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    Reconhecimento


    Amazônia na Vogue: Susan Valentim teve fotos aprovadas pela revista

    A acreana Susan Valentim, de 26 anos, teve três fotos aprovadas na plataforma online da Vogue Itália

    A arquiteta Susan é aspirante à fotografia
    A arquiteta Susan é aspirante à fotografia | Foto: Gustavo Delgado

    Manaus - Ser reconhecido internacionalmente é o sonho de qualquer artista. Seja ele cantor, escritor, fotógrafo ou qualquer profissional que trabalha com as mais variadas vertentes do mundo artístico. Ter essa visibilidade atrelada à valorização de suas origens é um bônus indiscutível. É o caso da arquiteta e fotógrafa Susan Valentim, que teve três fotos aprovadas na plataforma Vogue Itália. Segundo Susan, cada foto carrega um elemento da região amazônica.

    “A foto com as crianças indígenas e a visão inferior da Ponte Rio Negro foram feitas no mesmo dia, durante um passeio turístico que realizei no final do ano passado. Resolvi aproveitar, pois as cores estavam bonitas e a composição iria render um bom registro. A outra foto da modelo foi com uma amiga minha que é dançarina. Eu a chamei para fazer um ensaio fotográfico na Praia do Japonês. Misturamos a dança, com a água, o rio e a natureza. Fiz todas as fotos para mim mesmo. Não imaginava que teriam essa repercussão”, detalhou a aspirantea fotógrafa.

    O ensaio fotográfico foi realizado na Praia do Japonês, em Iranduba
    O ensaio fotográfico foi realizado na Praia do Japonês, em Iranduba | Foto: Susan Valentim

    Susan, que é natural de Rio Branco, capital do Acre, conta que não se considera uma fotógrafa profissional pois ainda está começando a se especializar no ramo. Entretanto, o interesse pela fotografia sempre existiu em Susan, mas foi em 2018 que ele passou a ter um papel importante na vida.

    Após perder uma pessoa importante, Susan foi diagnosticada com depressão. E, durante o tratamento, fotografar foi uma das formas da jovem “ocupar a mente”.

    “Comecei a postar algumas fotos que fiz durante a vida no Instagram. Então, tive uma resposta muito linda de um amigo que disse que uma das fotografias tinha trazido muitas lembranças boas, e contou um pouco da história dele. Aquilo foi incrível. Uma imagem que eu registrei trouxe tanta coisa boa para alguém e saber disso, desse sentimento que a fotografia podia trazer, me fez bem demais. Eu decidi que queria sentir aquilo mais vezes. Então, peguei minha câmera e comecei a fazer fotos de amigos, para poder aprender mais”, confessou a jovem.

    Durante entrevista exclusiva ao Portal EM TEMPO, Susan Valentim contou como observa o mundo pelas lentes, o processo de aprovação pela Vogue Itália e objetivos que almeja alcançar em 2020.

    Susan realizou o registro da Ponte Rio Negro durante excursão turística no ano passado
    Susan realizou o registro da Ponte Rio Negro durante excursão turística no ano passado | Foto: Susan Valentim

    EM TEMPO – Como você definiria a arte da fotografia?

    Susan Valentim – Fotografar e algo muito incrível. Registrar momentos que nunca mais vão acontecer. É eternizar momentos, sentimentos. Permitir relembrar. Mas também percebi que, com a fotografia, eu posso mostrar um olhar diferente sobre as coisas. É muito enriquecedor e pode ajudar muita gente.

    EM TEMPO – Sobre a experiência como profissional. Em quais lugares já trabalhou?

    SV – Como tudo começou como uma forma de escapar da depressão, eu nunca fiz cursos nem nada. O que eu sei, aprendi vendo vídeo de internet, praticando e lendo muito sobre o assunto. Tive ajuda de amigos que fiz por causa da fotografia, que sempre me incentivaram. Eu trabalho como autônoma na fotografia. Divulgo tudo em um site, no Instagram e no Twitter.

    EM TEMPO – Como aconteceu a aprovação da Vogue? Houve um processo seletivo? Concorreu com outros brasileiros?

    SV – O site da Vogue Itália tem uma área onde fotógrafos podem fazer um cadastro e montar um portfólio. O diferente é que, nesse portfólio, só entram as fotos que são aprovadas pela curadoria da revista. Eles têm datas, horários e quantidades específicas de fotos que podemos mandar. Geralmente, duas por semana. Se aprovada, a foto fica disponível no meu portfólio lá no site. O mais legal de tudo é que as fotos escolhidas têm temas amazônicos. O que me deixou muito feliz. Poder representar minha terra. Sou acreana e moro em Manaus há 11 anos.

    A foto foi realizada durante visita a tribo Dessana em 2018
    A foto foi realizada durante visita a tribo Dessana em 2018 | Foto: Susan Valentim

    EM TEMPO – Na sua opinião, qual a melhor foto que você registrou? Por quê?

    SV – Se eu considerar aspectos técnicos, a minha foto preferida é dos índios que foi aprovada no site da vogue. Amos as cores, os sorrisos, a composição, a expressão, a luz, enfim. Mas, com relação ao significado, minhas fotos preferidas, com certeza, são umas que fiz lá no comecinho, de uma amiga que estava lutando contra o câncer. Ela estava mal, ficou careca e estava com a autoestima bem baixa.

    Então, eu a convidei para fazermos um dia de fotos. Conseguimos roupa, maquiagem e locações. Ela estava radiante. Depois, ela me disse que foi a primeira vez, em 6 meses de tratamento, que tinha saído em público sem a prótese (peruca) ou algo para disfarçar a queda do cabelo. Vê-la feliz daquele jeito foi tudo para mim! A mãe dela chorou me agradecendo pelas fotos e pelos momentos que tivemos juntas.

    Recebi muito carinho e percebi que aquilo incentivou pessoas a fazer algo parecido, e, assim, a gente conseguir ajudar mais gente. Ali eu vi o poder da fotografia. E decidi que ia fazer isso para o resto da minha vida, mesmo quesó por hobby.

    EM TEMPO – Já participou de exposições? Já conseguiu algum destaque em algum festival/competição?

    Para Susan, a fotografia permite mostrar um olhar diferente por meio das lentes
    Para Susan, a fotografia permite mostrar um olhar diferente por meio das lentes | Foto: Fabrício Lira

    SV – Nunca participei de exposições. Mas é um sonho a ser realizado. Com relação a festivais e competições, eu nunca participei por insegurança mesmo. Mas, com certeza, é uma meta para esse ano. Começar a me expor um pouco mais. Porque fotografia nunca foi algo que esteve nos meus planos, sabe? Mas, mesmo assim, está acontecendo. E acho que eu tenho que aproveitar essa chance.

    EM TEMPO – A arte da fotografia também está relacionada com a arquitetura. Há planos em unir a profissão com a paixão?

    SV - Eu, atualmente, trabalho em um escritório de arquitetura, mas estou com planos para ingressar em um Mestrado na linha de pesquisa sobre paisagismo. Pretendo abordar a cidade de Manaus no projeto de pesquisa. Colaborar com a nossa região. Ainda não sei em qual universidade tentarei, mas será em alguma no Brasil mesmo.

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