Fonte: OpenWeather

    Covid-19


    Brasil pede à Índia garantia e previsão de entrega de vacinas

    Expectativa do governo é de que envio ocorra na próxima semana

    Ernesto Araújo diz que não há prazo para receber vacina da Índia nem insumo da China | Foto: Reprodução

    Para tentar amenizar o atraso na entrega de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, o governo brasileiro tem discutido com autoridades indianas a divulgação de um comunicado público no qual o país asiático garanta que elas serão enviadas ao Brasil no curto prazo.

    Segundo relatos feitos à reportagem, nos últimos dias negociadores do governo entraram em contato com diplomatas indianos para solicitar uma posição que arrefeça o mal-estar criado com a demora no envio de imunizantes contra o coronavírus.

    A avaliação entre auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é que os sucessivos adiamentos na liberação da carga têm gerado desgaste para o Palácio do Planalto, que apostava na importação para o dar o pontapé na campanha de imunização no Brasil.

    Uma cerimônia estava sendo preparada para o ato, mas acabou desmobilizada diante do fracasso da operação. Algum tipo de compromisso público da Índia é visto por aliados de Bolsonaro como uma forma de ao menos reduzir os danos políticos que o atraso tem causado. Interlocutores no Planalto têm a expectativa de que o envio dos 2 milhões de doses ocorra na próxima semana, mas outros envolvidos nas negociações têm previsões menos otimistas. Eles apontam que as autoridades indianas ainda não deram sinalização de que a entrega possa ocorrer ainda neste mês.

    Quem acompanha as conversas ressalta que a Índia tem demonstrado irritação com a insistência do governo Bolsonaro e, principalmente, com a publicidade dada aos planos de buscar os imunizantes no país asiático. Com o avião adesivado no Recife (PE) e o Planalto dizendo que ele decolaria na sexta-feira (15), o governo indiano se viu obrigado a avisar Brasília que a conclusão da operação não seria possível naquele momento. A emissão de uma autorização de venda para o exterior antes mesmo que a Índia iniciasse seu plano de vacinação seria entendida como um descompromisso com a própria população.

    Interlocutores menos otimistas alertam ainda que não veem razões para a Índia priorizar o Brasil antes de atender objetivos geopolíticos mais imediatos, como os países vizinhos e mesmo nações com quem têm relações mais profundas, como Arábia Saudita e África do Sul.

    O governo tem enviado sinalizações à Índia para facilitar a publicação da autorização. Além de tentar dar menos publicidade às conversas, a delegação brasileira junto à OMC (Organização Mundial do Comércio) não manifestou oposição quando os indianos defenderam recentemente sua ideia de relaxar obrigações sobre patentes de medicamentos durante a pandemia.

    No início de janeiro, Bolsonaro enviou uma carta para o premiê Narendra Modi pedindo urgência para o tema e o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) apelou para seu contraparte indiano, Subrahmanyam Jaishankar. Na terça-feira (19), a Índia anunciou que começaria a exportar vacinas nesta quarta-feira (20) para seis países. Os destinos são Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Mianmar e Seychelles.

    Conforme o jornal Folha de S.Paulo publicou, Araújo está sob forte pressão de auxiliares de Bolsonaro após o atraso na operação montada para buscar os imunizantes na Índia.

    *Com informações da FOLHA DE SP

    Comentários