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    Tradição


    Dança: os bailes dançantes não morreram em Manaus

    Escolas de dança mantém viva em Manaus a tradição dos bailes dançantes, cheios de cavalheirismo, mas em nova roupagem para todas as idades

    O mais marcante dos bailes é o encontro entre pessoas e o cavalheirismo. | Foto: Divulgação

    Manaus - As noites boêmias dos bailes dançantes em Manaus não morreram. Escolas de dança da cidade se esforçam para manter viva a tradição da dança de salão. Em nova roupagem, os encontros se destacam por serem mais democráticos, agregando pessoas de todas as idades que têm uma única coisa em comum: a vontade de dançar. 

    "Realmente a dança de salão não é só para pessoas idosas, é para jovens também. Há muito tempo era visto dessa forma, hoje, já não é mais assim. É uma mistura de todas as idades onde você aprende com os idosos e eles acabam aprendendo com você que está começando", conta a professora de dança Gláucia Santos, 35.  

    Sucesso de público nos anos entre 1960 a 1970, os bailes dançantes em Manaus sempre foram sinônimos de diversão. Funcionava da seguinte forma, as damas aguardavam pelo convite dos cavalheiros. Caso estivesse acompanhada, o cavalheiro pedia permissão ao seu acompanhante, marido ou namorado. E dessa forma o baile se dava até o final. O espaço era sempre frequentado pela 'alta sociedade', dotado de respeito e companheirismo. 

    Gláucia explica que começou a se interessar pelos bailes quando iniciou as aulas de danças. "Eu sempre tinha que ir aos bailes que aconteciam a cada 15 dias para praticar e colocar em prática o que eu aprendia nas aulas". 

    A professora conta que os bailes sempre existiram, mas que ela só tomou conhecimento quando passou a se especializar em dança de salão, há mais de dez anos. "As escolas de dança de Manaus sempre promoveram esses bailes para os alunos praticarem, já que não tinham mais lugares para eles irem. Além disso, servia para ver os colegas e encontrar os amigos". 

    Para ela, o mais marcante de um baile é o encontro com as pessoas. "É muito legal encontrar pessoas que você não vê há muito tempo dando show no salão. Você pensa: 'eu ajudei aquela pessoa a dançar daquele jeito', então essa é uma das coisas mais marcantes dos bailes mesmo, encontrar essas pessoas e ver como a vida delas mudou por meio da dança, ver que todo mundo está feliz, está contente e se divertindo". 

    Clube Rio Negro

    Noitadas dançantes aconteciam em diversos clubes tradicionais da cidade.
    Noitadas dançantes aconteciam em diversos clubes tradicionais da cidade. | Foto: Manaus Ontem Hoje Sempre

    "Existiam os bailes no Rio Negro que eram para a alta sociedade, eram mais as pessoas idosas que frequentavam, casais mesmo. Os jovens não frequentavam porque achavam que a dança de salão era para velho. Com o passar do tempo os jovens começaram a gostar, porque surgiram novos estilos, como o disco, que é uma dança mais solta, mais alegre e eles começaram a frequentar e gostar", diz a professora Gláucia Sales. 

    Benefícios da dança

    Além dos benefícios para a saúde, a interação entre as pessoas é um diferencial na vida de quem frequenta  os bailes. "Você se sente bem em um lugar que você nunca foi, nunca viu as pessoas, e de repente está ali, permitindo que aquela pessoa toque em você, que a pessoa te abrace, converse, isso faz com que você se sinta melhor, tanto física, quanto mentalmente", explica Gláucia.

    A professora afirma que muitas pessoas que vão buscar a dança, estão passando por momentos muito difíceis, de perda familiar ou no casamento, algumas inclusive depressivas. Então quando chegam numa aula de dança, melhoram. "Você sai dali preenchido com outra coisa que é a alegria de dança, de você estar com as outras pessoas sorrindo e esquecer desses problemas que a gente tem", conta Gláucia. 

    Outro professor confirma esta afirmação. "Os benefícios sociais que a dança traz são inúmeros, eu tenho muitos alunos que saíram da depressão por causa da dança", conta o professor Marcus Vinícius, 55, do projeto Rosas Dança de Salão. Ele promove encontros que resgatam a cultura dos bailes no antigo restaurante Braseiro, também conhecido por ser um point de encontro dos amantes da dança em Manaus. 

    Dica de especialista 

    Alguns locais que promovem dança de salão em Manaus são: Sesc, Empire Dance School, Stylus Dança de Salão, Balance Studio, Arte da Dança, Casa de Dança Leandro Oliveira, Rosas de Salão, Casarão de Dança, Soul Art e Milonga Manaus. Este último é apenas para prática de tango. Além destes espaços, alguns restaurantes também realizam noites dançantes, como o La Finca - com a temática latina - e o Varanda's, que promove a 'Tardinha da Nega'. 

    Quem não sabe dançar, não precisa ter medo, pois as escolas oferecem uma equipe para receber e ensinar os frequentadores. Os ritmos mais tocados são forró e brega. 

    Resgate 

    O projeto 'Vem Bailar' , do Sesc Amazonas, é um dos projetos com a proposta de resgatar os bailes dançantes em Manaus. Nilton Montenegro, recreador da instituição, explica a proposta. "Nós tínhamos um evento ano passado chamado 'Dançando no Sesc', onde trazíamos as academias e os dançarinos. Em 2017 foi um sucesso, com três edições. Então resolvemos fazer em 2019 também, com uma nova roupagem, convidamos algumas academias parceiras para fazer esse resgate".

    A festa pretende reunir os amantes da dança, professores e participantes de academias de dança que encontram na modalidade a felicidade e qualidade de vida. A última edição do evento aconteceu no dia 10 de agosto. O sucesso foi tão grande que acontecerá no mês de dezembro também. 

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