Fonte: OpenWeather

    Cinema


    'A Maldição da Chorona' e o universo 'Invocação do Mal'

    Dirigido por James Wan, o filme traz a repetida fórmula de sempre remeter às áreas mais sombrias da mente humana

    Apesar dos números positivos da estreia da Chorona, a venda de ingressos na Páscoa norte-americana contabilizou ‘apenas’ US$ 112 milhões | Foto: Reprodução / Internet

    São Paulo (SP) - Foi a pior Páscoa dos últimos anos nos cinemas dos EUA. A indústria mal pode esperar que cheguem os Vingadores para elevar os números. O desastre só não foi completo porque houve A Maldição da Chorona. Antes de mais nada, o spoiler.

    Depois que tudo foi resolvido - veja para saber como - o que é aquela pocinha d’água ali no chão? Lágrimas? Socorro! Vai ter 2. Essas séries todas se inter-relacionam de tal forma que é difícil não estabelecer conexões com A Invocação do Mal, A Freira, A Maldição da Chorona. A essa altura, quem ama filmes de terror, já sabe que, embora tenha tido o melhor desempenho nas bilheterias norte-americanas no fim de semana - US$ 26 milhões -, A Chorona registrou a pior abertura da série Invocação do Mal. 

    Embora não seja mais um caso dos Warren, o vínculo ficou menos tênue quando se descobriu que Tony Amendola estaria reprisando o papel do Padre Perez, que aparece em Annabelle. A própria boneca aparece rapidamente. E, sobre tudo, e todos, está o nome do Midas do terror, James Wan.

    Há algo de sinistro nos filmes de terror de Wan, porque eles remetem sempre às áreas mais sombrias da mente humana. O mal não se deve a nenhuma maldição ancestral, mas a uma deturpação do humano. De cara, somos projetados num universo paradisíaco. Um marido presenteia a mulher com um colar, numa bucólica cena desenrolada no México, séculos atrás. Brincam com os filhos, mas de repente o caçula está sozinho. Com medo, ele se põe a chamar - "Mamá! Mamá!" Encontra, imagem muito breve, a mãe com o rosto transtornado, e afogando o irmão. Ela corre atrás dele - para matar. Você já ouviu falar de Medeia, que matou os próprios filhos para se vingar do marido. Aos poucos, a história da Chorona vai sendo desenrolada.

    | Foto: Reprodução / Internet

    Corte para a atualidade

    Uma assistente social investiga porque duas crianças sob sua supervisão deixaram de ir à escola. Encontra a mãe enlouquecida, as crianças em cativeiro. Ela as liberta, com a ajuda de um policial. As crianças são levadas para uma instituição, sob protestos da mãe, que adverte - "A Chorona virá buscá-las!" Não ocorre outra coisa e, de repente, é a própria assistente que está enfrentando a desconfiança de todos. Viúva de um policial, seus filhos exibem marcas de violência, como se ela estivesse abusando deles. O padre é o único que lhe dá atenção. Conta a história da Chorona, sobre como essa mulher matou os filhos para se vingar do marido adúltero, afogando as crianças. Depois, consumida pelo remorso, ela busca se apropriar de outras crianças, para substituir as dela. Só que a essa altura a Chorona já foi dominada pelo seu lado mais sombrio e mata todas as crianças. Vai tentar matar o casal de filhos de Anna/Linda Cardellini, que a essa altura já se colocou sob a proteção de Rafael/Raymond Cruz, outro padre que renegou a Igreja, mas não Deus.

    A maquiagem que transforma Marisol Ramirez na Chorona não é só bem-feita, como também é assustadora. A bela mulher vira um monstro. Surge do nada. Tenta afogar a menina na banheira de casa, tem aquelas unhas enormes de bruxa. Mas na verdade não é a maquiagem que assusta em A Maldição da Chorona. É essa ideia de que todo mal vem do humano. A Chorona soluça, verte suas lágrimas, mas isso não a impede de ser quem é. Cuidado com as crianças, porque é da natureza dela, da natureza do mal, provocar destruição. Linda Cardellini, que faz a antagonista, diz que é possível se identificar com seu sofrimento. O colar que ela recebeu do marido terá importância no desfecho, mas a questão é - terá a Chorona força na bilheteria para iniciar outra série? Uma cena cortada, mas que estará nos extras do DVD pode ajudar a resolver a questão, e também integrar a Chorona à vertente de Invocação do Mal. Anna pergunta a Rafael o que fazer com o colar e ele responde que o melhor, como garantia, talvez seja entregá-lo a esse casal da Califórnia que sabe como lidar com o sobrenatural. Os Warren, Ed e Lorraine. Sim, Patrick Wilson e Vera Farmiga, de Invocação do Mal.

    Apesar dos números positivos da estreia da Chorona, a venda de ingressos na Páscoa norte-americana contabilizou ‘apenas’ US$ 112 milhões, no que foi considerada a menor arrecadação desde 2005, ou seja, há 14 anos. O motivo mais óbvio para o declínio está ligado à prudência da própria indústria. Hollywood segurou seus novos lançamentos para evitar a concorrência com Vingadores - Ultimato, que estreia no dia 26 nos EUA. No Brasil, a estreia será na quinta, 25. A expectativa é que a nova aventura dos super-heróis da Marvel passe como um rolo compressor sobre as bilheterias de todo o mundo. Somente no Brasil, mais 900 sessões - quase mil - já foram lotadas com a venda antecipada de ingressos. Tudo isso tem mais a ver com mercado do que com 'arte', mas convém não subestimar o aporte do produtor Wan e do diretor Michael Chaves. 

    Desde Jogos Mortais e através de Invocação do Mal 1 e 2, Velozes & Furiosos 7 e Aquaman, Wan foi dando conta de um talento eclético - e singular -, à vontade tanto no maravilhoso quanto no terror. Chaves exercitou-se no universo Conjuring/Invocação do Mal, primeiro como artista visual, responsável por efeitos, e só depois galgando postos. Produtor executivo, diretor. A marca de ambos é a eficiência, e transparece na Chorona.

    Leia Mais 

    Teatro Amazonas entre as casa de ópera mais bonitas do mundo

    Alunos de Música da UEA participam de oficinas de Regência de Ópera

    UEA promove palestra de Marketing Digital para comunidade acadêmica

    Comentários