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    Música Amazonense


    Unindo gênero africano e brasileiro, Karen Francis faz 'acontecer'

    Com orgulho, Karen conta que nasceu em berço musical e multicultural. Filha de amazonense com uma moçambicana, a jovem conta com profundo carinho suas raízes amazônicas e africanas

    Apesar de ter lançado seu primeiro EP recentemente, Karen conta que está em um momento de redescobrimento artístico, emocional e espiritual. | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - Concebida em terras africanas de Moçambique e nascida no município de Maués (distante 268 quilômetros de Manaus), a jovem Karen Francis Maia, de 19 anos, vem encantando os ouvidos de vários amazonenses no último ano. Com alcance vocal que provoca emoções a quem escuta, Karen consegue com maestria transmitir seus sentimentos regados das musicalidades africanas e brasileiras.

    Com olhos recheados de orgulho, Karen conta que nasceu em berço musical e multicultural. Filha de um amazonense com uma moçambicana, a jovem fala com profundo carinho das suas raízes amazônicas e africanas.

    “Sempre estive inserida no mundo musical. Meu pai, antes de ser missionário cristão, cantava em um grupo de pagode chamado ‘Evolusamba’. Mesmo quando se converteu para a igreja cristã, ele continuou com o gênero, porém realizando umas paródias cristãs. Em uma de suas missões, foi a Moçambique, onde conheceu a minha mãe e se apaixonou perdidamente por ela. Do fruto desse amor, fui gerada ainda em terras africanas. Porém, meu pai teve que ir para Maués, e foi nessa terra que eu nasci”, contou a jovem.

    Karen abraça vários gêneros musicais, sendo o Afrobeat, R&B e o Rap os principais
    Karen abraça vários gêneros musicais, sendo o Afrobeat, R&B e o Rap os principais | Foto: Leonardo Mota

    Após três meses de vida, a família de Karen se mudou para Manaus, onde a jovem viveu até os 11 anos. Em 2011, a família se mudou para Nova Olinda do Norte até que, em 2017, retornaram para a capital amazonense com o intuito de Karen cursar o ensino superior. E, durante esse tempo, sua relação com a música foi se fortalecendo cada vez mais.

    “Eu cantei na igreja pela primeira vez aos quatro anos. Sempre fui estimulada a cantar. E, com oito anos, já cantava no ministério de louvor com meus pais. Com nove anos, meu pai queria que eu tocasse e, aos 13, passei a escrever e cantar músicas no espaço da igreja. Mesmo que eu não tocasse bem na época, eu tive essa vivência e presença de palco”, relembra Karen.

    Aos 15 anos, Karen realizou uma viagem para a terra natal da mãe, em Moçambique. E foi ao encontro da musicalidade africana que a cantoria intensificou o seu processo de construção como artista.

    Karen começou a escrever suas primeiras canções com treze anos de idade
    Karen começou a escrever suas primeiras canções com treze anos de idade | Foto: Leonardo Mota

    “Em 2015, fiz uma viagem que mudou a minha vida e meu entendimento musical. Apesar de conhecer o gênero por conta da minha mãe, a questão melódica da música africana se tornou ainda mais forte. Em 2016, eu viajei para Santa Catarina para fazer uma sessão de vídeos na produtora e gravadora Girafa Sessions e, nessa viagem, conheci o músico Marlon Heimann, que viria ser o produtor do meu primeiro EP”, comentou Karen.

    Karen faz “acontecer”

    Aos 18 anos, com cinco faixas intituladas “Canta Passarinho”, “Acontecer”, “Teu Cheiro Pairar”, “Te Deixo Ir Em Paz” e “Uma Metade”, Karen lançou o seu primeiro “EP” chamado “Acontecer”. O debut apresenta canções que falam sobre relacionamentos da jovem e como ela observa tais relações utilizando metáforas que instigam sentimentos profundos para quem escuta.

    O EP "Acontecer" apresenta canções que falam sobre relacionamentos da jovem e como ela observa tais relações utilizando metáforas que instigam sentimentos profundos para quem escuta.
    O EP "Acontecer" apresenta canções que falam sobre relacionamentos da jovem e como ela observa tais relações utilizando metáforas que instigam sentimentos profundos para quem escuta. | Foto: Leonardo Mota

    Apesar de ter sido lançando recentemente, Karen conta que está em um momento de redescobrimento artístico, emocional e espiritual.

    “No EP, eu usei muitas metáforas, uma linguagem muito alegórica, por conta da necessidade que tinha. Sou uma mulher lésbica e usei dessa linguagem indireta, a melhor forma para me expressar. A sonoridade das minhas músicas remetia à musicalidade cristã, por conta de recursos de tonalidade, como formas que vou postar minha voz. Hoje, eu estou em um outro contexto, minha voz amadureceu. De lá pra cá eu mergulhei em outro lugar, na musicalidade que encontrei aos meus 15 anos, quando viajei para terra da minha mãe. Mergulhei nos gêneros do Afrobeat, R&B e Rap. Estes dois últimos sempre estiveram presentes na minha vida por conta das influências dos meus pais”, confessou Karen.

    Reconstrução da identidade

    Na redescoberta de seu gênero musical de origem cristã para a musicalidade africana, Karen busca construir um estilo que possa definir melhor o que pensa e como se identifica. Com algumas músicas já compostas e outras em produção, ela afirma que pretende passar o ano de 2020 em intenso trabalho para lançar um álbum com dez faixas, que possa demonstrar, de fato, sua identidade como artista.

    Com algumas músicas já compostas e outras em produção, Karen afirma que pretende passar o ano de 2020 em intenso trabalho
    Com algumas músicas já compostas e outras em produção, Karen afirma que pretende passar o ano de 2020 em intenso trabalho | Foto: Leonardo Mota

    “Pretendo falar das realidades de uma forma mais sincera para as pessoas, mais sincera para mim. Eu não tenho amarras, não tenho nada a perder. Sonoramente, não me desliguei da musicalidade cristã, pois a que ouvia não era uma musicalidade embranquecida. Era uma música de igrejas que vinham do Brooklin, Estados Unidos, onde a presença negra é muito forte. Contudo, acho que estou no processo de reconstrução da minha espiritualidade, quero entender o que vem de mim e o que vem dos outros”.

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