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    Resenha Madame X


    Madonna: Novo álbum é poderoso, trilíngue e absurdamente inovador

    Mesmo que o disco possa parecer confuso, não se engane, ele tem momentos sublimes em que somos jogados no universo da Madame X.

    Eis que novamente surge Madonna para mostrar que o pop ainda não morreu
    Eis que novamente surge Madonna para mostrar que o pop ainda não morreu | Foto: Divulgação

    O pop estaria morto ou estaria apenas passando por uma fase de retiro espiritual? 

    Eis que novamente surge Madonna para mostrar que ele ainda não morreu, mas que precisa de artistas audaciosos para voltar a surpreender.

    Madame X chegou fazendo grande estardalhaço por um simples motivo. É um álbum poderoso, trilíngue  e absurdamente inovador.

    A artista parece ter renascido depois de ter se mudado para Portugal por motivo estritamente familiar. Porém, essa mudança de país resgatou o que Madonna tinha de mais interessante.

    Colocou de volta sua coragem de se expor e fazer uma obra verdadeiramente  inquietante. Mesmo que o disco possa parecer confuso, não se engane, ele tem momentos sublimes em que somos jogados no universo da Madame X.

    O disco navega por tantas orlas musicais que é quase impossível classificar o que ouvimos.

    Tem ritmos africanos, funk, R&B, hip hop, reggae,  dance. As faixas vão mostrando toda  a inteligência acumulada por ela durante esses longos anos de carreira.

    Depois dos três últimos discos mornos lançados, Madonna precisava mostrar para o mundo que ela ainda era capaz de fazer algo diferente.

    Fez.

    A atmosfera tribal de Batuka criada com as batuqueiras de Cabo Verde é quase um primor.Future é reggae puro tendo como parceiro Quavo.

    “Nem todo mundo vai vir pro futuro/Nem todo mundo está aprendendo com o passado/

    Nem todo mundo pode vir pro futuro/Nem todo mundo aqui vai durar (vai durar)”

    A letra martela e a gente até esquece que há algum tempo que o reggae virou um tipo de ritmo totalmente datado.

    Killers Who Are Partying é um fado narrado com cores sombrias.

    “Eu serei gay, se os gays forem queimados/Eu serei a África, se a África for destruída/Eu serei pobre, se os pobres forem humilhados/E eu serei uma criança, se as crianças forem exploradas”

    Mas é em Dark Ballet que somos jogados numa opereta quase visceral  “Porque o seu mundo é uma vergonha/Porque o seu mundo é obcecado pela fama/Porque o seu mundo está com tanta dor/Porque o seu mundo está/Porque o seu mundo está Em chamas”.

    God Control  assume que perdemos o controle de Deus, ou seja, perdemos o contato com a nossa divindade ao nos brutalizarmos em busca de grana e poder.

    Obviamente que ainda sobra espaço para coisas não tão profundas assim. “I Don’t Search, I Find” combina com suor derretendo numa pista lotada.

    As faixas com Maluma e Anitta são exatamente aquilo que a indústria fonográfica tanto precisa.

    Fúteis e totalmente dançantes,  as músicas servem para balançar o esqueleto sem pensar no aquecimento global ou na violência. Apesar da fragilidade dos duetos, a parceria com Anitta surpreende por ser divertida, ouvir Madonna arranhando o português de Portugal é mesmo surreal.

    Madame X é epopeia da artista mais relevante do século. Não é o melhor disco da estrela, mas junta-se  a tantos outros na sua busca pela perfeição e relevância.

    Cláudia Pereira
    Cláudia Pereira | Foto: Arquivo Pessoal

    *Cláudia Pereira é cinéfila, poeta e blogueira.

    Dona do @mofonocinema Instagram e especializado na sétima arte.

    Trabalha com números, mas prefere viver no escurinho do cinema.

    Seu filme favorito é "A Malvada" (1950) e é fã incondicional da cinematografia dos anos 80.

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