Fonte: OpenWeather

    Crianças sem defesa


    O que Isabela Nardoni e Luís Henrique têm em comum?

    As crianças foram mortas pelos pais e madrastas. Isabela Nardoni foi jogada do sexto andar de um prédio e Luís Henrique foi agredido até a morte e enterrado no quintal de casa

    Os casos chocam diante da crueldade na morte das crianças
    Os casos chocam diante da crueldade na morte das crianças | Foto: Reprodução

    Manaus -  É impossível ficar indiferente aos casos de morte de crianças com requintes de crueldade. O assassinato do menino Luís Henrique dos Santos, de 3 anos, na última sexta-feira (17), agredido até a morte e enterrado no quintal de casa pelo próprio pai e pela madrasta, em Nova Olinda do Norte (a 134 km de Manaus), não é diferente da menina Isabela Nardoni, jogada do prédio onde o pai morava. Os crimes geram revolta e comoção.

     Especialistas avaliam os casos de infanticídio e filídio e alertam para o cuidado das crianças indefesas. 

    A morte da pequena Isabela Nardoni, de apenas 5 anos, em 2008, dá uma outra visão da violência que nem sempre está na rua, mas dentro de casa. A proteção que deveria vir da família se desdobrou em uma história cruel de pai e madrasta que arquitetaram e consumaram a morte da criança.

    Os dois casos sensibilizam, abalam e relatam a violência contra crianças. Em comum estão os autores dos crimes, pais que se unem para matar. Noutra, está a forma com que as vítimas foram mortas, sem defesa e revelando a frieza dos assassinos.

    Caso Nardoni

    A menina de cabelos lisos, franja e sorriso largo foi jogada do sexto andar do Edifício London, na noite de 29 de março de 2008. O que aparentava ser um acidente fatal, se desdobra na pior das hipóteses: o homicídio. O pai e a madrasta, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, eram os principais suspeitos da morte de Isabela.

    A princípio, o pai da criança havia informado que o apartamento foi invadido por assaltantes e que Isabela teria sido jogada pelos bandidos. As investigações mostraram que Isabela foi agredida dentro do quarto e a tela foi cortada para que ela fosse lançada. Os vizinhos afirmaram à polícia que Alexandre e Anna brigavam constantemente e que no dia do ocorrido, ouviram os gritos intensos da pequena pedindo socorro. 

    Segundo a perícia, Isabela foi jogada pelos pulsos, num ato de “delicadamente” ter as mãos soltas. A menina foi encontrada pelo porteiro do prédio, pois ouviu o estrondo da queda. Os dois foram condenados por homicídio doloso qualificado, com agravante de parentesco com a vítima. A pena para Alexandre foi de 31 anos, um mês e 10 dias. Anna Jatobá cumprirá 26 anos e oitos meses de reclusão, pelo crime hediondo.

    Morto e enterrado

    Luís Henrique foi morto e encontrado em avançado estado de decomposição no quilômetro 11 da estrada do Curupira, em Nova Olinda do Norte. O pai e a madrasta são os principais suspeitos da morte. A criança estava na casa do pai, Robert Nascimento, que tinha a guarda compartilhada.

    Após as denúncias do desparecimento da criança, policiais foram à casa dos dois e acharam estranha a atitude deles, que contaram diversas versões sobre o paradeiro do menino. Depois da prisão, em depoimento, a dupla admitiu que, após agredir fisicamente a criança, a enterrou no quintal.

    A mãe da criança, Aliny da Silva Fragata, afirmou que o menino foi levado sem autorização pela avó paterna. “Ele não estava autorizado ficar na casa do pai. Maria já tinha ameaçado matar eu e meu filho caso eu tentasse reaproximação”, disse. Após os procedimentos na delegacia, Robert e Maria José foram transferidos para unidade prisional em outra cidade. 

    Comoção

    Diante das notícias, muitos pais se pronunciam a respeito de crimes como esses. Nas redes sociais demonstram indignação e pedem a prisão imediata de autores de crime dessa natureza Bruna Lima, mãe de três filhos, afirmou que ficou chocada ao saber da morte do menino Luís. "É assustador. Não acompanhei muito, mas só de pensar que um pai teve coragem de fazer isso é de ficar chocada mesmo", disse consternada. 

    A administradora Ivana Buzaglo disse que a situação é triste e acredita que a justiça será feita pela morte dessas crianças. "É muito triste, meu filho Isaac é minha vida. Não consigo imaginar a coragem de fazer isso com uma criança", contou. 

    Fala da especialista 

    Portal EM TEMPO ouviu a especialista e psiquiatra Loren Cavalcante, para explicar à luz da psiquiatria, sobre o que levam os pais a matarem os próprios filhos.

     “Para a psiquiatria há várias causas para uma pessoa chegar a cometer o infanticídio. Pode ser devido a uma psicose, tendo alucinações, ouvindo vozes e delírios de comando. Quando a pessoa está fora de si, fora do juízo crítico, tem um surto psicótico, pode sim cometer um assassinato", explica Loren.

    A especialista afirma também que o uso de drogas e entorpecentes influenciam no comportamento desses usuários. Outra evidência é a questão cultural, como explica: "Pode ser o uso de drogas, dependendo de qual droga, o usuário pode ter um surto psicótico. Pode ser por questões culturais, como os índios, que ao perceberem que a criança nasce com alguma deficiência, cometem o infanticídio", relembrou.

    Sobre os acusados da morte do pequeno Luís Henrique, a psiquiatra avalia um problema de psicopatia. "O caso do menino aparenta ser um caso de psicopatia mesmo, de personalidade antissocial, de pessoas que não tem empatia pelo próximo, nenhum afeto e eliminam todos que atrapalham o caminho", afirmou.

    Em depoimento, a mãe de Luís afirmou que a madrasta, Maria José de Bezerra Campos, tinha ciúmes da criança com o esposo e chegou a ameaçá-la enviando mensagens pelas redes sociais. O assassinato seria uma tentativa eliminar o vínculo afetivo que os dois tinham.

    Comentários