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    Teatro Amazonense


    O desafio de fazer teatro no Amazonas

    Desafios não desmotivam os artistas a prosseguir na jornada que é sensibilizar e fomentar esta arte no Amazonas. Hoje é comemorado o Dia do Teatro

    A data também comemora o a acessibilidade do teatro. | Foto: Divulgação

    Manaus - Considerada uma das manifestações da arte mais antigas, o teatro tem grande relevância no processo de formação social e cultural das pessoas. A arte de representar um papel de um indivíduo em um determinado enredo tem a capacidade de instruir, formar conhecimento e sensibilizar o público que estiver contemplando tal apresentação.

    A primeira forma de teatro surgiu no Oriente, apesar de ser um conceito de teatro relacionado com rituais religiosos. O teatro como forma de arte surgiu na Grécia Antiga. No Brasil, nasceu no século XVI e tinha como finalidade disseminar a crença religiosa, no caso aumentar o número de fiéis ao cristianismo, mais precisamente o catolicismo.

    Wallace Abreu, ator e diretor
    Wallace Abreu, ator e diretor | Foto: Divulgação

    No âmbito local, o movimento teatral amazonense surge na década de 60 com a criação dos primeiros grupos amadores, sem orientação de algum órgão ou associação federal. Em 19 de setembro, de acordo com o Projeto de Lei nº 6.139/13, aprovado na Câmara dos Deputados, também é celebrado o "Dia Nacional do Teatro Acessível”.

    Apesar do Teatro Amazonas ter se consolidado desde 1896, segundo dados de pesquisa, não há registros de representações teatrais realizadas por profissionais amazonenses antes desta data. As grandes óperas e peças vinham de outros países. No período de grande fluxo de imigrantes na cidade, os grupos teatrais europeus realizavam apresentações para os grandes barões da borracha.

    Selda Vale é coordenadora do Núcleo de Antropologia Visual (Navi) da Ufam
    Selda Vale é coordenadora do Núcleo de Antropologia Visual (Navi) da Ufam | Foto: Reprodução

    Segundo a coordenadora do Núcleo de Antropologia Visual da Universidade Federal do Amazonas (Navi/Ufam), Selda Costa, o teatro Variedade Cômica foi um dos pioneiros da cidade de Manaus.

    "Podemos considerar o teatro Variedade Cômica como o primeiro grupo a apresentar a arte do teatro de forma profissional na capital amazonense. Apesar disso, muitos artistas fizeram uma grande contribuição de manifestações artísticas. Obras de autoria minha, do grande pesquisador, escritor e dramaturgo Mário Ypiranga foram apresentados em diversos teatros da época, como Éden e beneficente", comentou a pesquisadora.

    O teatro hoje

    No mundo contemporâneo, a arte do teatro cresceu e hoje, possui várias vertentes, como o teatro musical, o teatro de rua e inclusive artistas que conseguem sensibilizar de forma cômica o público que assiste. Este é o exemplo da artista Ana Oliveira, que encontrou na arte da “palhaçaria” uma forma de encantar calorosamente o público.

    “Sempre quis ser atriz de cinema, porém como em Manaus o cinema não é tão acessível optei pelo teatro por ser mais fácil o acesso. A partir daí fui me apaixonando pelo teatro, especialmente pela palhaçaria. Esse encontro corpo a corpo, a comunhão de todos que estão vivenciando essa experiência é muito especial”, comentou Ana.

    A Ana Oliveira encontrou-se no teatro, especificamente na arte da palhaçaria
    A Ana Oliveira encontrou-se no teatro, especificamente na arte da palhaçaria | Foto: Divulgação

    Esta diversidade que o teatro exerce é uma das características mais ricas desta manifestação da arte. Como afirma, o ator e diretor Wallace Abreu.

    “Teatro é uma das manifestações artísticas mais completas. Nele há espaço para todos os outros gêneros, como a música, dança, artes plásticas e visuais. É possível agregar todos os outros gêneros artísticos numa produção teatral”, afirmou Wallace

    Teatro como resistência

    No contexto atual, em que tem se reduzido o incentivo às produções artísticas nacionais e a população se afastado das manifestações artísticas. Fazer teatro para muitos amazonenses é sinônimo de resistência, segundo a produtora cultural e diretora da Companhia Trilhares, Rafaela Margarido.

    Artistas da Cia. Trilhares  viajam em outubro para representar o amazonas no festival de teatro de Duque de Caxias no Rio de Janeiro
    Artistas da Cia. Trilhares viajam em outubro para representar o amazonas no festival de teatro de Duque de Caxias no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação

    “Teatro serve para vida, a arte de sensibilizar, de enriquecer repertório, de aguçar sendo crítico e de gerar grandes reflexões, teatro é um ato político extremamente necessário na vida de qualquer ser humano. Os artistas e produtores precisam entender o momento político, precisam se produzir e se unir a cada vez mais. Fortalecimento da linguagem e do movimento, estamos vivendo momentos sombrios, mas aí que a criatividade e arte deve sobressair”, ressaltou Rafaela.

    Porém, apesar de todos esses desafios, os artistas não desanimam em difundir o poder da arte do teatro. “Temos hoje um grande desafio nas artes, que é a sua função social. O artista tem o poder de questionar, de fazer refletir, de tratar temas antes inimagináveis por gerações anteriores, como a violência contra a mulher, a LGBTfobia, o preconceito racial e isso incomoda muita gente. Mas hoje a sociedade entende que se faz necessário esse momento de discussão política e social por meio das artes e não permite que atrocidades sejam concretizadas. O palco é espaço público e político.  Vamos resistir”, afirmou Wallace.

    A Cia. Trilhares também fomenta a manifestação da arte no artistas mirins em ascensão
    A Cia. Trilhares também fomenta a manifestação da arte no artistas mirins em ascensão | Foto: Divulgação

    O teatro como formação

    Fundada em 26 de julho de 2015, a Cia Trilhares é uma escola, produtora e companhia de teatro com sede própria, que trabalha com profissionais da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e artistas de renome nacional, difundindo e colaborando na formação de todos os envolvidos em suas atividades, desenvolvendo projetos de arte, cultura e sustentabilidade.

    “A nossa função como companhia e espaço cultural é oferecer ao público uma experiência estética, ao artista, contribuir no processo de maturação profissional, e à cidade, uma iniciativa de vivência sócio cultural para o cidadão, buscando fazer do consumo cultural um hábito que fomente ainda mais as produções artísticas locais”, afirmou Rafaela Margarido.

    Além da Escola, companhia profissional, a Cia Trilhares trabalha com a possibilidade da formação do artista desde da infância, chamada de “Trilhares em Cena”

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