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    Cenário audiovisual


    Obras amazonenses mostram potencial do cinema local

    Produção amazonense deixa a marca no cinema nacional e mostra o potencial do audiovisual regional

     

    | Foto: Divulgação

    Manaus – A sétima arte produzida em terras amazonenses está ganhando cada vez mais destaque no cenário audiovisual nacional. Diversas obras já levaram as produções locais aos mais renomados festivais do circuito cinematográfico. O EM TEMPO listou alguns títulos que provam o crescimento do audiovisual no Estado. Confira:

    O Barco e o Rio

     

    A atriz Isabela Catão em cena de O Barco e o Rio
    A atriz Isabela Catão em cena de O Barco e o Rio | Foto: Divulgação

    A produção amazonense do diretor Bernardo Ale Abinader foi uma das obras recentes de maior aclamação no circuito nacional, carregando um longo currículo de premiações.

    Entre elas, ‘’O Barco e o Rio’’ foi o único do Norte entre as 14 selecionadas do Festival de Cinema de Gramado – um dos mais tradicionais do Brasil – e o curta-metragem saiu carregando a vitória nas categorias de Melhor Filme; Melhor Direção; Júri Popular; Melhor Fotografia, por Valentina Ricardo; e Melhor Direção de Arte, por Francisco Ricardo Lima Caetano.

    O diretor Bernado Abinader se mostrou emocionado a cada premiação vencida pelo curta produzido por uma equipe completa de amazonenses. “Fiquei muito feliz por todo mundo, a equipe toda é do Amazonas, o que ressalta que temos muito talentos que precisam ser valorizados’’, afirmou o diretor.

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    O elenco é formado por Isabela Catão e Carolinne Nunes. As gravações ocorreram no Porto da Manaus Moderna e no Cacau Pirêra, trazendo outros elementos regionais na trama.

    ‘‘O Barco e o Rio’’ revela a relação entre duas irmãs que herdam o barco da família. Vera é uma mulher religiosa que precisa lidar com a irmã Josi, com quem diverge em relação a como cuidar do barco e sobre como viver a vida.

    O Caso Tucumã

    Com expressões típicas do ‘’amazonês’’ e trazendo elementos bem regionais, como o Mercado Adolpho Lisboa e a culinária manauara, o curta-metragem ‘’O Caso Tucumã’’, produzido por uma equipe totalmente amazonense, conquistou a atenção fora da região Norte e já exibido no 8º Festival de Cinema ‘’Curta Pinhais’’, no Paraná, e no 3º Festival de Cinema de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.

     

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    O resultado surgiu do trabalho da Oficina de Produção Audiovisual (OPA), oferecida gratuitamente pelo Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que tem o objetivo de apresentar e incentivar a produção de peças do ramo.

    O projeto foi coordenado pelo produtor audiovisual Thiago Morais, servidor do Museu e instrutor das aulas, que conta como foi a experiência na produção do curta-metragem.

    ‘’O filme foi produzido em 2019, junto com outros profissionais da área convidados para agregar suas experiências e colaborar na execução do projeto. Todos os alunos participantes se esforçaram em cada processo, o que rendeu resultados bem satisfatórios’’, conta Thiago.

     

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    A oficina contou com cerca de 25 participantes que puderam aprender na prática as funções nos setores de fotografia, direção de arte, produção, maquiagem, figurino, preparação de elenco e som, com o auxílio dos produtores audiovisuais Wander Luiz e Saleyna Borges, além do cineasta Bruno Pereira.

    A Febre

    Apesar de não ser um filme produzido com equipe totalmente amazonense, a obra audiovisual gravada no Amazonas explorou diversos aspectos regionais que ganharam o público internacional.

    Com Manaus como palco das filmagens de ‘’A Febre’’, dirigido por Maya Da-Rin, o longa-metragem acompanha Justino, interpretado pelo xamã do povo Desana, Regis Myrupu, e a filha Vanessa, vivida por Rosa Peixoto, da etnia Tariano. Ambos indígenas, eles vivem há mais de 20 anos na capital amazonense.

     

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    O filme acumula mais de 50 festivais mundiais no currículo e já recebeu mais de 30 prêmios. Um deles marcou a estreia de Regis Myrupu no cinema: o primeiro filme na carreira do indígena lhe rendeu o troféu de Melhor Ator no Festival de Locarno, na Suíça.

    Premiadíssimo, “A Febre’’ foi, inclusive, cotado por críticos como o representante do Brasil para o Oscar 2021, mesmo que não tenha chegado a ser indicado. Um dos aspectos que mais chamam a atenção no filme, é o fato de cenas serem interpretadas em português brasileiro e em tikuna – boa parte do filme, aliás, é falado na língua indígena.

    A equipe responsável pelo “nascimento’’ do longa-metragem foi escolhida a dedo por Maya Da-Rin, que priorizou nomes locais, formando um grupo majoritariamente amazonense, e foi produzido por Tamanduá Vermelho (Brasil), em coprodução com Enquadramento Produções (Brasil), Still Moving (França) e Komplizen (Alemanha).

     

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    A Terra Negra dos Kawa

    A ficção do cineasta Sérgio Andrade, que assina o roteiro, a produção e a direção do longa-metragem, representou o Amazonas em diversos festivais tradicionais do circuito europeu, como o Mercado do Filme de Cannes, realizado anualmente em conjunto com o Festival de Cannes, na França, e a Mostra Competitiva do 74° Festival Internazionale del Cinema di Salerno, na Itália, realizado on-line devido à pandemia de Covid-19.

    É com admiração que Sérgio Andrade observa o reconhecimento que a obra recebe no cinema mundial, e atribui esse sucesso à diversos fatores.

    ‘’Imagino que a liberdade do filme, ao ar livre, o humor diferente e as narrativas e linguagens amazônicas devem encantar neste momento tão triste do mundo, mas, na realidade, posso apenas imaginar. Participar desse circuito europeu significa chances de mercado e de apreciação da obra por um público e uma crítica que terão uma compreensão inédita. Estou louco para descobrir qual é’’, afirmou o cineasta.

     

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    Apesar dos bons frutos que ele colhe com essa produção, Andrade chama atenção para a falta de incentivo que o setor audiovisual recebe no Amazonas. No momento em que o cinema local ganha os holofotes em festivais nacionais e internacionais, ainda há muito caminho a ser percorrido.

    ‘’Acredito que o nosso potencial local não será incentivado por repercussões internacionais de nossas obras. Ajuda, mas eu já tive filme na Panorama do Festival de Berlim, e nenhum incentivo ou apoio nas obras seguintes, por parte de esferas de governos locais. O problema é de falta de continuidade da vontade política’’, ressaltou.

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