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    Estratégia turística


    Amazonas se prepara para receber turistas após isenção de vistos

    A decisão do presidente Jair Bolsonaro dividiu opiniões por conta dos países beneficiados não contemplarem os brasileiros com a mesma reciprocidade

    O decreto passa a valer a partir do dia 17 de junho
    O decreto passa a valer a partir do dia 17 de junho | Foto: Ione Moreno


    Manaus ­– A decisão do presidente Jair Bolsonaro, que dispensa visto de entrada no Brasil para turistas dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália, já começa a movimentar o setor turístico no Amazonas. A medida entra em vigor a partir do dia 17 de junho, mas, em Manaus representações turísticas já se preparam para uma possível expansão no setor, por meio da divulgação do Estado como roteiro. A decisão divide opiniões.

    De acordo com o texto divulgado, os turistas dos quatro países poderão permanecer no Brasil por um prazo de até 90 dias - período que pode ser prorrogável pelo mesmo período - desde que não ultrapasse 180 dias no mesmo ano de estada no país.

    A medida é unilateral, sem previsão de reciprocidade como é habitual no caso dos países que tiveram vistos liberados, e valerá apenas para a vinda de cidadãos naturais dos EUA, Canadá, Japão e Austrália. Os mesmos países escolhidos pelo governo Bolsonaro já haviam sido isentos da necessidade de visto para a Olimpíada Rio-2016, temporariamente.

    Preparação

    Em São Paulo (SP), a presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), Roselene Medeiros, reuniu-se, na última semana, com o diretor geral da INK, que representa o marketing da companhia aérea American Airlines no Brasil, Stefan Gan, para alinhar ações promocionais visando intensificar o fluxo de turistas para o Amazonas. 

    Na avaliação de Roselene Medeiros, o fim da exigência do visto norte-americano, anunciado pelo Governo Federal, será um facilitador para atrair mais turistas ao Estado. Para ela, o momento é de aproveitar a decisão da Presidência da República.

    Roselene Medeiros, presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas
    Roselene Medeiros, presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas | Foto: Divulgação


    “Sem dúvida, essa decisão vai estimular ainda mais a vinda dos turistas norte-americanos, que são os que mais visitam o Estado do Amazonas. Em 2017, cerca de 70 mil visitantes estadunidenses passaram por terras amazonenses. Temos um voo direto Manaus-Miami da American Airlines e a companhia aérea também quer estimular ainda mais visitantes no nosso Estado”, comentou a presidente. 

    A presidente da Amazonastur ressaltou que o turista estadunidense é encantado pelas belezas naturais do Amazonas, o que corrobora para a estratégia de transformar o turismo como nova matriz econômica amazonense.

    “O turista norte-americano gosta de natureza, de pesca esportiva e nós precisamos divulgar e promover esses atrativos, com ações planejadas, que coloquem o Amazonas como um dos principais destinos dos turistas daquele país. O governador Wilson Lima já declarou que o turismo no Estado pode se tornar uma das principais alternativas econômicas e nós estamos trabalhando nesse sentido”, finalizou Roselene.

    Reciprocidade

    A decisão dividiu opiniões por conta de o decreto não contemplar os brasileiros com a mesma reciprocidade. Ou seja, os brasileiros continuam tendo que enfrentar um rigoroso sistema de seleção para garantir o visto que garante a entrada deles nesses mesmos países.

    Para o cientista político, Helso Ribeiro, de 56 anos, a falta de reciprocidade na extinção da necessidade do visto é uma posição adotada, inclusive, pelo próprio Brasil com outros países. Ele ressalta que a “troca de favores” nem sempre é uma regra geral e que a matemática desses acordos sempre depende dos interesses políticos envolvidos.

    Apesar da isenção dos vistos, os turistas tem apenas 90 dias para permanecerem no Brasil. Após o prazo é necessário revalidar a permissão turística
    Apesar da isenção dos vistos, os turistas tem apenas 90 dias para permanecerem no Brasil. Após o prazo é necessário revalidar a permissão turística | Foto: Ione Moreno


    “Para entrar no Brasil existem pelo menos sete tipos de vistos diferenciados, e um deles é o de turista. Há uma política que prepondera o princípio da reciprocidade, ou seja, geralmente uma medida benéfica tomada por um país é retribuída pelo outro, mas isso não é uma regra rígida a ser seguida. Existem países que fazem favores, mas não recebem moedas de troca, como por exemplo, no México, Marrocos e Costa Rica que liberam a entrada de brasileiros, mas continuam precisando de visto para entrar no nosso país”, ressalta o Helso, que é presidente da Comissão de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

    Estratégias

    O decreto foi preparado para coincidir com a visita oficial de Bolsonaro aos Estados Unidos. A decisão também recebeu a assinatura dos ministros Sérgio Moro, Ernesto Araújo e Marcelo Álvaro, responsáveis respectivamente pelas pastas de Justiça, Relações Exteriores e Turismo. 

    De acordo com Jair Bolsonaro, a ideia é que a isenção do visto para os novos quatro países fortaleçam laços econômicos por meio do fomento ao turismo, como já acontece com países da Europa, tais quais a França, Alemanha, Holanda e Itália.

    “De acordo com o discurso do presidente, fica entendido que a proposta de isentar esses vistos é uma estratégia que visa a expansão do turismo no país. Não é uma garantia de que isso vá acontecer, então o mais sensato nesse momento é aguardar o posicionamento dos presidentes de cada país onde o visto foi liberado. De antemão, a gente já sabe que o Donald Trump não deve retribuir a ação”, destaca o cientista Helso.

    Na última quinta (21), Bolsonaro afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou a possibilidade de facilitar a entrada de brasileiros no país norte-americano, como gesto de contrapartida à decisão do governo brasileiro de isentar cidadãos de quatro países, mas essa reciprocidade ainda não foi oficializada.

    Hotelaria

    De acordo com dados divulgados pelo Sindicato das Empresas Hoteleiras em Manaus, até o ano de 2018, a capital do Amazonas concentrava cerca de 6 mil vagas disponíveis para hospedagem em hotéis. O número é excessivamente pequeno quando comparado a grandes pontos turísticos, como por exemplo, a cidade de Las Vegas onde 6 mil vagas compõem muitas vezes apenas 1 hotel.

    Ainda de acordo com o cientista político, Helso Ribeiro, é preciso otimizar a infraestrutura do Amazonas para que o Estado seja percebido internacionalmente como uma possibilidade de economia turística. Ele ressalta que, no momento, o setor permanece estagnado pela ociosidade dos representantes públicos.

    “Nossa estrutura turística é totalmente precária. Os turistas internacionais chegam em maior parte pelo porto da cidade, por meio de cruzeiros, e imediatamente encontra um Centro Histórico desorganizado e sujo. Mas nada impede que essa medida incentive os empresários a fomentar a construção de novos hotéis, mas para isso é preciso que haja demanda”, explica o Presidente da Comissão Internacional da OAB.

    Editora responsável: Bruna Souza

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