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    Plantas comestíveis


    Conhece as Pancs? No AM têm e podem virar seu prato principal

    No Amazonas, existem diversas espécies de plantas alimentícias não convencionais que podem ser aderidas à alimentação diária

    As plantas não convencionais podem ser confundidas com pragas que nascem sem o cultivo
    As plantas não convencionais podem ser confundidas com pragas que nascem sem o cultivo | Foto: Lucas Silva

    Manaus – A flora Amazônica é uma das mais ricas do mundo, inclusive, é possível se alimentar de muitas espécies e não só em forma de sucos, chás e temperos mas como prato principal mesmo. Algumas delas fazem parte da categoria de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) e podem nascer com ou sem cultivo, trazendo benefícios à saúde, além de matar a fome.

    A questão é que as Pancs não são tão conhecidas como as frutas, verduras e legumes que vemos nas prateleiras de supermercados e feiras. Essas plantas não convencionais podem ser confundidas com pragas que nascem sem o cultivo. Porém, existem muitos nutrientes e a forma de preparação pode ser bem atrativa aos olhos e ao paladar.

    Conheça algumas espécies 

    | Foto: Lucas Silva

    Em Manaus, algumas Pancs, podem ser encontradas na natureza como a vitória régia ou na calçada como a pata-de-vaca e no Mercado Municipal Adolpho Lisboa, como a corama, a erva-jabuti, a capeba, o jambu, a vinagreira, alfavaca, cumaru, utiga, taioba, a folha da fortuna, entre outras. Apesar da variedade, os consumidores vão em busca dessas ervas para o uso medicinal em enfusão e banhos. Como é o caso do aposentado, Manoel Barbosa, que veio do Pará para fazer tratamento por conta de um derrame pleural.

    Seu Manoel Barbosa, usa as pancs para ajudar no tratamento de saúde
    Seu Manoel Barbosa, usa as pancs para ajudar no tratamento de saúde | Foto: Lucas Silva

    “Eu uso muitas plantas medicinais para cuidar da minha saúde e ajudar no tratamento. Durante 4 meses, perdi 15 quilos e me sinto melhor. Uso o mastruz com leite e outras ervas. Eu comi vinagreira uma vez com peixe, mas não tenho o hábito de usar”, conta.

    A feirante Ângela Takeda é conhecida por ter uma banca com ervas e plantas. Ela não conhecia o termo Pancs, mas já havia usado algumas plantas como pratos do dia a dia. “Minha família é oriental, japonesa e a gente tem o hábito de comer, mas para as pessoas que procuram meu quiosque, achariam estranho saber que as ervas medicinais, também, servem como alimento. Lá em casa, minha mãe fazia salada usando a vinagreira com shoyo e até refogada. A corama a gente usa para salada e serve como colírio”, pontua.

    No mercado Adolpho Lisboa, no Centro de Manaus, é possível encontrar as Pancs como plantas medicinais
    No mercado Adolpho Lisboa, no Centro de Manaus, é possível encontrar as Pancs como plantas medicinais | Foto: Lucas Silva

    Benefícios

    A nutricionista, Ana Rita Gaia, explica os benefícios das PANCs. “São não convencionais porque a gente não tem o hábito de consumir, mas são comestíveis. Eu já comi flor, o caule e a pipoca da vitória-régia.  Nas folhosas verde escuras, como ora-pro-nóbis, bertalha, encontramos fontes de magnésio e vitamina K. Essa vitamina é importante para a saúde intestinal e é um anticoagulante natural, evitando varizes, inclusive. O magnésio é bom para tudo, como a saúde óssea, TPM, dores de cabeças constantes, tremedeira no olho e insônia. No Amazonas, temos a bedroega, que é a única folha em nossa região, riquíssima em ômega 3. O ora-pro-nóbis é rico em proteína e ferro, podendo ser consumida crua, em sucos, saladas e refogada", pontua a profissional.

    A capela pode ser usada no lugar do repolho para preparar charuto.
    A capela pode ser usada no lugar do repolho para preparar charuto. | Foto: Lucas Silva

    Aumento na procura

    O Brasil é um dos países com o maior número de crescimento de adeptos a uma alimentação mais saudável. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência em 2018, 14% da população brasileira admite ser vegetariana. Porém, apesar de indícios de que esse número não representa na íntegra, já que algumas pessoas consomem pouca carne e se classificam vegetarianas, é fato que a procura por esses alimentos   tem aumentado.

    A jornalista Thamires Duarte é ovolactovegetariana há três anos. Essa nomenclatura representa a liberação do consumo de ovos, leites e derivados, mas não inclui nenhum tipo de carne animal. Com a transição na alimentação, Thamires enfrentou dificuldade no convívio com as pessoas, pois, era a única da família e do círculo social com o tipo de alimentação.

    “Minha principal motivação é ambiental, além do sofrimento animal. Desde que deixei de consumir carne, me sinto mais saudável e tive uma mudança de postura sobre muitas coisas também, principalmente nos aspectos éticos e políticos”, relata.

    Apesar de uma alimentação mais saudável, a jornalista conhece pouco sobre as PANCs, no entanto, tem familiaridade com algumas por conta da mãe. “A minha mãe gosta de ter no quintal algumas. Ela tem a moringa, por exemplo, e eu como de vez em quando. Mas não é um hábito. Eu basicamente como outras verduras. E, quando estão para murchar, seco no forno e faço um pó para colocar nos alimentos”, explica.

    As PANCs possuem muitos nutrientes e a forma de preparação pode ser bem atrativa aos olhos e ao paladar.
    As PANCs possuem muitos nutrientes e a forma de preparação pode ser bem atrativa aos olhos e ao paladar. | Foto: Divulgação/Semmas

    Melhora na saúde

    Assim como Thamires, Noa Caetano Magalhães adotou um estilo de vida mais saudável para preservar a vida dos animais, amenizar o impacto no corpo e no planeta. Vegano há 2 anos e 7 meses, ele teve uma melhora nos exames médicos e passou a tomar outras decisões na hora de se alimentar.

    “Comecei me sentindo mais leve, senti que, com a alimentação melhor, meu organismo estava mais forte e limpo. Esse processo é bem real, porque até perdi bastante gordura nos primeiros meses. Eu sofria com rinite e sinusite e, na mesma semana que parei com leite e derivados, tive uma melhora significativa, meus exames nunca foram tão bons”, relata Noa, que é assessor de imprensa.

    Sobre as PANCs, Noa já experimentou, mas diz que não são fáceis de encontrar. “Infelizmente, gostaria de tê-las encontrado mais vezes nas feiras de orgânicos, mas nem sempre tem”, revela.

    Uma PANC bem conhecida 

    | Foto:

    A hortaliça Peixinho (Stachys Byzantina), também conhecida como lambarizinho, lambari de folha, orelha de coelho e orelha de lebre, tem folha aveludada e o sabor lembra o de peixe frito. Geralmente é utilizada para fins ornamentais em borda de canteiros, mas pode ser aproveitada na culinária em várias receitas como de chás, saladas e em sua utilização mais popular: empanada e frita.

    Aprenda a fazer  a Peixinho, um “peixe frito” vegano

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