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    Caso Marielle Franco


    Bolsonaro ataca a Globo e a compara a canal de esgoto

    Bolsonaro chamou a Globo de “canalha” e ainda a comparou com um canal de esgoto

    A simples citação ao nome do presidente pode levar o caso a ser investigado pelo STF | Foto: Divulgação

    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL) indignou-se contra a Rede Globo em transmissão ao vivo em rede social na noite de ontem (30), após reportagem exibida no Jornal Nacional, sobre menção do nome do presidente em investigação como suspeito de envolvimento no caso da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL).

    Bolsonaro chamou a emissora de “canalha” e ainda a comparou com um canal de esgoto.

    O presidente postou uma foto montagem, que mostra a logomarca da Globo como se fosse um canal de esgoto, e escreveu na legenda: “Canalhas”.

    De acordo com o telejornal, a simples citação ao nome do presidente pode levar o caso a ser investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), devido ao foro por prerrogativa de função.

    Em transmissão, direto da Arábia Saudita, onde está em visita oficial, o presidente apareceu bastante irritado e ofendeu a Globo. Ele disse que não perseguiria a emissora, mas que só aprovaria a renovação de sua concessão se o processo estivesse “enxuto”.

    Bolsonaro criticou ainda divulgação de detalhes do processo que corre em segredo de justiça.

    Trechos da fala do presidente Bolsonaro:

    “Isso é uma patifaria, TV Globo! TV Globo, isso é uma patifaria!“, começou ele. “É uma canalhice o que vocês fazem. uma ca-na-lhi-ce, TV Globo. Uma canalhice fazer uma matéria dessas em um horário nobre, colocando sob suspeição que eu poderia ter participado da execução da Marielle Franco, do PSOL. Temos uma conversa em 2022. Eu tenho que estar morto até lá. Porque o processo de renovação da concessão não vai ser perseguição, nem pra vocês nem para TV ou rádio nenhuma, mas o processo tem que estar enxuto, tem que estar legal. Não vai ter jeitinho pra vocês nem pra ninguém”, completou Bolsonaro.

    Entenda o caso:

    A Polícia Civil do Rio de Janeiro teve acesso ao caderno de visitas do condomínio Vivendas da Barra, na Zona Oeste do Rio, onde têm casa o presidente Jair Bolsonaro e o ex-policial militar Ronnie Lessa, acusado da morte da vereadora Marielle Franco. 

    No dia 14 março de 2018, horas antes do crime, o ex-PM Élcio Queiroz, outro suspeito do crime, anunciou na portaria do condomínio que iria visitar Jair Bolsonaro e acabou indo até a casa de Lessa, segundo informações divulgadas pelo Jornal Nacional nesta terça-feira.

    O caderno de registros do condomínio informa que, às 17h10 do dia do crime, uma pessoa de nome Élcio a bordo de um Logan prata anunciou que iria até a casa número 58, que pertence ao presidente Jair Bolsonaro. No condomínio, também mora o filho Carlos Bolsonaro na casa 36.

    À polícia, o porteiro afirmou que ligou para a casa 58. E que uma pessoa que ele identificou como sendo o “seu Jair” liberou a entrada de Élcio Queiroz. O suspeito, no entanto, foi até a casa 66, onde mora Ronnie Lessa. 

    O porteiro, então, telefonou novamente, e o mesmo “seu Jair” teria dito que sabia para onde ele estava indo. Conforme a reportagem, no dia da visita, no entanto, Bolsonaro estava em Brasília e não em sua casa no Rio de Janeiro. O então deputado federal registrou a presença em duas votações na Câmara.

    Lessa é acusado pela polícia de ser o autor dos disparos que mataram Marielle o seu motorista, Anderson Gomes; e Queiroz é suspeito de ser o motorista do carro que levava o matador. Os dois foram presos no dia 12 de março deste ano.

    Segundo o Jornal Nacional, a citação a Bolsonaro pode levar a investigação da morte de Marielle ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo fato de o presidente ter foro privilegiado. 

    Representantes do Ministério Público do Rio que investigam o caso foram até Brasília no último dia 17 de outubro para consultar o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, sobre se poderiam continuar com a investigação. Eles, no entanto, ainda não obtiveram resposta

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