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    Artista lança light novels que retratam lendas indígenas amazônicas

    Mineira Francélia Pereira explora lendas tradicionais da Amazônia em cenários que misturam os gêneros de fantasia e ficção

    O HQ Artemísia foi indicado a prêmio nacional na categoria de produção independente | Foto: Reprodução

     Manaus – Apaixonada pelo mundo dos quadrinhos e mitologia grega, a artista mineira Francélia Pereira decidiu criar produtos voltados para a mitologia dos povos originados no Brasil, como as etnias Tupi e Guarani unidos com ficção cientifica, desenvolvendo a série de livros Light Novel de Fantasia, Habitantes de Cosmos que ganhou destaque pelo mundo todo pela personagem Artemísia.

    A artista é natural de Belo Horizonte, cursou Informática Industrial (CEFET/MG), Pedagogia (UFMG) e Letras (FAPEII) e começou a desenvolver seus projetos literários no final de 2013, onde eram divulgados em seu blog e com a grande procura do público novas edições dos contos foram lançados e sua primeira obra publicada em 2015, pela Editora Buriti. Hoje a serie conta com três livros Apocalipse, Artemísia e Nova Atlântida.

    “Eu fui divulgando as histórias na internet porquê eu trabalhava em escolas da cidade e percebia que a busca por leitura era pouca, e fui escrevendo, mas eu não imaginava que elas teriam fãs e com um tempo as pessoas passavam a me cobrar novos capítulos e depois volumes físicos foi quando eu comecei a procurar por editoras e publicações independentes”, explicou a autora. 

    A escritora contou que investiu nos quadrinhos para facilitar o consumo dos contos aos leitores, já que os HQ’s são procurados pelas ilustrações e desenhos cativantes.

    “Com a internet a linguagem visual ficou muito forte, mas eu não sabia desenhar, nem fazer roteiro de quadrinhos, foi quando eu conheci o Ton Lima que desenvolve toda a estrutura visual das histórias e animações”, ressaltou Francélia. 

    O conto reúne historias de povos e raízes brasileiras
    O conto reúne historias de povos e raízes brasileiras | Foto: Reprodução

    Origem das histórias

    Atualmente as pessoas consomem produtos internacionais e são movidas pelas famosas historias clichês seja por livros, filmes ou quadrinhos. Mas Francélia não quis seguir o caminho com da indústria de contos e decidiu unir as raízes brasileiras com algo que todos sonham, o futuro.

    “Eu quero mostrar os povos brasileiros. Somos a mistura de muitas culturas, principalmente as indígenas que as vezes são esquecidas, mas todos nos carregamos esse DNA e para ficar ainda mais interessante eu fiz a personagem principal viajar no tempo, então toda a saga se passa no futuro”, ressaltou a artista. 

    Mas se engana quem pensa que não há estudo por traz da produção dos quadrinhos e livros, segundo a autora é necessário se aprofundar nos acontecimentos passados e segui a origem das tribos e etnias usadas.

    “A Artemísia, personagem principal é descendente das Icamiabas, então eu sempre preciso ir atrás de fontes, faço pesquisas em fontes diversas, para compor as histórias. Em relação às culturas indígenas, assisto entrevistas, documentários, consultei vários livros e fiz pesquisas na internet, como no site Povos Indígenas no Brasil. Tenho me guiado bastante pelos textos do Kaká Wera e do Daniel Munduruku. Com relação aos nomes e termos em tupi, consulto o Dicionário de Tupi Antigo”, explicou Pereira.

    De acordo com a autora a série de livros podem ser lidos de forma independente, pois cada um tem princípio, meio e fim. Cada livro amplia a história, mas não são obras com histórias sequenciais, então o leitor não precisa se preocupar

    Artemísia

    A HQ conta a história da venusiana Artemísia, personagem principal da série, após descobrir ser descendente das Icamiabas - guerreiras indígenas que teriam habitado regiões da Floresta Amazônica, nascida em Vênus, a autora descreve a guerreira como mercenária, desenhada com pinturas corporais que foram inspiradas na Arte da civilização antiga Marajoara, da Amazônia. No pescoço ela usa um amuleto de jade, um Muiraquitã, uma peça que remete ao passado mítico do nosso país.

    “Eu escolhi uma figura feminina porquê queria que a história fosse contada a partir dessa visão de mundo por isso que na história dela são destacas muitas divindades femininas e quando eu conheci a história das Icamiabas casou exatamente com a personagem que eu estava buscando desenvolver”, finalizou a artista. 

    A artista disse ainda que o motivo pelo qual a personagem não carrega um nome indígena é devido a relação da personagem com a figura grega e histórica Artemísia que cresceu em uma sociedade patriarcal, foi desprezada ao seu redor e mesmo assim conseguiu se destacar e conquistar seu lugar na sociedade, assim como a estrela dos quadrinhos.

    A personagem Artemísia é descendente das Icamiabas, tribos guerreiras da Amazônia
    A personagem Artemísia é descendente das Icamiabas, tribos guerreiras da Amazônia | Foto: Reprodução

    Reconhecimento

    Em 2018, o HQ Artemísia - O Muiraquitã Original foi lançado na Comic Com Experience, no ano passado o trabalho foi indicado ao prêmio Ângelo Agostini, premiação tradicional de HQ’s no pais, na categoria melhor lançamento independente.

    A autora desenvolveu as histórias para ampliar a busca de pessoas pela literatura
    A autora desenvolveu as histórias para ampliar a busca de pessoas pela literatura | Foto: Arquivo Pessoal

    Francélia destacou que o quarto livre da série “Indrajeet”, está com lançamento previsto para o segundo semestre deste ano. Todas as obras são lançadas em formato físico e digital e encontram-se disponível no site de vendas on-line Amazon, podem ser adquiridos também por meio do site oficial Habitantes de Cosmos, que variam entre R$25 a R$ 29. 

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