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    Literatura infantil


    Pai da literatura infantil, Monteiro Lobato é homenageado nesta quinta

    Nesta quinta, 18 de abril, é o Dia de Monteiro Lobato. Autor da obra “Sítio do Picapau Amarelo”, o paulista foi escritor, jornalista e se tornou o nome mais importante da literatura infantil

    Um nome que dispensa apresentações, Monteiro Lobato completaria 137 anos em 2019 se ainda estivesse vivo
    Um nome que dispensa apresentações, Monteiro Lobato completaria 137 anos em 2019 se ainda estivesse vivo | Foto: Divulgação/ Estadão Conteúdo

    Manaus - Um nome que dispensa apresentações, Monteiro Lobato foi um dos mais importantes escritores da literatura infantil no Brasil. Conhecido por ser o autor da obra “O Sítio do Picapau Amarelo”, o escritor já teve diversas obras publicadas e foi homenageado como o representante do Dia Nacional do Livro Infantil ou Dia do Monteiro Lobato, comemorado no dia de 18 de abril.

     O “Dia Nacional do Livro Infantil” foi escolhido em homenagem ao dia do nascimento do autor Monteiro Lobato, que nasceu em Taubaté (SP) em 18 de abril de 1882. A data foi instituída por meio da Lei n. º 10.402, de 8 de janeiro de 2002, que prevê a promoção de diversas atividades relacionadas à literatura infantil e a importância de adquirir o hábito da leitura desde cedo. 

    As histórias infantis, principalmente as fábulas, foram as que mais deram prestígio ao autor, que foi o pioneiro em explorar o mercado de livro paradidáticos no Brasil. Além da obra mais famosa de Monteiro, Sítio do Picapau Amarelo, que possui 23 volumes, Lobato chegou a produzir livros voltados à literatura adulta, como “Cidades Mortas”.

    O autor, que completaria 137 anos em 2019, possui mais de 38 livros infantis publicados e 29 obras voltadas para o público adulto. Como escritor literário, Lobato se enquadra como um dos autores regionalistas do pré-modernismo.

    Desde o dia 1° de janeiro desse ano, as obras do autor Monteiro Lobato passaram a ser de domínio público
    Desde o dia 1° de janeiro desse ano, as obras do autor Monteiro Lobato passaram a ser de domínio público | Foto: Divulgação


    Ele utilizava suas histórias para criticar certos hábitos brasileiros, como o capitalismo internacional. Além de sua narrativa ficcional, o autor esteve envolvido com a luta política e social do Brasil. Também esteve presente em diversas polêmicas e contradições, como fervorosas críticas modernistas e acusações de racismo - alguns trechos de suas obras chamavam a Tia Nastácia de macaca.

    Inspiração para escritores amazonenses

    Grandes autores do Amazonas foram inspirados pela vida e obra de Monteiro Lobato. Tenório Telles, poeta, dramaturgo, e crítico literário brasileiro fala da importância das histórias de Monteiro para incentivar o hábito da leitura nas crianças. Já para a escritora de literatura infantil, Leyla Leong, o autor fez parte do seu imaginário desde cedo e foi umas figuras que motivaram seu gosto pelo universo infantil.

    A jornalista e escritora amazonense, Leyla Leong, diz que Monteiro Lobato é uma figura imortal que fez parte de sua infância e foi uma de suas muitas influências para se tornar escritora da literatura infantil.

    “Monteiro Lobato me inspirou na vontade de escrever. Ele é um autor atemporal, que conversou comigo desde cedo. Na infância, isso me despertou no mundo da leitura. Ele representa uma época com talento e genialidade que merece todo o prestígio”, afirma a escritora e jornalista Leyla Leong.

    Já Tenório Telles ressalta a importância das obras do autor para o cenário da literatura nacional e, principalmente, para o imaginário das crianças.

    “Monteiro Lobato faz parte da infância brasileira. As crianças, de modo geral, por meio dos livros ou programas, tiveram contato com as histórias desse autor. Essa proximidade ajudou muito a estimular o gosto pela leitura de milhares de crianças. No meu caso, a vida e obra do Monteiro Lobato sempre foram uma inspiração. Nas obras, por meio das críticas à sociedade, e como o escritor foi exemplo de dignidade e coragem na defesa de seus princípios e valores”, comenta Tenório Telles, que é membro da Academia Amazonense de Letras.

    Tenório Telles, poeta, dramaturgo, e crítico literário brasileiro fala da importância das histórias do Lobato para incentivar o hábito da leitura nas crianças
    Tenório Telles, poeta, dramaturgo, e crítico literário brasileiro fala da importância das histórias do Lobato para incentivar o hábito da leitura nas crianças | Foto: Marcio Pimentel Melo


    Domínio Público

    Desde o dia 1° de janeiro deste ano, as obras do autor Monteiro Lobato passaram a ser de domínio público. Ou seja, qualquer editora pode publicar tudo que foi produzido pelo autor das personagens Emília e Dona Benta, sem necessidade de pagamento aos herdeiros do autor.

    Segundo a Lei Brasileira, a proteção dos direitos autorais é válida por 70 anos. Lobato faleceu em 1948, o que torna todas as suas obras públicas para republicação em qualquer editora. 

    Leia de graça

    Com a liberação dos direitos autorais, muitas editoras começaram a republicar os livros do autor, o que resultou em um plano diversificado de edições. Além das publicações das editoras, alguns sites também disponibilizam, de forma gratuita, o download das suas obras. Veja alguns deles:

    Open Library – O site é uma biblioteca digital colaborativa. Já possui mais de um milhão de obras para download gratuito, em diversas línguas. Monteiro Lobato e Machado de Assis são alguns dos autores brasileiros que aparecem por lá. (Clique aqui para baixar)

    Ideia Criativa – Site que disponibiliza alguns livros de Domínio Público do autor Monteiro Lobato para download. Conheça algumas das obras do autor que criou um universo para as crianças envolvendo folclore e mitologia, além de buscar, através de seus personagens, exaltar a brasilidade por meio da linguagem, comportamentos e na relação com a natureza. (Clique aqui para baixar)

    Conheça algumas obras do autor

    As obras de Monteiro Lobato ganharam o mundo
    As obras de Monteiro Lobato ganharam o mundo | Foto: Divulgação


    A Menina do Narizinho Arrebitado

    A Menina do Narizinho Arrebitado é um livro de literatura fantástica do escritor brasileiro Monteiro Lobato. Publicado no Natal de 1920, é o primeiro livro infantil que foi criado por Monteiro Lobato.

    O livro, que apresenta suas duas personagens principais, Narizinho e Emília, foi em 1921 relançado, no livro Narizinho Arrebitado, que é o mesmo livro, mas com aventuras inéditas. Mais tarde, Narizinho Arrebitado seria o primeiro capítulo do livro Reinações de Narizinho, que é o livro de propulsor a série Sítio do Picapau Amarelo.

    O Urupês

    A obra “Urupês” reúne ao todo 14 contos de Monteiro Lobato, o livro foi publicado originalmente em 1918. Segundo o prefácio da segunda edição do livro, esta obra surgiu do artigo “Velha praga”, publicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo no ano de 1914.

    Na época, Monteiro Lobato dedicava-se ao trabalho na fazenda que recebeu como herança de seu avô e amargava um ano terrível por conta da seca. Além do problema causado pelo fenômeno, Monteiro Lobato estava exausto das constantes queimadas praticadas pelos caboclos.

    Por conta disso, ele resolveu escrever uma carta de indignação ao jornal, que viu naquele texto algo muito valioso e o publicou fora da seção de cartas dos leitores. “Velha praga” causou grande impacto e polêmica, fazendo com que Monteiro Lobato publicasse outros textos que dariam origem ao livro “Urupês”.

    O Saci

    Um clássico da literatura infantil, O Saci resgata no nosso próprio folclore o mito da figura enigmática de um duendezinho de uma perna só que entrou para o imaginário da infância brasileira
    Um clássico da literatura infantil, O Saci resgata no nosso próprio folclore o mito da figura enigmática de um duendezinho de uma perna só que entrou para o imaginário da infância brasileira | Foto: Divulgação Amazon


    Um clássico da literatura infantil, o Saci resgata no nosso próprio folclore o mito da figura enigmática de um duendezinho de uma perna só que entrou para o imaginário da infância brasileira.

    O universo de personagens como Pedrinho, Narizinho e Emília é retratado com as primeiras ilustrações das obras, resgatadas nessas edições especiais. A narrativa revela lendas curiosas sobre o nascimento dos sacis, histórias sobre a mula sem cabeça, o lobisomem, o boitatá, o Negrinho do Pastoreio, a Cuca, e a sereia Iara.

    O saci parte da curiosidade de Pedrinho, neto de Dona Benta, que costuma passar as férias no Sitio do Picapau Amarelo, a respeito de um ser da floresta que está sempre com um gorro vermelho e fumando cachimbo.

    O Marquês de Rabicó

    O livro conta as aventuras do marquês de Rabicó, o único dos sete porquinhos que sobrevive do fogão graças à Narizinho. Narizinho engana a boneca dizendo que o Rabicó era um marquês. Encantada com a chance de se tornar marquesa, Emília aceita se casar com Rabicó, mas no dia do casamento ela descobre tudo.

    O livro termina com um susto das crianças que pensam que Rabicó foi assado por Nastácia, mas por sorte era apenas mais um porquinho qualquer.

    Cidades Mortas

    Cidades mortas, publicado em 1919, reúne 25 contos, entre escritos de juventude e textos posteriores. Neles, Monteiro Lobato retrata de forma crítica e bem-humorada, os costumes provincianos dos povoados do interior do Brasil onde o poder é invariavelmente dividido entre o coronel fanfarrão e o vigário que faz acrósticos em latim.

    Depois da prosperidade promovida pela onda verde dos cafezais, só resta a esses lugarejos decadentes a nostalgia das grandezas de outrora: “Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito”. Assim se refere Monteiro Lobato a essas cidades no conto de abertura do livro.

    Pauta e edição: Bruna Souza

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