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    Cinema


    Estreia: Rambo: Até o Fim mostra Stallone trucidando vilões

    Sylvester Stallone dá adeus a um dos personagens mais icônicos em um desfecho tão emocionante quanto irregular

    John Rambo precisará voltar à ativa para resgatar jovens de um esquema criminoso | Foto: Divulgação

    Interminável herói de ação, Sylvester Stallone retorna a um de seus papéis mais populares em Rambo: Até o Fim. Em clima de despedida, o astro de 73 anos interpreta pela quinta vez o militar – e “máquina de matar” – eternamente traumatizado pela Guerra do Vietnã no que promete ser a última encarnação do supersoldado. O longa estreia nos cinemas do Brasil nesta quinta (19).

    Como aconteceu em boa parte da saga do lutador Rocky Balboa, que rendeu três indicações ao Oscar para o ator, Stallone tem participação direta na construção do personagem. Na franquia Rambo, dirigiu o quarto filme, de 2008, e coescreveu os roteiros de todos os filmes.

    A tranquilidade de John Rambo é interrompida
    A tranquilidade de John Rambo é interrompida | Foto: Divulgação

    Agora John Rambo vive no rancho no qual nasceu. Trata-se então de um filme da franquia passado, como no primeiro, nos Estados Unidos – na sua terra natal entoa o simbolismo de conclusão de uma saga. Por isso, enquanto cuida da terra e de seus cavalos, a silhueta sempre tensa do justiceiro e ex-militar parece finalmente ter encontrado sua paz, transformando sua constante sede por vingança em uma tormenta pontual que o leva a seus costumeiros devaneios.

    Contudo, apesar de seu tempestuoso passado, agora Rambo permanece dócil, cuidando da única família que lhe resta.

    Entretanto, ele precisará se juntar a uma jornalista para resgatar jovens mulheres que sofrem com um esquema de tráfico sexual. Uma das vítimas é uma jovem que Rambo considera da família, e por isso ele vai em buscade vingança.

    Ator volta ao papel do veterano de guerra John Rambo em quinto filme da franquia
    Ator volta ao papel do veterano de guerra John Rambo em quinto filme da franquia | Foto: Divulgação

    Levado às telonas com o mesmo carinho que o ajudou a construir sua carreira por tantas vezes, este filme conta mais uma vez com a presença de Sylvester Stallone como grande responsável por esta jornada. Dirigido por Adrian Grunberg, que finalmente está ganhando espaço como diretor depois de tanto fazer como assistente de direção, a ação aqui é tão equilibrada quanto surpreendente. Por se tratar de um filme de despedida, em alguns momentos a carga dramática soa superficial, quando deveria ganhar organicidade junto ao adeus de tão querido personagem.

    Para a crítica, grande parte dos problemas deste filme se deve pela estrutura falha do roteiro, que decide seguir por um caminho inédito abrindo novos arcos ao invés de fechá-los. Com isso em mãos, o personagem de fato encontra um final de arco ideal, após cinco filmes. Porém, a inserção de novos personagens para, então, descartá-los torna a experiência do espectador frustrante, pois não há apego emocional em relação a Gabrielle e Maria (Adriana Barraza), a não ser a tentativa de interpretação da primeira e a carga dramática da segunda, já veterana. Ainda assim, não conseguem fazermuito em cena.

    Banner do filme
    Banner do filme | Foto: Divulgação

    Por sua vez, o próprio Rambo destoa do restante de sua jornada. Apesar de haver autenticidade ímpar no que Sylvester Stallone faz com um de seus ícones criados para o cinema, há uma falha do roteiro em tentar transformá-lo em alguém conformado com a natureza da violência. Seguindo o estereótipo do sujeito que se transforma em anti-herói após tanto sofrer perdas pessoais, aqui ele é potencializado, ganhando cenas típicas de filmes “gore” nos quais a violência é o propósito e a natureza da ação.

    Este é o filme de despedida que acerta por ser puramente nostálgico, além de conter cenas de ação que somam a este ícone cinematográfico, elevando Stallone como um dos responsáveis pelo que o cinema de ação se transformou nos últimos quarenta anos. Porém, a execução é falha da estrutura do roteiro à forma com a qual determinados momentos soam artificiais – justamente o drama que tanto poderia servir de base para esta despedida. Em suma, uma despedida com o amargo e ferrosogosto de sangue.

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