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    Dia do Escritor


    Dia do Escritor: livros que mudaram o mundo

    Para celebrar o Dia do Escritor, o EM TEMPO conversou com os escritores amazonenses Tenório Telles e Aldisio Filgueiras, que cintaram alguns livros que, em suas concepções, mudaram o mundo

    Tenório Telles e Aldisio Filgueiras | Foto: Izaías Godinho

    Manaus - A literatura é poderosa, transporta a novos lugares, abre novos horizontes, cria conceitos e tem o poder de mudar o mundo. Nesta quinta-feira (25), é comemorado no Brasil o Dia do Escritor, e, para celebrar a data em grande estilo, o EM TEMPO conversou com os escritores amazonenses Tenório Telles e Aldisio Filgueiras, que fazem parte da Academia Amazonense de Letras e fomentam a produção cultural na região.

    Os escritores falaram sobre a importância da literatura e cintaram alguns livros que, em suas concepções, mudaram o mundo.

    Nascido no dia 2 de setembro de 1963, em Paraná do São Tomé, localidade situada nas proximidades do município de Anori (195 quilômetros de Manaus), Tenório Telles vivia com os pais, que, na época, trabalhavam como cultivadores de juta. O escritor conta que ainda na infância, quando passou a morar com os avós, teve o primeiro contato com a leitura.

    “Quando os meus pais se separaram, eu tinha uns cinco anos de idade e passei a viver com os meus avós maternos. Neste mesmo período, mediante um método muito simples de silabação que eu aprendi a ler”, frisou o escritor, acrescentando que pelo incentivo da mãe seguiu com os estudos e se graduou em duas áreas de conhecimento.

    Tenório Telles tem 17 obras publicadas
    Tenório Telles tem 17 obras publicadas | Foto: Izaías Godinho

    Apesar de experienciar o ramo jurídico, Tenório percebeu que a inclinação vocacional dele estava na área da licenciatura e passou a se dedicar como professor e editor.

    “A prática do direito foi um pouco difícil para mim naquele momento. Além de dar aulas, passei 17 anos da minha vida na editora Valer, onde coordenei um trabalhado de centenas de títulos da literatura do Amazonas e na literatura brasileira também”, afirmou.

    Ao ser questionado sobre os fatores que contribuíram para o desenvolvimento da arte de escrever, Tenório frisou que na casa dos avós, onde viveu parte da infância, só tinha acesso à bíblia sagrada e salientou que a leitura do livro é um hábito diário.

    “A bíblia não é somente um livro religioso. Ela possui conteúdo reflexivo sobre o tempo, acerca de Deus, do homem, da história e sobre a existência do ser humano. É, sobretudo, um livro poético e filosófico. Eu tinha uma professora, na 4ª série, que incentivava os alunos a escreverem. E no ensino médio foi onde eu comecei a produzir poesias e esse período foi decisivo para minha escolha profissional”, disse.

    A primeira publicação de Tenório Telles foi realizada 1988
    A primeira publicação de Tenório Telles foi realizada 1988 | Foto: Izaías Godinho

    A primeira publicação de Tenório Telles foi realizada 1988 com a obra “Primeiros Fragmentos”, que era um livro artesanal e replicado por meio de xerox. “Publicar esse primeiro livro foi como um estímulo. Desde então, não parei mais de escrever, inclusive para muitos veículos de imprensa”, disse o escritor.

    Tenório destacou, ainda, que dentre as 17 obras publicadas durante a carreira, alguns livros como “Introdução à Literatura Brasileira” e “Clube da Madrugada – Presença Modernistas do Amazonas” ganharam grande repercussão. 

    “Todo grande escritor deve ser um grande leitor. Na literatura, não basta apenas dizer as coisas, mas saber como dizer essas coisas”, concluiu o escritor.

    Livros que mudaram o mundo na concepção de Tenório Telles:

    1)        Epopéia de Gilgamesh

    2)        Bíblia Sagrada

    3)        A divina comédia – Dante Alighieri

    4)        Odicéia e Iliada- Homero

    5)        Hamlet – William Sakespeare

    Aldisio Filgueiras falou sobre a metodologia
    Aldisio Filgueiras falou sobre a metodologia | Foto: Izaías Godinho

    Já o escritor e poeta Aldisio Filgueiras, de 72 anos, contou ao EM TEMPO que a leitura foi introduzida na sua história ainda na escola. “Naquela época, os professores eram muito respeitados e estimulavam os alunos a lerem em voz alta. E a gente tinha que ler corretamente, com todas as peculiaridades das pontuações”, conta.

    Aldisio conta que a metodologia utilizada no ensino público, no período que precedeu o regime militar, fomentava o exercício do pensamento aos discentes.

    “Até mesmo as provas eram diferentes das que são feitas hoje. Naquela época você tinha que saber se explicar. Além disso, os pais cobravam dos filhos o que era aprendido na escola e, por isso, desde então fui estimulado a produzir”, frisou Aldisio.

    Primeiro livro de Aldisio Filgueiras
    Primeiro livro de Aldisio Filgueiras | Foto: Izaías Godinho

    No fim da década de 1960, Aldisio ingressou na faculdade de direito. No entanto, trancou o curso por não se identificar com a área. Em seguida, atuou como jornalista em alguns veículos de comunicação do Amazonas por 49 anos. Em 1968 publicou o primeiro livro de poesias “Estado de Sítio”, que por apresentar críticas ao regime militar teve a replicação suspensa pelas autoridades. Ao longo da trajetória, realizou cerca de 20 obras de diferentes gêneros literários.

    O escritor afirma que, apesar das questões de mercado não serem favoráveis aos poetas, optou em seguir a carreira na literatura por enxergar a importância da produção intelectual na formação do pensamento e reflexão. “Quem tem o desejo de seguir como escritor, deve se atentar ao mercado e passar a entendê-lo. É necessário parar de pensar de forma analógica em era digital”, finaliza o escritor.

    Livros que mudaram o mundo na concepção de Aldisio Filgueiras:

    1) Poemas – Vladimir Maiakovisk

    2) Metamorfose - Franz Kafka

    3) Grande Sertão Veredas – João Guimarães Rosas

    4) Matadouro 5 – Kur Vunegur

    5) O manifesto do partido comunista – Karl Marx

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