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    Teatro


    Dia dos Artistas de Teatro: Amazonas é lar de diversos talentos

    O trabalho na arte teatral não se sustenta apenas pela paixão, mas principalmente pelo talento, e o Amazonas não decepciona nesse quesito; conheça artistas que representam o teatro em Manaus

    Roger Barbosa em espetáculo Livro Vivo
    Roger Barbosa em espetáculo Livro Vivo | Foto: Michael Dantas

    Manaus – O Dia dos Artistas de Teatro é comemorado nesta quarta-feira (19), em homenagem aos atores, atrizes e todos profissionais que colaboram e são essenciais para fazer acontecer a magia nos palcos.

    A data surgiu a partir do Decreto de Lei nº 6.533, de 24 de maio de 1978, que regulamenta a atuação de artistas e de técnicos em espetáculos, mas só entrou em vigor em 19 de agosto de 1978, por isso a escolha para homenagear os trabalhadores.

    Atividades teatrais acontecem no Brasil desde o século XVI, com encenações sobre temáticas religiosas, e no Amazonas, o primeiro grande espetáculo foi a ópera Gioconda, realizada no dia 7 de janeiro de 1897, de Amilcar Ponchielli, no Teatro Amazonas.

    Desde então, um longo caminho levou aos talentos teatrais que existem atualmente na região amazonense e que são destaque no setor. Um deles é Wallace Abreu, ator e diretor atuante na Companhia de Atores Escalafobéticos.

    Espetáculo Livro Vivo
    Espetáculo Livro Vivo | Foto: Michael Dantas

    Carregando 15 anos de bagagem, a carreira profissional no teatro rendeu bons frutos e surgiu de forma simples e fascinante. No final dos anos 90, ainda durante a infância e adolescência no município de Itacoatiara, Wallace se envolveu em atividades de teatro amador, na escola e na igreja.

    “Sempre foi algo que gostei muito. Me fascinava a ideia de ser outras pessoas, de dar vida a outras personas e eu sempre buscava estar envolvido nessas atividades artísticas. No entanto, o movimento teatral profissional era quase inexistente em Itacoatiara, foi quando me mudei para Manaus em busca de novas oportunidades profissionais’’, relembra o artista.

    Em Manaus, as portas se abriram e o artista pôde participar do Grupo “Baião de Dois”, um dos mais relevantes da produção teatral no Amazonas, ao lado da diretora Selma Bustamante.

    Espetáculo Maroca Pipoca de Wallace Abreu
    Espetáculo Maroca Pipoca de Wallace Abreu | Foto: Divulgação

    Paixão pelo teatro

    Para Taciano Soares, ator da companhia de artes cênicas Ateliê 23, a paixão pelo teatro existe desde a infância. ‘‘Tive uma experiência na escola aos oito anos, atuando em ‘O Pequeno Príncipe’, e desde então decidi que queria aquilo’’.

    No entanto, o trabalho teatral só iniciou na adolescência, quando Taciano ingressou em um curso no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro. ‘‘Estudei com professores incríveis que eram artistas da cidade. Então, a formação foi muito especial, multidisciplinar, com história, filosofia, atuação, musicalização, técnica vocal, foi realmente muito importante para mim’’.

    As oportunidades surgiram com o curso. Após a profissionalização, as portas se abriram e Taciano foi convidado para diversos espetáculos. “É muito desejo de viver e compartilhar. Não há orgulho maior para mim’’, afirmou.

    | Foto: divulgação

    Realizações

    Ator e diretor da companhia de teatro Interarte, Roger Barbosa iniciou a trajetória teatral no final dos anos 90, e não só a paixão, mas o talento sustentou a carreira, passando pelos palcos, mas também pela produção de peças e pelas salas de aula do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro.

    ‘‘Todo trabalho é muito importante, porque o teatro é uma arte muito efêmera. É tão intenso quando você apresenta, quando a peça está em cartaz, que naquele momento é o mais especial de todos’’, ressaltou Roger.

    “Mas, com o passar do tempo, a gente vai guardando algumas memórias que resultados mais gritantes, mais satisfatórios, como prêmios e reconhecimento’’.

    | Foto: Picasa

    As memórias mais marcantes de Roger Barbosa incluem o projeto Livro Vivo da companhia Metamorfose, onde interpretou personagens que contam as histórias do teatro, da sociedade e referências culturais da chamada Belle Époque.

    “Era muito intenso e as pessoas adoravam os espetáculos. Eu fiz o professor Mário, que era uma homenagem ao Mário Ypiranga. Houve também uma adaptação de Márcio Souza que recebeu direção do próprio Márcio Souza, e foi um trabalho muito importante, que ficou cinco anos em cartaz. Ganhei diversos prêmios e teve uma circulação nacional’’, comemorou o ator.

    Um dos trabalhos mais recentes e que causa orgulho é “Encanto’’, texto escrito por Roger Barbosa e que recebeu prêmios regionais. “Foi uma obra infantil com um personagem em cadeira de rodas, e tocou muito a plateia”.

    | Foto: Fabiele Vieira

    Companhias de teatro

    "Eu sempre fui muito inquieto, a cabeça sempre fervilhando de ideias, e a vontade de realizar muitas coisas. Tinha medo de não ter tempo de fazer tudo que queria, então resolvi criar minha própria companhia de teatro’’, revelou Wallace Abreu, da Escalafobéticos.

    De acordo com o ator, a companhia era um espaço livre para a experimentação em diversos aspectos do campo artístico como dramaturgo, diretor, iluminador, sonoplasta e figurinista.

    “E isso foi importante para eu entender o que realmente eu gostava e qual era o meu lugar nisso tudo’’, garantiu Wallace.

    | Foto: divulgação

    Com Taciano, do Ateliê 23, o desejo de criar a companhia surgiu do desejo de emancipação. ‘’Dessa forma, temos como dar oportunidade para novos artistas. É um privilégio, pois o trabalho em uma sede faz com que nós tenhamos condições de apresentar regularmente, e isso é importantíssimo, não só para o amadurecimento do artista, mas para que a cidade tenha a diversidade cultural de saber que toda semana ela vai encontrar um espetáculo, assim como acontece no cinema’’.

    Na companhia Interarte, a emoção é de realização, avalia Roger. ‘’É estar vendo um trabalho saindo do papel, pois esse caminho não é fácil, não é fácil você levantar recursos, não é fácil reunir elenco para ensaiar, e não é fácil conseguir um espaço para apresentar, tudo é muito difícil, mas como a gente faz o que ama e ser artista é um estado de espírito, você não mede esforços para fazer isso’’.

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