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    Segurança digital


    Triplica número de estelionato durante a quarentena, no AM

    Enquanto em março, o Amazonas registrou apenas 13 ocorrências de estelionato, em abril o número triplicou para 44 registros. Veja os principais golpes e as dicas para evitá-los

    Golpe do auxílio emergencial viralizou durante a pandemia, mas link é falso | Foto: Arquivo/Agência Brasil

    Manaus - Novos dados da Polícia Civil do Amazonas (PCAM) mostram um aumento expressivo no número de registros do crime de estelionato, que pode ser também traduzido como golpe, inclusive virtual. A alta nos números se deu durante a quarentena decretada pelo governo do Estado para tentar barrar o contágio na pandemia do novo coronavírus.

    De acordo com a PCAM, em março deste ano foram registradas 13 ocorrências por estelionato. Foi no dia 23 deste mês que o comércio não essencial fechou, abrindo portas para a possibilidade de compras on-line.

    No mês seguinte, abril, as ocorrências de estelionato deram um salto para 44 registros. O número só não foi maior do que o mês seguinte, quando a PCAM totalizou 49 casos de estelionato registrados.

    Para André Miura, titular da Delegacia Interativa (DI), esse aumento de crimes pode ser motivado pelo distanciamento social que resultou no fechamento da maioria dos comércios.

    Titular da Delegacia Interativa associa o aumento de estelionatos ao fechamento do comércio
    Titular da Delegacia Interativa associa o aumento de estelionatos ao fechamento do comércio | Foto: Divulgação

    "Diante deste fato [do distanciamento social], o único meio acessível para questão de produtos foi o comércio eletrônico. E esse mundo on-line é uma realidade virtual que a maioria das pessoas não está acostumada. Nesse espaço da web nada é impossível e as informações nunca são confiáveis, a princípio. As regras de comportamento também  são totalmente diferentes", diz ele.

    Dor de cabeça nas compras e vendas

    Entre agosto de 2018 ao mesmo mês de 2019, pelo menos 12,1 milhões de brasileiros sofreram golpes financeiros pela internet. A maior parte alega fraudes em compras on-line. Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

    Os golpes podem ser famosos por ocorrerem ao tentar adquirir um produto, mas até quem tentou vender na pandemia foi vítima de fraude. No Amazonas, um caso curioso se destaca entre essas histórias. Um homem que preferiu não se identificar, conta que sofreu um golpe após anunciar um imóvel na OLX, plataforma de classificados on-line. 

    Ele conta que, após anunciar a propriedade no site, recebeu a ligação de um rapaz que se passou por funcionário da OLX. Na conversa, o acusado de golpe perguntou se o homem havia postado um anúncio recentemente e ele respondeu que sim.

    Interação ou contato humano é qualquer conversa com uma pessoa que possa requerer dados pessoais na compra on-line
    Interação ou contato humano é qualquer conversa com uma pessoa que possa requerer dados pessoais na compra on-line | Foto: Divulgação

    "Então, ele disse que era funcionário da plataforma e que precisava validar o anúncio do imóvel que eu coloquei. Mas para fazer isso, eu teria que fornecer a ele o código que havia me enviado pelo chat da plataforma", conta a vítima do golpe. 

    O homem, sem desconfiar da armadilha, forneceu o código ao suposto funcionário da OLX. Em pouco tempo, no entanto, o agora acusado de fraude conseguiu clonar o WhatsApp do homem e tentou extorquir seus contatos por mensagem.

    "Ele mandou mensagem para amigos e familiares e se passou por mim. Puxava conversa e depois dizia que precisava pagar uma conta de R$ 1,5 mil. Pedia que a pessoa transferisse, mas até onde sabemos, ninguém o fez", conta a vítima.

    Para tentar evitar que o golpe fosse concretizado, o homem e a sua esposa avisaram seus conhecidos por meio do Facebook e por outros telefones. 

    O perigo dos 'links'

    Relatórios de pelo menos duas empresas de dados apontam para o aumento de golpes virtuais durante a quarentena imposta em vários países e que busca diminuir o contágio da Covid-19. Os estudos citam links falsos com ofertas 'tentadoras', pesquisas telefônicas golpistas e até mesmo tentativas de enganar pessoas com o auxílio emergencial concedido pelo governo federal durante a pandemia.

    Compras on-line aumentaram durante a pandemia, dizem especialistas
    Compras on-line aumentaram durante a pandemia, dizem especialistas | Foto: Arquivo/Agência Brasil

    A primeira pesquisa foi realizada pela empresa Apura Cybersecurity Intelligence, especializada em ameaças digitais. Um dos testes realizados demonstrou que entre março e maio deste ano, foram criados 918.630 sites suspeitos e com as palavras 'coronavírus' ou 'Covid' no endereço da web (aquele 'www' que caracteriza o link do site).

    Esse crescimento demonstra uma alta de 41.000%,  segundo a empresa. A comparação foi feita em como era antes de março, quando foram registrados apenas 2.236 sites suspeitos com os termos ligados à pandemia. 

    Mas além dos sites, há também links que são enviados por meio de aplicativos de mensagens, dentre eles o WhatsApp. Com propostas de dinheiro fácil como grandes promoções, pacotes grátis de algum serviço e até mesmo possibilidade de ter aprovado o auxílio emergencial do governo federal, esses links são utilizados para enganar quem quer que clique neles. 

    Auxílio do governo tem sido usado por criminosos para aplicação de golpes
    Auxílio do governo tem sido usado por criminosos para aplicação de golpes | Foto: Agência Brasil

    O laboratório de segurança digital da empresa Psafe, voltada para desenvolver aplicativos para celular, afirma que pelo menos 4,5 milhões de brasileiros já acessaram páginas falsas sobre o benefício de R$ 600 que está sendo pago a pessoas pobres durante a pandemia.

    Como se proteger?

    Luiz Junior trabalha com tecnologia digital e é especialista em Segurança na Internet. Em entrevista ao EM TEMPO, ele elencou as principais dicas para evitar sofrer golpes na internet, não apenas durante a quarentena. 

    Especialista em tecnologia diz que maior parte dos golpes acontece quando há interação humana na hora da compra
    Especialista em tecnologia diz que maior parte dos golpes acontece quando há interação humana na hora da compra | Foto: Divulgação

    Comece por sites famosos

    Se você não for comprador frequente, a dica do especialista é que opte por lojas consideradas famosas e maiores. Ele mesmo cita algumas do Amazonas, como Bemol e Shop do Pé, para seus respectivos seguimentos. Já para compras em sites nacionais e internacionais, Luiz aponta empresas como Magazine Luíza e Amazon. Para ele, iniciar por esse tipo de loja pode ajudar a aprender o processo de compra on-line.

    Evite contato humano

    Outro 'bizu' do especialista é sempre evitar o contato humano nas compras on-line. Ele explica que esse termo é utilizado para definir quando você fala com outra pessoa durante a aquisição de um produto. E cita os chats, ligações ou pedidos de envio de link, dados do cartão de crédito, CPF e senha. Isso, segundo Luiz, não costuma ser pedido em nenhuma compra on-line. "Todas as vendas seguras pela internet devem ser feitas por plataformas automáticas, não via contato humano". 

    Certificado de segurança

    Todos os sites, segundo Luiz, costumam ter um certificado de segurança que faz o que já diz o nome. Garante se aquele sítio é confiável. O especialista indica sempre ficar atento a esse detalhe. Para saber se a página é confiável, basta olhar para um símbolo de cadeado ou exclamação que fica do lado esquerdo onde aparece o link no navegador. Veja exemplo abaixo:

    Pesquise sobre o estabelecimento

    A última dica é procurar por relatos de pessoas que adquiriram produtos no site que você deseja realizar uma compra. Luiz indica o site Reclame Aqui, famoso na internet por acumular feedbacks - retornos - positivos ou negativos de pessoas que compraram em algum lugar ou contrataram determinado serviço. 

    Veja se o contato é fácil e se o site disponibiliza dados

    A última dica é de Jalil Fraxe, presidente do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-AM). O órgão registrou um aumento de reclamações a respeito de não entregas de produtos de aplicativos de entrega de comida ou de vendas em sites que não possuem Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

    Presidente do Procon-AM sugere ainda desconfiar de sites com muitas reclamações
    Presidente do Procon-AM sugere ainda desconfiar de sites com muitas reclamações | Foto: Divulgação

    Para o presidente do Procon-AM, não ter um espaço de diálogo entre comprador e vendedor é um motivo para desconfiar do site, já que "sem uma área de SAC, o consumidor não consegue ter acesso nem à informação e nem ao exercício dos seus direitos de troca ou devolução do produto". 

    Outro ponto citado pelo diretor do órgão é ficar atendo se o site identifica o próprio CNPJ, se apresenta um endereço físico ou outros dados importantes de identificação. Isso, segundo ele, pode simbolizar uma maior segurança. A dica, porém, deve ser aliada a outras já mencionadas anteriormente.

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