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    Festival Amazonas de Ópera


    Diretores contam experiência de encenar ópera no Teatro Amazonas

    Teatro Amazonas é um dos palcos do Festival Amazonas de Ópera. Para falar sobre a experiência de trabalhar com Ópera no Amazonas, o EM TEMPO falou com os diretores: Jorge Takla e Davide Garattini Raimondi, diretores cênicos de 'Tosca e Maria Stuarda'.

    Jorge Takla - Produtor de  Ópera, participa da montagem de 'Tosca", no Festival Amazonas de Ópera, em Manaus
    Jorge Takla - Produtor de Ópera, participa da montagem de 'Tosca", no Festival Amazonas de Ópera, em Manaus | Foto:

    Manaus - Encenado, orquestrado, escrito ou musicado, no Teatro, o importante é contar a história. Palco de grandes espetáculos e um dos maiores cartões postais do país, o Teatro Amazonas é único e desperta a emoção de quem passa por ele.

    Presente no Amazonas, para participar do Festival Amazonas de Ópera,  Jorge Takla, uma das personalidades brasileiras mais ativas, tanto no teatro, como na Ópera, conversou com O EM TEMPO em uma entrevista em que abordou vários assuntos. Ele estreou neste sábado, 11, no Festival  com a responsabilidade de fazer a direção cênica de ‘Tosca’, de Giacomo Puccini. 

    Para Takla, ‘Tosca’ é icônica e traduz muita emoção, pois não deixa de ser “atual”. A ópera retrata temas polêmicos como assédio moral, sexual, chantagem, corrupção, força da mulher, luta pela ideologia política, entre outros. Tosca terá reapresentação nos dias 17 (20h) e 19 (19h) de maio.

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    “É uma honra estrear no Festival Amazonas de Ópera, além do mais com ópera do Puccini, que influenciou muito com a música moderna, que mexe diretamente com o emocional, toca o coração. A ópera tem um cenário do Nícolas Boni, elenco e figurino do argentino Pablo Horamines e tem a cantora lírica Daniella Carvalho que apresenta o papel principal, inclusive já se apresentou na Rússia e em outros países. E ainda temos os artistas amazonenses que são maravilhosos”. "

    Jorge Takla,, Diretor de teatro e ópera

    No Brasil, Jorge Takla dirigiu e produziu mais de 120 espetáculos, entre eles Hulda, My Fair Lady, Vanya e Sonia e Masha e Spike, Vermelho, Evita, O Rei e Eu, West Side Story, Mademoiselle Chanel, Últimas Luas, Medéa, Electra, A Gaivota, O Jardim das Cerejeiras, Cabaret, Pequenos Burgueses, Madame Blavatsky, Lembranças da China, Fedra 1980 e dezenas de outras peças. Ele fala sobre a relação de trabalho que teve com a atriz Marília Pêra.

    “Têm alguns artistas que marcaram muito a minha carreira e a minha vida como, por exemplo, Marília Pêra. Ela sempre dizia que a gente tinha um casamento artístico. Ela era uma atriz fenomenal que tinha uma intuição de cena que se jogava, sem rede de segurança. Quando a Marília subia no palco baixava uma entidade. Era fantástico! Depois que ela morreu, nunca mais fiz teatro. É difícil retomar e, no momento, tenho feito mais ópera, o que mais me preenche” – Vitor ou Vitória, Mademoiselle Chanel foram alguns dos espetáculos de Jorge, que tiveram a atriz no elenco.

    Em ópera, Takla dirigiu Tosca, Don Quichotte, The Rake’s Progress, Candide, La Traviata, La Boheme e Madama Butterfly, Il Tabarro, As Bodas de Fígaro, Cavalleria Rusticana, I Pagliacci, Os Contos de Hoffmann, A Viúva Alegre e outras obras. O diretor cênico diz que o importante no Teatro é contar a história, independentemente do formato. 

    Davide Garattinni Raimund - Produtor Internacional de Ópera
    Davide Garattinni Raimund - Produtor Internacional de Ópera | Foto: Ione Moreno

    “Tudo isso é teatro. Então, se é teatro de prosa ou teatro musical, ou ópera, a minha função de encenador é contar a história da maneira que sirva melhor o compositor ou o autor, além de proteger os artistas que estão se apresentando. Em musical tem microfone, na ópera não tem e depende muito da performance do ator, mas a função é a mesma: contar a história. A pessoa tem que entender a forma e sair transformada”, afirmou o diretor.

    O premiado Jorge Takla, que também é produtor, esteve em Manaus pela primeira vez em 2016, onde dirigiu o musical Lágrimas de Brinquedo, com adaptação livre de Jorge Bandeira, com obra original do dramaturgo amazonense Alfredo Fernandes, no Teatro Amazonas. 

    “Fui convidado, em 2016, para fazer o musical de Natal, onde foi exibido nove vezes, inclusive no lado de fora do Teatro, com um telão para mais de 5 mil pessoas. Foi um desafio grande, porque o musical foi apresentado pela primeira vez dentro do Teatro, para reduzir os custos. Nunca tinha trabalhado aqui. A equipe amazonense é maravilhosa e eu adorei. Foi emocionante”, lembrou o diretor.

    Deuses da Ópera

    David Garattinni Raimund - Produtor Internacional de Ópera
    David Garattinni Raimund - Produtor Internacional de Ópera | Foto: Ione Moreno

    O EM TEMPO também conversou com o diretor cênico de ‘Maria Stuarda’, de Gaettano Donizetti, o italiano Davide Garattini Raimondi, que disse estar honrado por ter feito a estreia brasileira da ópera no Teatro Amazonas. 

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    “Uma emoção muito forte, porque o Teatro Amazonas no mundo é um mito, uma lenda. A primeira coisa a se pensar é que um estado como Amazonas, uma cidade como Manaus, tão distante da realidade internacional da ópera faz ópera. Isso mostra como a ópera é forte. Isso faz comprovar ainda mais a atenção do público” "

    Davide Garattini Raimondi, Diretor Cênico de 'Maria Stuarda' no Festival Amazonas de Ópera

    ‘Maria Stuarda, cuja última apresentação ocorre neste domingo,12, às 19h, conta a história da rivalidade entre as primas Mary, rainha da Escócia, e Elizabetha, rainha da Inglaterra. Garattini explica que, diferentemente da ópera, na realidade não há nenhum documento que comprove o encontro entre as rainhas.

    “Um dos grandes motivos do teatro é levar uma atenção ao público e se fizesse uma história teatral sem que elas se encontrassem não teria um significado dramático. A ópera já estava muito à frente da época em que a história foi vivida, principalmente, no momento dos insultos trocados entre as rainhas. Isso mostra como o compositor quis que a ópera sobrevivesse através dos tempos”, explicou. 

    Para Davide, que dirigiu em fevereiro desse ano a ópera Lo Schiavo, do compositor brasileiro Carlos Gomes, no Teatro lírico de Cagliari, na Itália, afirmou que o Teatro Amazonas é único.

    “Esteticamente, o Teatro Amazonas é diverso. O palco é instrumental e isso é uma grande diferença. A visão do público fica muito diferente com esse tipo de balcão. O gosto estético e decorativo é único. Todas aquelas máscaras que têm nas pilastras com os nomes dos escritores e compositores, encaro como todos os juízes de todos os tempos. Todos os compositores estão te olhando e Carlos Gomes de cima. Os Teatros Europeus são muitos parecidos. O Teatro Amazonas é único”, disse Raimondi.

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