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    Cenário audiovisual


    A ascensão do streaming será a queda dos cinemas?

    O índice de audiência do streaming superou o da TV por assinatura no Brasil pela primeira vez, e os números se mostram cada vez mais favoráveis aos serviços on-line

     

    A ascensão dos serviços de audiovisual virtual já representa números consideráveis nos últimos anos
    A ascensão dos serviços de audiovisual virtual já representa números consideráveis nos últimos anos | Foto: Divulgação

    Brasil – O cheiro de pipoca, o clima nas salas de cinema e a expectativa para grandes lançamentos são elementos que o público brasileiro não conhece há pelo menos um ano. No lugar, a facilidade e as vastas opções do streaming no conforto de casa, tomou conta.

    A ascensão dos serviços de audiovisual virtual já representa números consideráveis nos últimos anos, que foram potencializados pela pandemia de Covid-19. A mudança de hábitos provocada pelo isolamento social só tornou as plataformas de filmes e séries on-line ainda mais procuradas.

    Para ter uma ideia dos valores que o streaming fatura, somente em 2018, esse nicho movimentou cerca de R $26,7 bilhões. Em um contraponto, a Fundação Getúlio Vargas divulgou um relatório sobre as perdas da indústria audiovisual no Brasil – o que inclui produção e consumo – que prevê um prejuízo de R $69,2 bilhões entre os anos de 2020 e 2021.

    Complementando a pesquisa, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) publicou o Observatório Brasileiro do Cinema e Audiovisual (OCA), expondo a redução declinante da frequência do brasileiro em frente às telonas durante a pandemia. Segundo dados do relatório, o faturamento teve uma queda de 77%, durante 2020.

    Preferência ao streaming

     

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    Mas esse fato se deve somente ao isolamento social ou é um destino natural dos cinemas?

    Com os avanços da tecnologia e com a população mundial cada vez mais conectada, diversos representantes da indústria cinematográfica estão dando preferência ao streaming.

    Um deles é o diretor criativo da Marvel, Kevin Feige. Em entrevista à revista Emmy, o cineasta citou o potencial das plataformas, afirmando que o futuro do estúdio está no streaming.

    “Os serviços de streaming representam o futuro em 100%. Os consumidores querem assistir filmes e séries em casa, e acreditamos que o futuro da Marvel está no streaming”, afirmou. A tendência é seguida por outros estúdios, como a Disney, que cada vez mais buscam os meios digitais.

    Uma pesquisa realizada no mês de junho pela empresa de informação, dados e medição Nielsen Brasil mostrou que 42,8% dos brasileiros entrevistados assistem a conteúdos de streaming diariamente.

     

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    Outro levantamento, este feito pela empresa Conviva, revelou que a audiência desse tipo de serviço cresceu 20% globalmente só no primeiro mês da pandemia, em março de 2020.

    Roteirista, produtor, diretor, e professor universitário, Gustavo Soranz também reconhece o que esses números significam.

    “A pandemia acelerou mudanças que já estavam em curso no modo como o cinema é consumido. O streaming está se tornando o lugar preferencial para a distribuição e consumo de cinema, e na medida em que estes se fortalecem, outros elos desse ecossistema vão se enfraquecendo”, ressaltou.

     

    Cineasta Gustavo Soranz
    Cineasta Gustavo Soranz | Foto: Divulgação

    Adesão às plataformas

    O Globoplay, plataforma da Rede Globo, registrou um aumento de 145% no número de assinantes no primeiro semestre do ano passado. Já a Netflix, uma das líderes do mercado, conquistou quase 16 milhões de novas assinaturas até o primeiro trimestre.

    Dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), revelados em junho de 2020, mostram ainda que, pela primeira vez, o índice de audiência do streaming superou o da TV por assinatura no Brasil.

    A estudante Savana Monteiro, de 20 anos, compartilhou que o baixo custo das plataformas foi um fator positivo na preferência pelo streaming. “Hoje em dia, com o valor do ingresso para assistir apenas um filme, eu posso pagar um mês inteiro de acesso a milhares de filmes e séries, sem falar que posso assistir em qualquer lugar. Para mim, é muito melhor”, relatou.

     

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    Os canais de TV fechada também acompanham a tendência, e para não ficar atrás da concorrência, desafiam o modelo de televisão por assinatura.

    O HBO Go e a Globo Play são bons exemplos, permitindo que o público assista os mesmos programas exibidos nos canais, nas plataformas digitais, mas com a possibilidade de pausar os títulos e reassistir cenas preferidas.

    Experiência nos cinemas

    Apesar das facilidades do streaming, Gustavo Soranz afirma que um dos motivos que leva as pessoas às salas de cinema, é a experiência que elas proporcionam.

    “Assistir a um filme em sala de cinema é incomparável à experiência de assistir a um filme em ambiente doméstico. São dimensões diferentes. Uma coletiva, e a outra privada. A sala de cinema se converte em uma experiência cada vez mais restrita a nichos de público específicos, comercialmente focados em parcelas jovens no caso do cinema comercial hegemônico”, explicou.

     

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    Já as possibilidades são mais amplas no mundo virtual, conforme disse o cineasta. “Neste último ano, vimos diversas experiências diferentes, explorando possibilidades diversas de exibição e comercialização de filmes. Eu tive a chance de assistir a filmes exibidos em festivais especializados ao redor do mundo que eu não teria de outro modo”.

    Retorno da pirataria

    Não foi apenas o consumo de streaming que cresceu. Ao longo de 2020, os brasileiros viram a oferta de plataformas ficar mais diversa. A Disney + chegou ao país em novembro, e a concorrência é alta – há também a Netflix, Globoplay e Amazon Prime Video, e para 2021, outras opções de streaming devem somar no catálogo.

    “Agora, tem um outro lado da moeda. O streaming cresceu muito nos últimos anos, mas também, não havia tanta concorrência. Cada canal está criando sua própria plataforma com esses avanços. Será que isso pode significar o retorno da pirataria?”, questionou a estudante. 

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