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    Amazônia


    Lideranças indígenas do Amazonas escrevem carta a Bolsonaro

    Em reação às mudanças anunciadas pelo novo presidente, indígenas se manifestam e dizem que estão prontos para o diálogo, mas também preparados para se defender

    | Foto: Agência Brasil

    Manaus - Após tomar posse como presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL) assinou uma Medida Provisória (MP) tirando da Fundação Nacional do Índio (Funai) a competência do processo de demarcação das terras indígenas e transferindo para o Ministério da Agricultura, comandada pela ruralista Tereza Cristina. 

    Na quarta-feira (2), ele assinou outra MP, desta vez retirando da Funai a atribuição do licenciamento ambiental de obras que afetam as terras indígenas. A decisão agora cabe à Secretaria de Assuntos Fundiários, comandado por Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (URD).

    Por isso as lideranças indígenas, nesta quinta-feira (3), divulgaram uma carta aberta ao presidente Bolsonaro na qual reagem à MP. Em trecho do documento, eles ressaltam que as mudanças feitas na restruturação e na reorganização administrativa do governo federal através de MP n° 870 do dia 1 de janeiro de 2019 são uma completa desordem e um ataque contra a política indigenista Brasileiro.

    "Além de prejudicial, pretende inviabilizar os direitos indígenas que são constitucionais. O mesmo sobre novo decreto, que tira a competência da Funai de licenciamento que impactam nossos territórios. Essa prática já aconteceu no passado na história Brasileira como uma tentativa agressiva de nos dizimar. Foi um período muito difícil e ineficiente do Estado. Não aceitamos e não concordamos com suas medidas de reforma administrativa para gestão da política indigenista.", diz a carta.

    As lideranças que são representadas nesta carta por Marcos Apurinã – Povo Apurinã, Bonifácio José- Povo Baniwa e André Baniwa – Povo Baniwa esclarecem ao presidente no documento, que estão nas terras que pertencem ao povo indígena. 

    "Não estamos nos zoológicos, senhor Presidente, estamos nas nossas terras, nossas casas, como senhor e como quaisquer sociedades humanas que estão nas suas casas, cidades, bairros. Somos pessoas, seres humanos, temos sangue como você, nascemos, crescemos, procriamos e depois morremos na nossa terra sagrada, como qualquer ser humano vivente sobre esta terra.". 

    E continuam: "Nossas terras, já comprovado técnica e cientificamente, são garantias de proteção ambiental, sendo preservadas e manejadas pelos povos indígenas, promovendo constantes chuva com qual as plantações e agronegócios da região do sul e sudeste são beneficiadas e sabemos disso.". 

    Eles encerram a carta falando que estão prontos para o diálogo, mas também preparados para se defender.

    Leia na íntegra a carta:

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