistas.

    O estudante Jonathan Ferreira (20) tomou uma medida extrema no uso do aparelho. Ao adquirir ansiedade diz que a medida foi deixar o celular em casa e usá-lo somente em casos de emergência. Com o tempo que passava nas  redes sociais decidiu trocar por leitura e se dedicar na escrita de poemas e nos estudos.

    “Eu estava cada dia mais ansioso, cheguei ao extremo de me afastar do celular, deixo em casa carregando e só olho as mensagens quando chego da faculdade, á noite. Quando eu vejo que realmente preciso do celular eu levo, mas evito ao máximo e uso apenas para emergência. Eu cansei do ‘tudo é urgente’, as pessoas que mandavam mensagem para mim queriam que eu respondesse logo, nem sempre podia e ficava me sentindo mal. Hoje prefiro ligar ou mandar uma mensagem de texto, eu acho mais saudável. O vício estava acabando comigo.” Jonathan Ferreira, 20 anos.

    O maior perigo está na grande exposição dos aparelhos desde a infância, alerta os psicólogos
    O maior perigo está na grande exposição dos aparelhos desde a infância, alerta os psicólogos | Foto: Reprodução

    A academia de pediatria recomenda limites para exposição diária a todo tipo de mídia, de um máximo de três horas para adolescentes a partir de 13 anos. 

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