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    Talento e representatividade: conheça o cantor Antônio Bahia

    O cantor, compositor, produtor cultural e diretor artístico Antônio Bahia possui cerca de 20 músicas autorais e leva os ritmos de MPB, samba e axé aos palcos do Brasil

    | Foto: Divulgação

    Manaus - “Todas as vezes em que entro no palco, peço licença, aponto para o chão e me benzo, porque para mim é um lugar sagrado”. É com essa devoção que o cantor Antônio Nerivaldo de Souza Costa, o Antônio Bahia, descreve sua trajetória artística no solo amazonense. Uma vida de entrega à arte que encanta fãs que o definem como um ‘ser de luz’. 

    Antônio Bahia nasceu na cidade de Rurópolis, interior do Pará, em 1979. À beira da Transamazônica, o menino de pés no chão não tinha noção do que poderia contemplar por trás daquele horizonte. Sua voz logo ecoou e atravessou fronteiras.

    A infância humilde ao lado de seus oito irmãos serviu de alimento para seus estilos musicais que passeiam por MPB, samba e axé. Chico da Silva, Lucinha Cabral, Márcia Siqueira, Dorival Caymi são algumas das inúmeras referências do cantor. Toda sua magia de intérprete é captada por fãs que admiram sua intimidade com o palco.

    | Foto: Divulgação

    “Bahia para mim representa a força de tudo aquilo o que eu nunca tinha enxergado em ninguém que pudesse representar a defesa da sua sobrevivência. Ele defende a cor dele, a arte dele, a humildade, a sabedoria, as relações, a intimidade. A voz dele alcança a representatividade da música. Quando ele está no palco, eu vejo luz. O Bahia, para mim, é luz, um ser de profundidade”, revelou Nívia, pedagoga que o acompanha há 20 anos.

    Além de cantor, compositor, produtor cultural e diretor artístico, Bahia também é ator, o que lhe rendeu participações como figurante nas novelas Rock Story, Haja Coração, A Lei do Amor, A Força do Querer, Totalmente Demais.

    Entre tantas surpresas que tem vivido, guarda na caixinha a carta que recebeu de Maria Bethânia, em agradecimento pelo projeto ‘Cartas para Bethânia’, produzido com Wanessa Leal, em homenagem aos 50 anos de carreira da cantora, show em que Bahia interpreta músicas da diva.

    | Foto: Divulgação

    Com 22 anos de carreira, somente agora o cantor está pré-produzindo o seu primeiro disco, um sonho desde que tinha 18 anos. “O repertório Já foi escolhido, estão criando os arranjos. A previsão de lançamento do 1º CD é 2021”, revela.

    O menino que saiu da roça e trouxe na bagagem o sonho de um dia ser cantor parecia imaginar que a luta não seria em vão. “Um dia, no intervalo do almoço, estávamos deitados no banco no interior da loja em que trabalhávamos, em Manaus, daí o Bahia, olhando para o teto, disse ‘Nívia, um dia eu ainda vou ser cantor eu vou trabalhar na Globo. Eu vou cantar para muita gente’, revelou a amiga e fã”. 

    Da roça para os palcos

    O filho do srº Antônio, um ex-soldado da borracha, e da dona Nena, uma mulher preta, dona de casa (assim ele diz), teve o primeiro contato com a arte ouvindo o rádio durante a lida. Eles não tinham TV. Desde cedo se interessou pela música. MPB, samba e axé já corriam nas suas veias.

    | Foto: Divulgação

    O cantor, que também é fã da Xuxa, assistia ao programa da rainha pela janela da casa do vizinho, na parte de fora, pois não podia entrar para não sujar o piso.

    Aos 15 anos, participou de um show de calouros na sua terra natal e conquistou o 2º lugar como melhor cantor. Rumo a Manaus, Antônio iniciou sua trajetória nos bastidores do Teatro Amazonas, como assistente de produção. Conheceu grandes personalidades.  Os ídolos que ele tietava são, hoje, seus colegas de profissão.

    Ao nutrir grande desejo de subir aos palcos e soltar sua voz, recebeu, na época, a mão amiga de Marcos Apolo, hoje Secretário de Cultura, e conseguiu uma participação especial em um show da cantora Fátima Silva, no Zero Grau, casa de show em Manaus.  Sonho realizado. A partir desse dia, fez dos palcos seu solo sagrado.

    Em solo amazonense, sua trajetória musical foi desenhada com participação em vários Festivais de Música, tanto como intérprete quanto como compositor. Seu estilo irreverente, apresentando-se sempre com os pés descalços, reflete a identidade do artista que, quando criança, muitas vezes ‘não tinha o que calçar’. “Como Bahia significa pai e mãe, os pés desnudos são para eles, para eu nunca esquecer de onde eu vim, da minha origem, para nunca deixar que nada suba à minha cabeça e eu continuar sempre com os pés no chão”, explicou.

    | Foto: Divulgação

    Para os fãs, o cantor é a representatividade da própria arte. “Bahia é um artista nato, o verdadeiro artista, de dentro para fora, é visceral, revela Alessandra Reis”, microempreendora.

    O cantor possui 20 composições autorais, já figura entre as grandes personalidades do cenário musical amazônida e segue ‘iluminando’ os lugares por onde passa, na certeza de, um dia, levar sua música para fora do país. “Se você tem um sonho, não deixe que nada o abata, que nada desanime você. Vai doer, vai machucar. É normal. As dificuldades existem. Busque força, fé, permaneça e siga adiante”, finalizou.

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