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    Estreia


    Festival Amazonas de Ópera terá estreia mundial de 'Kawah Ijen'

    A história de "Kawah Ijen" conta o drama de mineiros que moram em uma vila próximo ao vulcão e que precisam vender pedras de enxofre para sobreviver

    "O festival possui uma qualidade internacional e reconheço isso ao visitar outros festivais ao redor do mundo", afirma João Guilherme | Foto: Divulgação

    Manaus — Nem só de obras clássicas vive o Festival Amazonas de Ópera. Nesta 21ª edição, os palcos do Teatro Amazonas recebem a estreia mundial de "Kawah Ijen - vulcão azul", ópera encomendada especialmente para o evento. Em conversa exclusiva com o EM TEMPO, o compositor carioca João Guilherme Ripper fala sobre o processo de criação e detalhes da ópera que estreia no próximo domingo (27).

    O nome da obra vem de um vulcão localizado na Indonésia e que, devido a reações químicas, expele chamas azuis. A história de "Kawah Ijen" conta o drama de mineiros que moram em uma vila próximo ao vulcão e que precisam vender pedras de enxofre para sobreviver. Ao coletar os minérios, porém, acabam respirando um ar venenoso. Tudo muda quando o dono da mineradora cobiça uma jovem da vila.

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    Um dos destaques da produção da grande estreia "Kawah Ijen" foi a utilização do gamelão, instrumento tipicamente indonésio. Trata-se da primeira ópera do mundo que associa orquestra e gamelão, segundo o compositor João Guilherme.

    "Para que nós pudéssemos ambientar musicalmente essa história, utilizamos o gamelão, que nos foi doado pelo embaixador da Indonésia no Brasil, Toto Riyanto", conta ele. "Ele mandou fabricar na Indonésia um gamelão especialmente afinado de acordo com o diapasão ocidental".

    Além de compositor, regente e gestor cultural, o carioca é professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
    Além de compositor, regente e gestor cultural, o carioca é professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) | Foto: Divulgação

    João Guilherme começou a trabalhar na ópera há cerca de um ano. Segundo ele, o tempo foi o maior desafio neste novo trabalho. "A composição de uma ópera é um trabalho extremamente intenso — isso compreende a criação de personagens, história, texto, melodia, tudo", explica ele. "Ter todos os elementos prontos e funcionando para o ensaio é uma tarefa que demanda esforço".

    Esta é a terceira vez que o compositor carioca coloca seu trabalho nos palcos do Teatro Amazonas. Em 2014, ele trouxe "Onheama, ópera infanto-juvenil baseada no poema "A Infância de um Guerreiro", de Max Carphentier. No ano seguinte, a ópera ganhou reapresentação e, em 2016, João Guilherme trouxe a cantata cênica "Natividade".

    Segundo o compositor carioca, a admiração pelo Festival Amazonas de Ópera é grande. "O festival possui uma qualidade internacional e reconheço isso ao visitar outros festivais ao redor do mundo", afirma João Guilherme.

    "É o único festival do Brasil que encomenda uma nova obra, cumpre o seu papel de preservar um grande legado da literatura operística do passado e representa o trabalho de novos compositores. Sinto-me muito honrado de participar dele".

    "O festival possui uma qualidade internacional e reconheço isso ao visitar outros festivais ao redor do mundo", afirma João Guilherme
    "O festival possui uma qualidade internacional e reconheço isso ao visitar outros festivais ao redor do mundo", afirma João Guilherme | Foto: Divulgação

    Apresentações

    As reapresentações acontecerão nos dias 31 de maio e também no dia 2 de junho, no encerramento do Festival, com o Corpo de Dança do Amazonas, Coral do Amazonas, Orquestra Amazonas Filarmônica, sopranos Isabelle Sabrié e Daniella Carvalho, tenores Daniel Umbelino e Juremir Vieira, baixo Murilo Neves, barítonos Homero Velho e Inácio de Nonno, e o ator Matheus Sabbá. A direção e regência ficam por conta do maestro Marcelo de Jesus. Os ingressos estão disponíveis na bilheteria do Teatro Amazonas  - Largo São Sebastião - e no site www.aloingressos.com.br, com valores que vão de R$ 5 a R$ 60.

    João Guilherme Ripper

    Além de compositor, regente e gestor cultural, o carioca é professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Membro e vice-presidente da Academia Brasileira de Música, João Guilherme possui em sua carreira obras como as óperas “Augusto Matraga”, “Domitila”, “Anjo Negro”, “O Diletante”, além de “Onheama”, produzida no Festival Terras Sem Sombra em Portugal em 2016, e “Piedade”, que integra a Temporada 2017 do Teatro Colón.

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