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    DJs mulheres dominam a cena eletrônica em Manaus

    Nomes femininos cada vez mais aparecem em clubes noturnos e são celebrados na profissão, mas ainda há longo caminho a ser percorrido, conforme as DJs

    Mulheres DJs têm conquistado espaço no cenário manauara
    Mulheres DJs têm conquistado espaço no cenário manauara | Foto: Divulgação

    Manaus - O mundo da música eletrônica ainda é predominante masculino. Prova disso é a lista dos 100 melhores DJs do mundo, publicada anualmente pelo site DJ Mag, referência no ramo. Do total de artistas, apenas cinco são do gênero feminino. Na capital amazonense, porém, o cenário está se fortalecendo com personalidades femininas de peso, que trazem qualidade e diversão para as noitadas manauaras.

    Conhecida como Jungle Girl, a amazonense May Seven tem uma longa trajetória no cenário musical como DJ e produtora. Com 11 anos de carreira, May é referência no Norte, sendo atualmente a Top 14 Djane do Brasil e ocupa a 45º posição no ranking da América Latina pela Revista DjaneMag Miami.

    Mas o caminho que percorreu até chegar a esse ponto não foi simples. “Quando comecei, sabia que seria um desafio, pois o entretenimento noturno é um espaço machista. Desde o pensamento que a balada não é lugar de mulher, que mulher não pode beber, que sair de noite é ‘pedir’ para algo ruim acontecer, todo esse cenário desacelera a atuação feminina, não só nesse espaço, mas em todos os outros que vão contra a imagem que a sociedade quer para a mulher’’.

    Dj May Seven durante apresentação
    Dj May Seven durante apresentação | Foto: Divulgação

    Primeira mulher no Amazonas a atuar profissionalmente como DJ, May Seven vê um grande avanço na atuação profissional. “Antes, não havia tantas mulheres dispostas a fazer isso, e hoje muitas outras mulheres estão conquistando esse espaço. Espero que possamos continuar nesse rumo, e ocupar mais ainda’’.

    Apesar da ascensão profissional, a DJ reflete que há ainda um longo percurso a ser explorado. “Se olhar a line-up de grandes festivais, vai perceber que é mínimo o número de mulheres. Não é por falta de profissionais, mas por conta de ser ainda um espaço muito fechado. O espaço que temos hoje é o que nós mesmas estamos criando e lutando para manter’’.

    Interferência masculina

    Na profissão, um dos problemas que a DJ Naty Veiga relatou foi a interferência masculina. Formada em 2009 pelo curso de DJ e Produção de Música Eletrônica na Academia Internacional de Música Eletrônica de Curitiba (AIMEC), Naty afirma que sofreu um certo preconceito no começo da carreira.

    Dj Naty Veiga com set
    Dj Naty Veiga com set | Foto: Divulgação

    “Sofri ‘Mansplaining’ de outros DJs do sexo masculino, como querer me ensinar algo que já era do meu conhecimento, tocar em cabos, como se eu estivesse instalando errado, querendo atrapalhar minhas apresentações’’, relata a DJ.

    ‘’Vejo novas DJs surgindo e mandando bem no som, com muita personalidade, fazendo a diferença. Mas, quando surgem DJs do sexo masculino com o mesmo estilo, são eles que ganham destaque’’, afirma Naty Veija.

    “Pimenta com Sal”

    A DJ Pedrosa ao lado da DJ Carol Amaral iniciou o evento “Pimenta com Sal”, realizado há mais de um ano no Espaço Cultural Curupira Mãe do Mato. O projeto reflete que o cenário cultural alternativo de Manaus tem sido um bom difusor da atuação feminina no seguimento.

    “Nesse cenário alternativo, as mulheres são muito presentes, e temos vários nomes de destaque e de talento para nos representar. O papel da arte é justamente agregar, e sermos vistas nessa área. Enfraquece a ideia de que é uma profissão masculina’’.

    DJ Carol Amaral e Carol Pedrosa
    DJ Carol Amaral e Carol Pedrosa | Foto: Divulgação

    Sucesso feminino

    Desafiando as adversidades, a DJ May Seven construiu uma sólida carreira com produções amazônicas, com influência em timbres do boi-bumbá e com figurinos indígenas. ‘’Levar a Amazônia em meus shows no Brasil afora é uma verdadeira missão para mim’’. Nos últimos 3 anos, a DJ fez tour em mais de 10 estados, dividindo o palco com artistas como CeeLo Green, Ivete Sangalo, Gustavo Lima, Ludmilla, Anitta, Alok, Seu Jorge e Marília Mendonça.

    A DJ Naty Veiga também tem trajetória de peso no cenário musical. Tocando em grandes eventos de Manaus, ela já atuou em um programa da TV Cultura e lançou projetos premiados pela Manauscult.

    DJ May Seven é uma das referências do ramo na região Norte
    DJ May Seven é uma das referências do ramo na região Norte | Foto: Divulgação

    Atualmente, a DJ dirige o projeto de diversidade cultural on-line Amazônia On Stage e prepara a III Edição do festival de artes integradas LGBT+ para o mês de orgulho LGBT. ‘’Um dos meus objetivos é desenvolver a arte e a cultura LGBT, e desenvolver a economia criativa no Estado do Amazonas’’.

    Além de DJ, Carol Pedrosa também é produtora cultural, fotógrafa e dentista. O trabalho em eventos começou por diversão, com amigos, e, com o sucesso dos sets, foi sendo chamada cada vez mais para atuar em festas.

    Conciliando com as outras profissões, ela busca espaço para a paixão como DJ, atuando em eventos próprios como o “Pimenta com Sal”, que é a sensação do cenário alternativo em Manaus.

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