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    Circo Marcos Frota


    De pai para filho: arte circense passada de geração para geração

    Artistas do Circo Marcos Frota falaram sobre a bagagem que eles carregam na arte, que é passada de geração para geração

    Artistas herdaram o amor pelo circo dos pais
    Artistas herdaram o amor pelo circo dos pais | Foto: Divulgação

    Manaus - Antes das cortinas subirem, a jovem Lavínia Gatica, 12, observa a preparação do pai para entrar na caracterização de palhaço. A maquiagem, a roupa, mas principalmente os trejeitos tornam Nilton Gatica, 32, conhecido pelo público como “Chuvisco”, uma das principais atrações do Circo Marcos Frota, proporcionando risadas ao respeitável público.

    Crescendo no meio circense, Lavínia conheceu desde cedo as diversas artes que o circo abrange, e através do pai, ela também mergulhou na figura do palhaço, da mesma forma que Nilton aprendeu a arte com o pai, avô de Lavínia.

    “Acho muito legal o jeito que o meu pai reage com a plateia, transmitindo a alegria dele para todo mundo e fazendo o que ele gosta’’, afirmou Lavínia. Apesar de não performar no palco, ela auxilia o pai entre uma performance e outra, e já gravou ao lado de Chuvisco como “Lalá” apenas por diversão.

    "Eu estou aprendendo de tudo um pouco, também já fiz trapézio, e crescendo eu descubro se é isso que eu quero seguir’’, disse a pequena.

    Palhaço Chuvisco e filha
    Palhaço Chuvisco e filha | Foto: Divulgação

    De família tradicional circense, Nilton Gatica apresenta a arte desse mundo para a filha, mas defende que tudo ocorre de forma natural. Com o pai, que era trapezista, acróbata e palhaço, ele aprendeu a entrar na caracterização de Chuvisco, mas afirma que o interesse deve ser genuíno.

    “Aos cinco anos, eu me vesti de palhaço pela primeira vez com meu pai e gostei, então levei isso para frente. Nada foi forçado, eu passei pelo trapézio, cama elástica, globo da morte, malabares, mágica, fiz tudo possível, mas ser palhaço falou mais alto’’, revelou Nilton. “Com minha filha, quero que seja a mesma coisa, agora ela está estudando, mas se no final ela decidir algo fora do circo, terá nosso apoio sempre’’.

    4° Geração

    Seguindo os passos do pai Marcos Antônio, 46, o acrobata Nicolas Mathias, 23, é a 4° geração da família a crescer e trabalhar na arte circense. Juntos, eles realizam manobras aéreas no circo Marcos Frota, e o interesse de Nicolas nasceu cedo.

    “Olhando meu pai e minha mãe trabalharem, surgiu essa vontade de fazer a mesma coisa que eles. É um prazer estar me apresentando hoje com meu pai, ele é a pessoa que eu mais admiro e que sou mais fã desde que eu sou criança, foi ele que me ensinou, que me motivou e me apoiou até eu chegar onde estou’’, se orgulha Nicolas

    Marcos Antônio brinca com o filho Nicolas
    Marcos Antônio brinca com o filho Nicolas | Foto: Arquivo pessoal
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    Eu aprendi com meu pai tudo que eu sei hoje "

    Nicolas Mathias, Acrobata

    O acrobata começou a treinar aos cinco anos com o pai, e realizou a apresentação de estreia aos oito anos, na Argentina, com toda a família. Com 12 anos, ele e o pai performaram sozinhos, pela primeira vez, em um espetáculo pioneiro no Brasil.

    “Nós fazemos acrobacias aéreas, um estilo diferente e inovador no país, poucas pessoas sabem realizar o mesmo estilo’’, constatou o acrobata Marcos Antônio, que também se apresenta em circos desde os oito anos.

    Assim como Lavínia, Nicolas explorou as várias faces da arte circense quando criança, passando por malabares, equilibrismo, e diversos tipos de acrobacias, até decidir a paixão.

    “Criança no circo fica fascinada com os espetáculos, e crescer vendo a família e as pessoas que admira fazendo isso é um mundo incrível, então a gente cria essa afeição, e quer fazer a mesma coisa’’, declarou Nicolas.

    Pai e filho realizam performance juntos
    Pai e filho realizam performance juntos | Foto: Divulgação

    Convívio familiar

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    A magia que o circo tem, ela vem de tradição, vem dos nossos avós, nossos pais, e que chega na gente, proporcionando a performance cheia de bagagem que você assiste hoje "

    Nilton Gatica, palhaço Chuvisco

    No meio das tendas e longe dos palcos, a família de Nilton vive nas melhores condições que o circo proporciona. De acordo com o pai, as crianças que crescem nesse meio vivem um mundo colorido.

    "O maior quintal do mundo é o circo. Se a criança quer brincar, imaginar histórias, construir, tudo é possível aqui, ela tem tudo, o circo proporciona várias possibilidades com as viagens, novos lugares, é algo único’’, revelou Nilton.

    Além da diversão, o ambiente tem uma vantagem que nenhum outro dá: a proximidade com a família. ‘’O circo fica 24h perto da gente, e é muito seguro pois aqui é todo mundo é família. Para crescer é lindo, o vínculo se aproxima cada vez mais’’, declarou o pai.

    Vivenciar o esforço e o cotidiano da profissão da família atrás das cortinas também é ponto chave nesse vínculo, segundo Nilton. Diferente da família que não conhece o trabalho do pai, Lavínia participa ativamente das apresentações, auxiliando com os equipamentos entre uma performance e outra, e essa experiência cria empatia.

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    O palhaço é a minha arte, mas também é meu emprego e meu sustento. Ela não só vê o resultado do meu trabalho, mas vê também todo o empenho que eu coloco para criar aquele espetáculo "

    Nilton Gatica, palhaço Chuvisco

    Proximidade

    | Foto: Divulgação

    “A relação de pai e filho no circo é diferente da relação de pai e filho na cidade. Na cidade, o pai acaba indo trabalhar muito cedo e voltando para casa tarde, então não tem tanta proximidade’’, afirmou Nicolas.

    No caso do circo, Nicolas revelou que as famílias acabam convivendo mais e tendo uma proximidade muito forte. Tanto no diƍa a dia, quanto no trabalho e também no lazer, a relação é muito próxima.

    “O circo é isso, tudo muito perto, todo mundo cuidando um do outro, é uma família enorme. A família é o tempo todo junta, quando não está trabalhando, treinando, são 24h juntos’’, disse Marcos Antônio.

    Uma das possibilidades que o circo permitiu para Marcos, foi acompanhar de perto a segurança e a educação do filho. “Quando ele estava no ensino fundamental, e até no ensino médio, eu sempre o levava e buscava na escola. Você vê crianças pequenas indo para a escola sozinhas, eu acho um absurdo, cada pai tem sua consciência, mas eu, até quando ele estava grandinho, fazia questão de fazer isso’’, defendeu.“A relação de pai e filho no circo é diferente da relação de pai e filho na cidade. Na cidade, o pai acaba indo trabalhar muito cedo e voltando para casa tarde, então não tem tanta proximidade’’, afirmou Nicolas.

    Palhaço Chuvisco durante apresentação
    Palhaço Chuvisco durante apresentação | Foto: Lucas Silva

    No caso do circo, Nicolas revelou que as famílias acabam convivendo mais e tendo uma proximidade muito forte. Tanto no dia a dia, quanto no trabalho e também no lazer, a relação é muito próxima.

    “O circo é isso, tudo muito perto, todo mundo cuidando um do outro, é uma família enorme. A família é o tempo todo junta, quando não está trabalhando, treinando, são 24h juntos’’, disse Marcos Antônio.

    Uma das possibilidades que o circo permitiu para Marcos, foi acompanhar de perto a segurança e a educação do filho. “Quando ele estava no ensino fundamental, e até no ensino médio, eu sempre o levava e buscava na escola. Você vê crianças pequenas indo para a escola sozinhas, eu acho um absurdo, cada pai tem sua consciência, mas eu, até quando ele estava grandinho, fazia questão de fazer isso’’, defendeu.

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