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    Representatividade


    Amazonense Francisco Ricardo realça cultura indígena e negra em obras

    Artista visual, professor, cenógrafo, diretor de arte e produtor audiovisual, Francisco Ricardo utiliza conhecimentos culturais para ocupar espaços de Manaus

    Francisco já produziu grandes obras premiadas
    Francisco já produziu grandes obras premiadas | Foto: Divulgação

    Manaus Francisco Ricardo Lima Caetano, 32, é a mente por trás de diversas obras premiadas e produzidas no Amazonas. “Manaus Hot City’’ foi uma das mais recentes da longa lista de produções do artista visual, professor, cenógrafo, diretor de arte e produtor audiovisual.

    Selecionada para o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo dentro da Mostra Brasil, “Manaus Hot City” recebeu direção de arte de Francisco Ricardo, impulsionando o reconhecimento da obra, que é a única produção amazonense no festival.

    Além do curta-metragem, Francisco Ricardo carrega inúmeros trabalhos culturais focados na região Amazônica, e a proposta principal é retratar as singularidades do ser humano, fugindo dos padrões brancos que dominam a mídia.

    Formado em Artes visuais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o artista revela que a busca por essa representatividade iniciou no ensino superior. ‘’O espaço construído lá é pensado para reproduzir comportamentos e linguagens brancas, e foi algo bem frustrante’’, afirmou Francisco Ricardo.

    Francisco Ricardo abraça a causa negra
    Francisco Ricardo abraça a causa negra | Foto: Arquivo pessoal

    Com a diversidade de técnicas conquistada na faculdade, o produtor audiovisual evidenciou a falta de representação, transformando o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em exposições.

    As obras realçam gravuras indígenas com referência na etnia Tikuna, povo indígena mais numeroso na Amazônia. A exposição passou por diversos espaços culturais de Manaus, mas o destaque foi no Museu da Amazônia. “Foi a exposição mais visitada no museu e é, até hoje, a exposição mais visitada na cidade’’, mencionou o artista.

    Realizações

    Além da formação em Artes Visuais, o produtor também é graduado no curso de língua e cultura espanhola da Universidade de Salamanca, na Espanha, através do programa de intercâmbio do banco Santander.

    Exposição Petróglifo com obras inspiradas em gravuras da etnia Tikuna
    Exposição Petróglifo com obras inspiradas em gravuras da etnia Tikuna | Foto: Divulgação

    Outras das conquistas do artista incluem a ilustração do livro “Emoções e Rastro” de Rafael Cesar, contemplado pelo Prêmio Literário da Cidade de Manaus, promovido pelo Conselho Municipal de Cultura, e a participação no espetáculo “Complexo de Gaivota” como cenógrafo, no mesmo ano em que assinou a direção de arte e figurino do clipe “Lulu” do grupo musical Luneta Mágica, e do curta-metragem “O Tempo Passa” de
    Diego Bauer.

    Como artista plástico, Francisco Ricardo realiza estudos artísticos sobre a população negra em Manaus. “Desde que me formei na UFAM e com a experiência que o intercâmbio me proporcionou, pude perceber que somos uma sociedade estruturalmente racista’’, relatou.

    Essa percepção aproximou o diretor de arte da prática do lambe-lambe, técnica que promove a intervenção cultural através de cartazes, com o intuito de transmitir ideias e pensamentos.

    | Foto: Divulgação

    “Não tive interesse em ocupar espaços de galerias após notar a falta de aceitação e a incompreensão com artistas que não são brancos. Então conheci a arte de rua, e isso me deixou muito feliz pois eu sentia que o meu trabalho chegava a pessoas como eu, que são pretas e pobres’’, expôs o artista.

    Através desse conhecimento, Francisco Ricardo alcançou outros artistas negros e pessoas que normalmente não são bem recebidas nos espaços culturais de Manaus. Um dos principais trabalhos nesse formato foi o projeto ‘’Escurecência’’. “Ele fala de corpos negros e regionalizados, principalmente corpos de bichas pretas’’, declarou.

    Francisco Ricardo participou em diversas obras de influência em Manaus
    Francisco Ricardo participou em diversas obras de influência em Manaus | Foto: Arquivo pessoal

    Desde então, Francisco Ricardo focou na relação entre a cidade de Manaus com o racismo. Um dos próximos trabalhos do diretor de arte, chamado “Direito à Memória’’, visa a resgatar a história de pessoas negras no Amazonas.

    “Obviamente, o trabalho não será apresentado em galeria, e sim em ônibus e nas ruas, para que as pessoas pretas vejam, conheçam e ocupem seus lugares na história’’.

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