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    Desmatamento


    Exposição amazonense critica posição de Bolsonaro sobre desmatamento

    Exposição “A Última Floresta”, do artista visual e biólogo Emerson Munduruku, é um protesto contra as recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre o desmatamento na Amazõnia

    Emerson Munduruku afirmou que os dados do INPE são utilizados como fonte por pesquisadores do mundo inteiro | Foto: Matheus Belém

    Manaus - Em resposta às recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro, relacionadas aos dados sobre o desmatamento da Amazônia, o artista visual e biólogo Emerson Munduruku está realizando a série fotográfica “A Última Floresta”, até o fim de outubro de segunda a sexta-feira, das 14h às 20h, na Galeria do Largo São Sebastião, no Centro de Manaus. As fotos expressam o pedido de socorro da floresta.

    O artista contou ao Portal EM TEMPO que os ensaios foram realizados em conjunto com o fotógrafo Matheus Belém, em 2018, na estrada do município de Iranduba (distante 27 quilômetros de Manaus) e na rodovia AM 0-10. Ele acrescentou que demorou cerca de 2 horas para finalizar as caracterizações.

    As fotos expressam o pedido de socorro da floresta, segundo o artista visual
    As fotos expressam o pedido de socorro da floresta, segundo o artista visual | Foto: Matheus Belém

    Emerson frisou que o conceito da série fotográfica pode ser aplicado ao contexto político atual. As fotos, segundo ele, têm como objetivo documentar as ameaças ao desmatamento da Amazônia. Cada ensaio traz um elemento representativo do processo de devastação da floresta.

    “Em um ensaio, apresento o fogo e o outro é feito com um boi. O terceiro ensaio foi realizado em uma área de serra pelada. Como artista e biólogo ambientalista, preciso dar uma resposta à esse crime que o governo realiza escancaradamente quando descredibiliza os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento”, frisou Emerson.

    Em julho deste ano, o Inpe informou que o desmatamento na Amazônia Legal brasileira atingiu 920,4 quilômetros quadrados em junho, um aumento de 88% em comparação com o mesmo período do ano passado.

    O artista contou ao EM TEMPO que os ensaios foram realizados em conjunto com o fotógrafo Matheus Belém
    O artista contou ao EM TEMPO que os ensaios foram realizados em conjunto com o fotógrafo Matheus Belém | Foto: Matheus Belém

    De acordo com o presidente Bolsonaro, a divulgação de informações ambientais diretamente pelo Instituto prejudica o país em negociações comerciais conduzidas pelo governo brasileiro com outros países, entre elas o acordo com Mercosul e a União Europeia, fechado recentemente.

    Em contrapartida, Emerson Munduruku afirmou que os dados do Inpe são utilizados como fonte por pesquisadores do mundo inteiro. O artista, ainda, faz críticas ao governo federal, relacionadas à falta de um posicionamento claro sobre o combate ao desmatamento.

    “Esse governo insiste em negar fatos científicos e a realidade. Ele desinforma a população. Não abriram uma sindicância para verificar a conduta do antigo diretor do Inpe. Com essas mudanças, os dados vão ser entregue da forma que eles querem. É o momento de todos os setores da sociedade se manifestarem, porque perder a floresta significa uma Amazônia de deserto e um Brasil passando sede”, disse o artista.

    As imagens retratam o perigo do desmatamento
    As imagens retratam o perigo do desmatamento | Foto: Matheus Belém

    Emerson acrescenta que “A Última Floresta” nasceu em conjunto com uma pesquisa científica, feita por ele, que aponta riscos da extinção de espécies de animais da Amazônia, por conta de mudanças climáticas e frisou que os riscos de extinção devem ser observados com atenção porque a Amazônia tem grande diversidade genética.

    “Para o meu mestrado em Ecologia, utilizamos dados de variadas instituições de pesquisa, dentre elas o Inpe. As pesquisas apontaram riscos de extinção de espécies da região, como o lagarto Kentropyx Calcarata ou Calango-da-Amazônia, devido aos impactos das mudanças climáticas por volta do ano de 2050, esta espécie de lagarto amazônico tem 70% de chances de ser extinta” concluiu o artista.

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