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    AMIGOS


    Amizades que o Facebook mantêm (ou não): a web pode mudar as relações?

    O Portal Em Tempo faz um reflexão sobre as amizades que estão coexistindo no mundo virtual

    O Facebook se tornou uma arma para manter contato com amigos, mas também de arrumar "tretas" com eles
    O Facebook se tornou uma arma para manter contato com amigos, mas também de arrumar "tretas" com eles | Foto: Marcio Melo


    Manaus - Em tempos modernos, as relações de amizade ganharam outros espaços nas vidas das pessoas. Nunca foi tão fácil manter contato com os "conhecidos", isso porque as redes sociais, em especial o Facebook, promovem o contato com centenas e até milhares de amigos. O Facebook, hoje, possui 2,32 bilhões de usuários e transformou, no decorrer da última década, a própria definição de amizade.

    Nesta segunda-feira, dia 4, é o Dia do Amigo do Facebook e o Em Tempo buscou histórias de amizades que se formaram ou que se desfizeram nesta rede social. Além disso, foi necessário verificar qual o impacto dessas relações virtuais na vida das pessoas.

    Exemplo disso, é a jornalista Geizyara Brandão que tem seis amigas virtuais morando em Estados diferentes: Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Ela conheceu as jovens por meio do Facebook quando resolveu mudar a cor do cabelo. Ela contou ao Em Tempo que a amizade surgiu a partir de uma curiosidade dela em como manter os cabelos com o ruivo perfeito.

    "Ao decidir mudar a cor do cabelo, eu fiquei com dúvidas de como manter a cor bonita por mais tempo. Entrei em um grupo do Facebook para aprender mais sobre tintura e depois entrei em outro de grupo chamado 'zoeira ruiva'. A partir de conversas nesse meio, decidimos fortalecer a amizade e passamos a nos comunicar pelo Whatsapp, isso em 2015. Restou o contato mais próximo com apenas seis meninas. Fomos nos aproximando cada vez mais e vendo que passávamos por coisas semelhantes em relação à família e outros assuntos”, diz.

    Geizyara Brandão tem seis amigas próximas em Estados diferentes que conheceu através do Facebook
    Geizyara Brandão tem seis amigas próximas em Estados diferentes que conheceu através do Facebook | Foto: Arquivo Pessoal


    Geizyara conta que tem 2,5 mil amigos no Facebook e que sua participação no concurso de Miss Plus Size fez com que várias pessoas, que admiram o segmento, começassem a mandar solicitação.

    “Cheguei a ter bem mais amigos no meu Facebook, mas fiz a 'famosa limpeza'. A maioria dos amigos que tenho hoje conheci em algum tempo da minha vida, mas poucos são os que realmente fazem parte do meu ciclo real”, conta.

    Das seis amigas que conheceu pelo Facebook, Geizyara só conseguiu conhecer pessoalmente uma delas, a Sheila Fávero, de São Paulo. De acordo com a jornalista, as amigas já têm planos de promoverem um "encontrão" com a participação de todas. 

    “Falamos sobre tudo, vida, família, memes, inclusive cabelo. Elas fazem parte da minha vida e, apesar da distância geográfica, são realmente minhas parceiras da vida”.

    O cientista da computação Augusto Vieira conheceu o Henrique Souza no Facebook e hoje o considera como um irmão
    O cientista da computação Augusto Vieira conheceu o Henrique Souza no Facebook e hoje o considera como um irmão | Foto: Arquivo Pessoal/ Augusto


    cientista da computação Augusto Vieira conta que tem 3,6 mil amigos no Facebook, 300 estão na sua rotina e apenas 15 são amigos próximos. Destes amigos, ele conheceu o Henrique Souza. A amizade e o carinho ao ponto dele considerar o amigo como integrante da família.

    “O Henrique pediu uma ajuda minha para divulgar a prima dele no Facebook, já que estava concorrendo como rainha do Peladão. A partir daí, a amizade permaneceu, continuamos a conversar. Ele me convidou para passar o Natal, em 2017, com a família dele. Em seguida, me chamou para conhecer a igreja dele. Ficamos mais próximos, eu o ensinei a tocar teclado. Passei umas etapas difíceis no trabalho e ele me convidou para passar um tempo na casa dele. A admiração só cresceu e até hoje é um irmão para mim”, diz.

     Polêmicas no Facebook

    “Política e religião não se discutem”, essa é uma regrinha utilizada para manter a paz no Facebook e na vida. Quando o assunto envolve um desses dois temas, comentários, muitas vezes pejorativos, não faltam. As pessoas aproveitam a liberdade que a rede social dá e expressam suas opiniões, entretanto, nem sempre os posicionamentos são respeitados e algumas amizades não resistem às adversidades. 

    A promotora de eventos Alessandra Prates conta que perdeu, durante o período que antecedeu a eleição, pelo menos, 20 amigos. Ela conta que também desfez amizades com pessoas que tinham publicações ofensivas.

    “Geralmente eu sou muito sarcástica, então sempre o outro lado que se altera. Recentemente, um amigo me bloqueou por causa de uma publicação que falava de uma jovem que faleceu após ser agredida pelo companheiro dentro da prisão. Esse amigo postou a mesma publicação, em forma de indireta, dizendo que eu era hipócrita, pois era mulher de ex-detento. Comentei na publicação que a hipocrisia começava quando ele chamava o ex-detento de amigo e nunca se importou em saber como ele estava”, diz.

    Ela conta que publicações do presidente Bolsonaro geram sempre muitos comentários. E que pessoas ofensivas ou que não têm base para um debate saudável, ela ignora e até desfaz a amizade.

    “Acho importantes esses tipos de debates e pretendo permanecer. Eu aprendo muito e que minha opinião contribui para alguma coisa”.

    Tretas

    A mercadóloga Keise Sampaio conta que as maiores tretas envolvem política. Ela diz que sempre compartilha memes ou publica diretamente alguma decisão do presidente Jair Bolsonaro e é certo que, em seguida, as pessoas comentam e até mandam ofensas na rede.

    “Também tem treta sobre religião, geralmente com os evangélicos. Nunca se faz críticas aos católicos, espíritas ou budistas. Já com os evangélicos as coisas são diferentes. Quer dizer que nós não podemos votar no Bolsonaro ou não podemos opinar sobre política? No meu Facebook, eu já sei quem vai comentar justamente para levantar uma polêmica. A maioria das pessoas consegue comentar sem levar para o lado da ofensa. Eu já fico de olho para evitar o lado negativo, daí eu encerro a conversa. Geralmente, levo para o lado do humor e trato bem porque eu sei que os prints existem. Temos que ter muito cuidado para que uma pequena discussão não vire uma prova contra nós”, diz.

    Para ela, a discussão de ideias sempre será válida, desde que tenha respeito de ambos os lados. “Mesmo eu sabendo que a pessoa vai comentar algo contrário ao que eu penso, eu leio. Você passa a ter um conhecimento que não tinha antes, desde que seja feito com respeito. Na Constituição nós temos liberdade para nos expressar”, declara.

     Cuidados ao aceitar as solicitações de amizades

    As pessoas devem ter cuidado com os pedidos amizades no Facebok, pois a maioria deses pedidos é uma farsa, de acordo com o cientista de dados Gilberto Santos.

    “Muito cuidado com o que você publica. Não coloque ‘estou viajando agora ou estou em tal evento’ neste momento, pois as pessoas vão saber que você não está em casa. Saiba quem realmente você está aceitando no Facebook. Só confirme a amizade se tiver pelo menos três amigos em comum”, orienta Santos.

    Ele destaca ainda a não abrir seu Facebook em computador ou outro dispositivo de terceiros. O alerta também é válido para quem coloca senhas fáceis nos aplicativos. A pessoa deve criar senhas difíceis e ativar a autenticação de fatores.

    Felicidade que engana

    A humanidade busca constantemente a felicidade. Conquistar coisas que nos fazem felizes, como ter dinheiro, sucesso, amigos e uma relação amorosa estável. A tecnologia e os bombardeios de imagens de pessoas, que passam aos seguidores uma falsa felicidade contínua, podem ser prejudiciais. O alerta é do psicólogo Jonatas Costa, que orienta sobre os malefícios das redes sociais para o ser humano.

    “Nas redes sociais podemos observar a superficialidade das relações. Um alcance imenso, mas tudo aquilo que é muito grande acaba perdendo em profundidade e em relacionamento. Quantos desses três mil amigos eu posso contar? Quantos deles podem contar comigo?”, questiona o profissional.

    Para o especialista, muitas pessoas acham suficiente estar na frente de um computador com muitos “amigos” nas redes sociais. A maioria acha que não precisa sair da sua zona de conforto e se relacionar com o mundo. Essa postura contribui para o isolamento e a timidez exagerada.

    “Os aspectos de desenvolvimento de habilidades sociais, como a tolerância, a paciência e a evitação do preconceito são aspectos que só desenvolvemos se relacionando”.

    Pauta e edição: Bruna Souza

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