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    Cultura


    Uendel Pinheiro: a explosão do samba em Manaus

    Em entrevista ao EM TEMPO, o cantor falou sobre o início da carreira e o novo projeto, a "Roda de Samba do Uendel Pinheiro"

    Uendel Pinheiro é um fenômeno em Manaus | Foto: Divulgação

    Manaus - Aos 33 anos de idade e apenas cinco anos de carreira, o cantor Uendel Pinheiro tem números impressionantes para a música regional. São cinco discos gravados, mais de 80 mil seguidores nas redes sociais, 3 milhões de visualizações no YouTube e a agenda lotada. O cantor será uma das atrações do Samba Manaus 2019, que acontece em outubro na Arena da Amazônia.

    O cantor conversou com EM TEMPO e destacou novidades sobre a carreira e falou sobre o novo projeto, a “Roda de Samba do Uendel Pinheiro”, lançado neste sábado (17). O novo point para a galera que custe samba e pagode fica no Metropolitan, casa de shows situada na avenida das Torres, ao lado do Posto BR.  Funcionará todos os sábados, a partir das 21 h até 3 ou 4 horas da manhã. 

    Uendel é uma das atrações do Samba Manaus 2019
    Uendel é uma das atrações do Samba Manaus 2019 | Foto: Divulgação

    EM TEMPO - Como que surgiu o interesse pela música?

    U.P- Quando ainda era criança eu escutava muita fita cassete, discos de vinil, música popular nordestina e nomes como Raimundo Fagner, Zé Ramalho, Reginaldo Rossi, Wanderley Andrade, Belchior e Alceu ValençaI. Isso foi entre seis ou sete anos de idade. O interesse pelo samba começou quando mudei para Manaus, em 1999. Morava na Praça 14, onde conheci a escola de samba Vitória Régia e descobri que era aquilo que eu queria.

    EM TEMPO - Você é de Óbidos (PA). Por que escolheu vir para Manaus?

    U.P - Minha família toda é paraense, de Óbidos. Quando nasci, em 1986, minha mãe ficou um tempo comigo e depois veio para Manaus estudar, conseguir uma vida melhor do que tínhamos na nossa cidade. Só vim depois que terminei o ensino fundamental, para cursar o ensino médio na Escola Técnica Federal. 

    O cantor tem cinco anos de carreira
    O cantor tem cinco anos de carreira | Foto: Divulgação

    EM TEMPO - Quem é sua grande referência musical?

    U.P - Eu tenho várias referências, mas um dos que eu gosto muito é o Jorge Aragão, porque na época que comecei a gostar de samba, ele era o cara em mais evidência. Mas minhas referências mesmo são os grupos locais, como Ases do Pagode, Doce Amizade, Grupo Pecado e Coisa Nossa. Aprendi vendo eles.

    EM TEMPO - Como é, para você, estar hoje colhendo os frutos do seu trabalho, tendo o reconhecimento do público?

    U.P - É maravilhoso. É até inexplicável, porque é muito difícil no samba. Ver as pessoas cantando as minhas músicas, shows lotados, é realmente inédito na minha condição como artista, até escutei isso de um grande amigo, que é o Zezinho Corrêa. Logicamente que eu não fiz 10% do que o Carrapicho fez, mas tratando-se de reconhecimento regional, a gente tem tido muitos resultados positivos, e eu fico muito feliz com o que está acontecendo.

    Uendel durante apresentações
    Uendel durante apresentações | Foto: Divulgação

    EM TEMPO - Sobre o novo projeto, por que uma roda de samba?

    U.P - É estratégico, comercialmente falando. Vende a minha imagem, a marca Uendel Pinheiro. E ao mesmo tempo me rentabiliza financeiramente para que eu possa fazer investimentos dentro da minha carreira. Eu tenho um público que é fiel ao meu trabalho.

    EM TEMPO - O que seus fãs podem esperar da “Roda de Samba do Uendel Pinheiro”?

    U.P -  É um espaço maravilhoso, extremamente grande, com estacionamento e ótima estrutura. São três tendas gigantes, bem ventiladas e iluminadas. Vai ser um lugar onde todo mundo será tratado bem. Vamos estar oferecendo serviço musical e atendimento de qualidade.

    EM TEMPO - Alguns sambistas, como cantor, compositor e produtor musical Leandro Lehart, dizem que o samba precisa se reinventar para não morrer. O que você acha disso?

    Uendel Pinheiro com Xande de Pilares
    Uendel Pinheiro com Xande de Pilares | Foto: Divulgação

    U.P - O Leandro Lehart é uma lenda viva. Se ele está falando isso, a gente tem que no mínimo respeitar. O samba não necessariamente precisa ser reinventado por causa do segmento, mas por causa do comércio. O comércio pede atualização, reinvenção, novos artistas, novas tendências de musicalidade, novas formas de tocar, de cantar, de compor. Então, a gente vê hoje muitos artistas dentro do samba com sua identidade própria, que gostam de reinventar harmonicamente, em arranjos e em letras. Então, realmente, percebo que nada pode ser como antes, quem gosta do samba tradicional, logicamente tem que manter uma coisa ou outra, mas as coisas vão mudando, a forma de compor, o modo de empregar os verbos, as gírias, as nomenclaturas, o “internetês". A reinvenção é necessária para que haja um crescimento como um todo.

    Para encerrar, o cantor deixa um convite! Ouça: 

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